Pinner Paul/Boeing
Pinner Paul/Boeing

Estados Unidos focam na produção de drones para o fundo do mar

Marinha vem testando sistemas em busca de minas, submarinos e mesmo para lançar ataques

Christina Davenport, The Washington Post

09 de dezembro de 2016 | 05h00

À medida que os drones se tornam um elemento essencial da guerra moderna, o Pentágono pretende instalar esses robôs autônomos no fundo do mar, patrulhando seu leito, no que um oficial da marinha chamou de "rede rodoviária Eisenhower", completada com estações de serviço onde os drones podem ser recarregados.

Embora ainda em desenvolvimento, a tecnologia amadureceu nos últimos anos e poderá superar as enormes dificuldades para se operar em região submarina, ambiente bem mais severo do que o enfrentado pelos drones aéreos nos céus.

A água salgada corrói o metal e a pressão da água pode ser enorme em grandes profundidades. A comunicação fica muito limitada, de modo que os veículos precisam navegar por conta própria sem ser remotamente pilotados.

Apesar das imensas dificuldades, a Marinha vem testando e instalando novos sistemas destinados a mapear o leito do oceano em busca de minas, submarinos e mesmo para lançar ataques. Embora esses engenhos não tripulados pelo homem sejam hoje capazes de permanecer ativos durante dias ou semanas, o objetivo é criar uma rede de estações de serviço submarinas que permitam a esses veículos realizar seu trabalho durante semanas - possivelmente anos.

As autoridades militares dizem americanas dizem existe uma certa urgência porque essa área, embora com frequência ignorada, um dia poderá ser tão disputada quanto a superfície do mar, os céus e mesmo o espaço.

Enquanto Rússia e China vêm investindo em suas frotas submarinas, o Pentágono deseja se colocar numa posição de vantagem introduzindo novas tecnologias, especialmente aquelas em que humanos se unem a robôs e sistemas autônomos com altíssima capacidade.

Em 2015, a Marinha nomeou seu primeiro secretário adjunto para sistemas remotamente controlados. E o Pentágono pretende investir US$ 3 bilhões em sistemas submarinos nos próximos anos.

No mês passado a Marinha participou de um exercício que congregou várias nações, o Unmanned Warrior, nas costas da Escócia. Submarinos autônomos trabalharam em conjunto com drones aéreos para enviar informações de inteligência que são transmitidas do fundo do mar para o ar e depois para tropas em campo.

É muito cedo para dizer como o governo Trump acolherá tais planos. Mas segundo Bryan Clark, do Center for Strategic and Budgetary Assessments, os avanços nesse campo continuarão a ser prioridade para a Marinha.

Para o Pentágono, os Estados Unidos estão melhor posicionados para uma guerra submarina do que qualquer outro país, disse Bryan Clark, autor de um relatório intitulado "A era emergente na guerra submarina".

O objetivo é manter os veículos submarinos controlados remotamente a partir de submarinos tripulados ou mesmo de drones submarinos, da mesma maneira que os caças decolam de porta-aviões. Os chineses, e outros, desenvolveram sensores que podem detectar grandes submarinos tripulados, mas o Exército poderá enviar drones submarinos pequenos de difícil detecção.

Embora o projeto ainda esteja em estágio de concepção, a Marinha gostaria de, um dia, criar estações de serviços submarinas. "Um local onde abastecer os veículos, transferir dados e talvez armazenas alguns" disse Frank Herr, chefe do departamento de monitoramento de espaços de batalha da Agência de Pesquisa Naval (ONR na sigla em inglês).

O Pentágono vem testando veículos capazes de passar semanas, até meses, em operação. Nos últimos anos a Boeing desenvolveu o Echo Ranger e Echo Seeker, veículos autônomos capazes de realizar operações que duram dias. Este ano lançou o Echo Voyager, submarino autônomo com capacidade de operar durante meses e não depende de um navio de apoio como os outros. "Você não necessita de um navio de apoio, o que reduz drasticamente o custo operacional", afirmou Lance Powers, diretor da divisão Phantom Works, da Boeing. 

Este ano, a General Dynamics também fez alarde das suas propostas submarinas, ao adquirir a Bluefin Robotics, que produz diversos tipos de robôs submarinos. O seu Bluefin-21 é capaz de lançar os seus "microveículos submarinos", que chamou de SandSharks e pesam apenas sete quilos. Os SandSharks podem monitorar um litoral inimigo e subir à superfície para remeter dados para o avião que sobrevoa o local. O Bluefin-21 pode mesmo até arremeçar um tubo que vai até a superfície para lançar drones aéreos.

Embora ainda existam obstáculos enormes a serem superados, especialmente com relação à vida da bateria, a tecnologia dos veículos submarinos está mais ou menos no ponto em que estava a tecnologia dos drones na década de 1990, disse Carlo Zaffanella, vice-presidente da General Dynamics. // Tradução de Terezinha Martino

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