Daniel Teixeira/AE
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Estratégia do empreendedor para o Natal é traçada a partir de agora

Pequenos e médios negócios devem definir seu planejamento para aproveitar ao máximo a data

CAROLINA DALL'OLIO, ESTADÃO PME,

26 de julho de 2011 | 17h53

Os pequenos negócios brasileiros tiveram em 2010 o melhor Natal de todos os tempos. Tão bom que, em alguns casos, até pegou as empresas desprevenidas. Para isso não acontecer mais, os trabalhos para receber bem o Papai Noel 2011 já começaram - mas com um planejamento que leva em conta um novo cenário econômico.

Alguns fatores que fizeram a economia brasileira crescer 7,5% em 2010 seguem positivos, é verdade. O nível de desemprego está ainda mais baixo que o registrado no fim do ano passado, a renda do trabalhador também subiu de lá para cá e as famílias continuam comprando produtos e serviços.

Mas o consumo movido a crédito, que em 2010 fez a alegria das empresas, agora apresenta sua outra face: o endividamento excessivo. A dívida total das famílias nunca foi tão alta. Corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social no País, aponta estudo da LCA Consultores. E a inadimplência começa a subir.

Além de mais endividado, o cliente que for às compras no Natal vai se deparar com financiamentos mais caros. Em 2010, os brasileiros gastaram R$ 129,3 bilhões com juros, segundo levantamento da Federação do Comércio de São Paulo. Mas com o aumento da Selic em 2011, apenas nos quatro primeiros meses do ano, o gasto foi de R$ 55,1 bilhões, podendo somar R$ 165,3 bilhões até dezembro.

"Com o aumento do custo do crédito, o dinheiro que seria destinado ao consumo acaba migrando para o pagamento de juros", analisa Altamiro Carvalho, assessor econômico da Federação do Comércio. “Por isso, o Natal será bom, porém com crescimento mais moderado que o registrado em 2010. As empresas certamente enfrentarão mais dificuldades para atingir suas metas.”

A empresária Thereza Dib, proprietária da Buquê, empresa que fabrica bonecos decorativos - muitos deles para o Natal - em tamanho real, não quer justamente perder tempo e, com isso, vendas no fim do ano. Depois de vender 750 bonecos em 2010, a Buquê se prepara para produzir mil unidades em 2011.

Com o mercado de shoppings em expansão, a Buquê projeta para este ano faturar 20% a mais do que em 2010. Para tanto, precisa superar os produtos chineses, que dominam o mercado. Sua estratégia para driblar os chineses tem dado certo. Ela decidiu apostar em bonecos mais simples, com movimentos limitados, porém, com bom acabamento. Assim, vende produtos por menos da metade do preço praticado pela concorrência. "Shoppings menores ou sediados no interior não investem tanto na decoração. Querem algo bonito, mas simples. Eles são meu público-alvo", afirma.

Conheça quatro ações que o pequeno empresário pode fazer agora para faturar no Natal:

Informação

Fazer pesquisas, pedir para que os funcionários reúnam o maior número possível de informações sobre o comportamento do cliente e reunir dados sobre os concorrentes são maneiras de antever o que ocorrerá em seu setor no Natal.

Planejamento

Definir as metas para o Natal, estipular o volume de compras para o evento e quantas pessoas precisarão ser contratadas são decisões que precisam ser tomadas agora. E quanto mais cedo o planejamento for executado, maior será sua economia.

Treinamento

O empresário deve comunicar suas diretrizes aos funcionários e prepará-los desde já para as tarefas que executarão no Natal. Assim, minimizará erros e não precisará realizar treinamentos quando a empresa estiver a todo vapor por conta das vendas.

Precaução

Cada estratégia desenhada deve ser sucedida de um plano B, para o caso das coisas não saírem da maneira que se esperava - para o bem ou para o mal. Consulte sua equipe de vendas constantemente para monitorar sempre a temperatura do mercado.

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