JF Diorio/Estadão
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Estratégia de criar marcas próprias também pode fazer parte dos planos dos pequenos negócios

Pizzaria Speranza vende seu "próprio" vinho desde 1998 e também investe em azeite e geleias

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

28 de novembro de 2012 | 06h29

Ter seu logotipo estampado no rótulo de diversos produtos não é estratégia usada apenas por grandes companhias. Pequenos e médios estabelecimentos também seguem a tendência de valorizar a própria marca. É o caso, por exemplo, da Pizzaria Speranza. O restaurante, localizado em São Paulo, vende seu ‘próprio’ vinho desde 1998 e também investe no azeite e geleias Speranza.

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A pizzaria é uma das mais tradicionais de São Paulo – foi fundada em 1958 por Dona Speranza e Francesco Tarallo. Quando a casa completou 40 anos, surgiu a ideia de lançar um produto próprio. “Pizza combina com vinho e acabamos criando uma marca de bebida com quatro tipos de uva”, conta o diretor do restaurante, Celso Cassas. “Fizemos uma pesquisa em diversas vinícolas e a que mais chamou a nossa atenção foi a Salton”, relata o executivo, revelando um pouco sobre como foi a escolha do fornecedor do vinho.

No aniversário de 50 anos, foi lançada uma série comemorativa com 6 mil garrafas e, neste ano, foi a vez do Speranza Patrimônio – mais uma opção da bebida para o cliente. “Para o ano que vem, estamos negociando uma parceria com dois produtores italianos. Os nossos vinhos são os mais vendidos e tem gente que compra de caixa”, diz Cassas.

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A pizzaria vende em média entre 4,5 mil e 5 mil garrafas todos os anos. O sucesso da linha fez a pizzaria lançar, em 2004, dois tipos de azeite e seis tipos de geleia. “A ideia surgiu porque os clientes sempre perguntavam sobre os produtos que usamos, quem são nossos fornecedores. Aí resolvemos lançar o azeite e a geleia. É uma forma de fortalecer a marca da pizzaria”, afirma o administrador do local.

Para Roberto Nascimento, diretor da agência Target e especialista em marcas próprias, qualquer empresa – não importa o porte – pode ter produtos que levem sua marca. Mas antes é preciso elaborar uma estratégia que contemple todas as etapas do processo. “É simples, mas não é só colocar o nome no rótulo”, alerta Nascimento.

Planejamento. Por isso mesmo, Roberto Nascimento aconselha o pequeno empresário a estudar sobre o que é necessário fazer para agregar valor a sua marca e torná-la ao mesmo tempo sustentável e perene. “Nos últimos cinco anos, aumentou muito o número de pequenas e médias empresas investindo nessa estratégia como forma de aumentar a rentabilidade, fidelizar o consumidor e se diferenciar da concorrência”, pontua o especialista no segmento.

Além de formular um plano para criar uma marca própria confiável, o pequeno empreendedor precisa pensar sempre na qualidade. Por isso, é importante estipular critérios rígidos de seleção dos fornecedores. É importante ainda pensar muito a respeito da embalagem e até mesmo sobre como será o atendimento do consumidor no ponto de venda.

Variedade. A Fazenda Dona Carolina, localizada entre Itatiba e Bragança Paulista, no interior de São Paulo, também investe em produtos com o nome do local. “O nosso hotel tem uma loja de objetos personalizados. Os hóspedes têm interesse em levar lembranças do local”, relata a assistente de direção da empresa, Juliana Stefani Siqueira.

Na lista de objetos personalizados estão difusores, aromatizadores de ambiente, chinelos, camisetas, boné, bichinhos de pelúcia, cafés, cachaças e doces. “É uma forma dos visitantes lembrarem da nossa marca”, completa Juliana Siqueira. Para 2013, a executiva planeja o lançamento de novos produtos e mais modelos de roupas.

A Aromas e Cia, da empresária Rosana Hollo, fornece produtos tanto para grandes quanto para pequenas empresas. “Ter opções com marca própria não é coisa só para grande lojistas”, conta Rosana, que vende os aromatizadores para hotel, loja de bijuterias e móveis. Como dica, Rosana aconselha o pequeno lojista a testar antes a aceitação dos consumidores em relação ao produto para depois investir no rótulo próprio. “É uma tendência mesmo as pequenas investirem nesse mercado”, afirma a empreendedora.

O ramo de atuação de quem coloca dinheiro no segmento é bem variado. Prova disso é o exemplo do Grupo Wood´s, que administra sete baladas sertanejas. O produto escolhido para levar a marca do grupo foi a água mineral. “Percebemos que o pessoal pedia muita água na saída, na hora de pagar a conta, e resolvemos lançar para fortalecer a nossa marca”, diz o sócio-diretor do grupo, Rafael Setrak.

A água é produzida pela empresa Ouro Fino e envasada em embalagem Tetra Pak, que conserva melhor o líquido. Antes de colocar o produto à disposição em todas as unidades, porém, a empresa preferiu realizar um teste. O projeto-piloto começou na unidade de Curitiba, no Paraná, mas deve chegar nas demais unidades mantidas pela empresa até fevereiro do próximo ano. Em média, cada casa do Grupo Wood´s vende entre 4 mil e 6 mil garrafinhas de água todos os meses. O valor do produto oscila entre R$ 4 e R$ 5 cada. 

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