Escritores premiados começam a procurar os selos menores

Movimento crescente dá notoriedade e ao mesmo tempo apresenta uma série de novos desafios

VIVIAN CODOGNO, ESTADÃO PME,

25 de novembro de 2015 | 10h03

A editora Reformatório, localizada em São Paulo, recebeu uma ligação importantíssima há cerca de um ano. O cantor maranhense Zeca Baleiro entrou em contato porque desejava lançar o livro ‘A Rede Idiota e Outros Textos’ pelo selo liderado pelo empresário e também editor Marcelo Nocelli.

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Ao aceitar o desafio de publicar a obra de Zeca Baleiro, a Reformatório recebeu os originais de outros escritores conhecidos e se viu diante da possibilidade de vender em livrarias maiores e obras como ‘O Poeta e a Foca’, de Naneti Neves, a primeira jornalista a entrevistar o poeta Carlos Drummond de Andrade, hoje engrossam o faturamento da editora. 

“Não me vejo competindo com selos maiores, pois as editoras grandes se arriscam menos e deixam um gargalo no mercado. A editora pequena apostar em um bom autor é uma oportunidade para ela aparecer”, explica. 

Nos últimos meses, a Reformatório viu o número de lançamentos mensais saltar de dois para quatro e já aposta em tiragens mais elevadas para os padrões dos selos independentes, que imprimem entre 300 e 500 exemplares de cada título.

O sistema de produção, porém, continua enxuto. Marcelo é o seu próprio distribuidor e leva, pessoalmente, os exemplares para as livrarias. “Tenho a preocupação de vender livros bem cuidados. Nas editoras pequenas, os autores têm muito mais proximidade com o produto, opinam na capa, na diagramação. Ele é mais dono do livro”, defende.

O negócio do editor Tonho França deu um salto quando a editora Penalux, localizada em Guaratinguetá, começou a ser procurada por escritores contemplados por prêmios como o Jabuti, um dos principais da literatura brasileira. De dez livros ao mês, a Penalux passou, em 2015, a lançar 15 títulos e a ter faturamento médio de R$ 400 sobre cada lançamento, além da venda após esse período, da qual 10% são recolhidos em direitos autorais. 

“Temos alguns autores que já foram de editoras maiores e estão migrando para a Penalux porque encontram mais espaço. Selos grandes têm uma pegada mais comercial, menos de literatura. As pessoa vêm para cá com um objetivo mais específico”, explica. 

Por enquanto, Tonho trabalha em parceria com o sócio e também editor Wilson Gorj, mas pretende aumentar a equipe no próximo ano em decorrência da alta procura. “Estamos em uma correria, trabalhando muito. É uma jornada absurda preparar três ou quatro capas ao mesmo tempo. Não queremos essa correria, pois tira o foco de trabalho no projeto”, define o empresário.


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