Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Estilista com característica de empreendedor ganha espaço no mercado da moda atualmente

Mercado hoje exige criatividade, mas que o profissional também esteja preparado para entender do negócio

ESTADÃO PME,

09 de junho de 2014 | 07h00

Se no passado o estilista entrava no mercado por vocação e aprendia na prática, atualmente, o cenário competitivo exige um profissional cada vez mais preparado em diversas áreas. Por isso, para Amir Slama, criador da marca Rosa Chá, o estilista precisa ser empreendedor.

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“Sem querer tirar uma onda, a criação é cinco minutos. E a execução são horas ou dias. Sinto que os profissionais que chegam no mercado estão mais preparados e entendem um pouco mais a realidade do setor. Há 15 anos, a pessoa fazia faculdade de moda, saía um estilista pronto e não se sujeitava a fazer qualquer coisa”, opinou Amir, que hoje trabalha com a marca que leva seu próprio nome.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest), Roberto Davidowicz, a situação exige mesmo profissionais mais capacitados. “Moda precisa de muita paixão, mas hoje isso não é mais o único diferencial. Trata-se de um setor muito dinâmico, altamente competitivo, em constante desenvolvimento e transformação. Temos que ser muito mais profissionais e abraçar tudo que vem pela frente. A sensação é sempre que estamos atrasados ou deixamos de fazer alguma coisa”, disse.

Para equacionar esse desafio, pelo menos no caso da marca Cecilia Prado, a estilista conta com a ajuda do irmão. É Lourenço Bartholomei quem cuida do lado estratégico do negócio. “Hoje os profissionais não chegam tão crus no mercado. Antes era: vou ter um produto, uma marca legal. Hoje tem que ter tudo”, afirmou Cecilia. “Antigamente, o profissional saía da faculdade de moda e, se tinha um pouco de bom gosto e licença poética, criava uma marca. Hoje, arriscaria até dizer que mais importante do que ser um bom estilista, o empreendedor que vai abrir uma marca tem que ser um bom marqueteiro, um vendedor. A parte de criação é só a ponta do iceberg”, completou Bartholomei. 

Durante o módulo do Encontro PME que tratou sobre o mercado para estilistas, Davidowicz também defendeu a importância estratégica do setor. “O governo poderia olhar com algum foco especial para a moda. Ela pode ser e é um diferencial para alguns países”, afirmou.

Segundo o presidente da Abest, até pela necessidade de mercado, de competição e de marketing, a moda faz muito barulho. “Digo que ela faz mais barulho do que o próprio tamanho do negócio dela. Muitos outros segmentos se apropriam dela para ter visibilidade, um diferencial e até uma vantagem competitiva. O setor pode melhorar se o governo olhar e nos convidar para ter a moda como um fator competitivo.”

Amir Slama concordou. “A moda não vende só a roupa, vende atitude, lifestyle, música, vende a atitude do Brasil. Se a moda pudesse estar mais perto de uma estratégia nacional, seria uma coisa muito forte, não só para vender lá fora, mas para vender o Brasil de um jeito bacana”, concluiu. 

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