Joana Ricci e Mario Junior apostam no conceito da Komborgânica
Joana Ricci e Mario Junior apostam no conceito da Komborgânica

Estrutura enxuta para enfrentar os riscos da crise

Empresários investem em lojas compactas e cardápio reduzido para empreender com segurança

Gisele Tamamar, Estadão PME,

03 de novembro de 2015 | 06h35

O dinheiro disponível não é abundante, os custos altos e o cenário macroeconômico desfavorável. Quem pensa em empreender em tempos de crise precisa planejar bastante e, muitas vezes, o caminho é investir em uma estrutura enxuta, com poucos ou nenhum funcionário e optar por um espaço físico menor.

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É o caso, por exemplo, da Komborgânica, espécie de feira móvel de produtos orgânicos cujo investimento inicial foi de R$ 40 mil. O veículo, ideia de dois casais de amigos: Joana Ricci e Thiago Avelaneda com Paula Zucareli Ribeiro e Mario Junior, começou a rodar pelas ruas de São Paulo há duas semanas. A situação do País deu um "frio na barriga", mas Joana conta que o grupo fez um plano de negócios detalhado e pesquisou bem o mercado para avaliar a aceitação do produto e "não sair rodando na sorte".

"A decisão foi de começar pequeno. E a Kombi tem um lado afetivo, que cativa as pessoas", diz Joana, que cuida da operação ao lado de Mario Junior. Eles fazem parcerias com empresas, como academias e restaurantes vegetarianos, para deixar a Kombi Nica estacionada e efetuar as vendas.

Com o dinheiro limitado, os sócios fizeram o detalhamento dos custos e despesas para analisar suas prioridades. Por isso, eles optaram por 'adesivar' o veículo, o que saiu mais barato que a opção pela pintura. Mas eles não abriram mão, por exemplo, de trabalhar com produtores certificados, exigência que impacta um pouco no preço, mas garante qualidade e passa uma segurança para o cliente.

Outro projeto recente nos mesmos moldes é o do empresário Ivan Bornes, do Pastifício Primo. A venda de massa para consumo no local, na hora do almoço, deu tão certo que a idéia tornou-se um projeto independente do pastifício, o Massa na Rua. A primeira unidade foi aberta na Rua Peixoto Gomide, na semana passada, em uma garagem com cerca de 25 metros quadrados que servirá como piloto para uma futura expansão por meio de franquias.

A proposta é vender comida acessível, a partir de R$ 9,99, com baixo custo: não tem garçom e os utensílios são biodegradáveis e descartáveis, o que evita despesas com a lavagem de louças. "É um projeto com capacidade de fazer acima de 300 atendimentos por dia", afirma Bornes. Enquanto um pastifício exige investimento de R$ 500 mil, o Massa na Rua custa R$ 100 mil, sem contar capital de giro.

O empresário Gilson de Almeida também começou com uma estrutura pequena, mas há dois anos. Diante dos preços altos dos aluguéis, ele instalou uma hamburgueria em uma garagem. O nome? Na Garagem Hamburgueria. Com apenas duas opções de lanches e sem serviço de garçom, ele recuperou os R$ 140 mil investidores inicialmente em um ano e meio. Enquanto optou por um cardápio enxuto, o empresário decidiu não cortar investimentos nos equipamentos.

"O cliente praticamente come na minha cozinha e vê tudo que eu faço. O cardápio enxuto evita perdas e consigo trazer um valor mais competitivo", afirma. O empresário pensa em expandir, mas não agora. "Gostaria de sentir mais o que está acontecendo no País. Não vou abrir nada até o fim do ano e no primeiro semestre do ano que vem vou fazer uma análise", completa.

 

Conselho. Segundo o consultor Julio Alencar, do Sebrae-SP, a busca pela diminuição de custos e despesas deve ser constante, independentemente do período, mas acaba se intensificando em épocas "de cinto apertado". "Custo é tudo que vai no produto e despesa é tudo que não vai. Tem que avaliar os indicadores para saber onde tirar. Se não fizer contas, você pode cair no engano de cortar o que não deve", diz.

Alencar lembra ainda que muitos empresários cortam coisas que não pesam tanto. "Às vezes, ele paga milhões de reais em produtos e aluguel e de repente corta o café achando que está melhorando alguma coisa. Mas é preciso pensar na motivação dos funcionários também", orienta. Para quem está começando agora, a dica é: "já comece otimizado". "Não pense em crise. Pense em como entrar no mercado e disputar esses cientes", diz Alencar.

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