Sergio Morita
Segundo Ana Vecchi, segmento deve se manter em alta neste ano Sergio Morita

Entrevista: 'O desafio de se tornar versátil'

Para Ana Vecchi, especialista em franchising, adaptar a mentalidade tradicional das empresas para uma gestão mais dinâmica e colaborativa é o objetivo

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Uma economia dinâmica pede por empresas igualmente versáteis. É isto que a consultora e especialista em franchising, Ana Vecchi, afirma ser o maior desafio para as empresas de franquia em 2019: adaptar a mentalidade tradicional do setor para mudanças mais ágeis e criar uma cultura de gestão mais colaborativa, envolvendo os franqueados nas decisões das redes.

Nesta entrevista, ela também trata das tendências dos setores, de microfanquias e do crescimento de multifranqueados.

Quais são as tendências, de uma maneira geral, para o setor de franquias neste ano? 

Definir uma nova cultura no modelo de gestão é o principal desafio, até mais do que mudança de equipamentos e de fornecedores. Na nova economia, assimétrica e disruptiva, a tecnologia vem possibilitando um crescimento exponencial, portanto é preciso haver um novo mindset (mentalidade) entre franqueador e franqueados. Esta é a realidade das startups. Fazer isso sem invadir territórios anteriormente definidos, sem ferir contratos de franquia já assinados; não ocorre da noite para o dia, mas não é impossível.

Outra tendência é que o setor de serviços deva crescer mais por ainda ser um segmento que favorece os investimentos, por não demandar grandes estoques e por ainda existir a necessidade de bons prestadores de serviços. 

O setor de alimentação também deve ampliar sua forma de atuação com fast-food casual e franquias de minicentros de distribuição com foco em delivery, por exemplo.

 

Na última pesquisa da ABF, o setor de construção apresentou crescimento de 12,9% no 1º trimestre de 2019 . O que pode ter ocasionado isso? 

Acredito ter sido, num primeiro momento, o ânimo em função de mudança de governo com o mercado reagindo positivamente, consumindo mais que nos anos anteriores. Há uma infinidade de lançamentos de empreendimentos, com os investidores apostando que esta mudança se sustente por mais tempo, melhorando ainda mais com a reforma da previdência.

O consumidor final estava carente de ser cuidado e investiu em reformas, coisas para casa. Os serviços de manutenção e limpeza estão com mercado mais aquecido também pela percepção das corporações em gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo.

Há um tendência de crescimento do número de multifranqueados? Isso é algo benéfico para o segmento de franquias?

Na verdade, não é mais uma tendência, mas já acontece há anos. É uma ótima opção para ambos os lados – franqueados e franqueadores. Tendo regras e limites claros, questões de sigilo, análise de perfil de quem vai assumir mais unidades e, criando a estrutura para administrar vários negócios de diferentes setores, tudo bem. Setores distintos não concorrem e do mesmo setor somam conhecimento. Quem não adoraria ter um franqueado com todas as marcas de uma praça de alimentação, operando com excelência todas elas e com capacidade de lidar com os clientes conforme o dia, a promoção e o perfil do shopping?

As microfranquias são associadas à falta de profissionalismo e de estrutura. Isso ainda é verdade?

As microfranquias passaram por isso que você disse. Houve uma quebradeira feia, que prejudicou muitos franqueados, mas houve também um saneamento de mercado, franqueados que compraram franqueadoras. O modelo evoluiu, assim como seus gestores, e há um comitê de microfranquias, que estuda e estrutura a forma de atuação das empresas associadas à ABF.

O que tem ocorrido é a adequação dos modelos de negócios franqueados, nos últimos anos, em função da recessão, o que possibilitou o crescimento de microfranquias com franqueadoras mais estruturadas e profissionalizadas.

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Os cuidados na hora de comprar uma franquia

Momento é de depuração do mercado e operações mal estruturadas não sobreviverão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O sonho de ser dono do seu próprio negócio permeia a cabeça de muitos brasileiros. Em épocas de crise, é comum que setores tidos como mais estáveis, como o de franquias, apareçam como alternativas seguras para investimentos. No entanto, é preciso estar atento para algumas particularidades do segmento.

Para Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise, o setor permanecerá crescendo. Porém, alerta: “Hoje, passamos por um processo de depuração. As operações mal estruturadas estão desaparecendo do mercado pela diminuição do consumo.”

Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria, diz que houve um aumento do fechamento de franquias nos últimos anos, em decorrência das microfranquias.

“Por serem franquias muito baratas, muitos dos franqueadores não se preparam de forma plena para atender a rede de franquias, e o perfil dos franqueados muitas vezes também é de pessoas mal preparadas. Isso é algo que eu acho que o sistema tem que estar atento”, afirma Ancona.

Por outro lado, ele vê postitivamente o crescimento do número de multifranqueados, sejam eles multimarcas ou dentro de um mesmo setor. Para o consultor, isso simboliza a entrada no sistema de empresários que querem criar suas próprias redes de negócios, além de grupos de investidores, o que agregaria profissionalismo para as marcas e para o próprio segmento.

 

Dicas e cuidados:

 

Investimento: Quanto dinheiro você tem disponível para investir? É essencial ter o capital necessário para isso. Não acredite que você conseguirá depois. Não comece um negócio endividado

Familiaridade: Perceba se trabalhar com determinada franquia é, realmente, o que você deseja fazer. Partir para um negócio só com a expectativa de retorno financeiro pode não dar certo

Modismos: Não entre nos modismos (paletas mexicanas, cupcakes, gelateria, por exemplo), mas busque franquias com resultados sustentáveis. Pense que, pelo menos nos próximos dez anos, você trabalhará com isso todo dia

Investigação: Não se deixe enganar pelo discurso do mercado, que deseja vender a qualquer custo. Investigar antes de investir é essencial. Desconfie dos intermediários (corretores). Eles são movidos pelas comissões de venda da franquia 

Treinamento: Pergunte sobre qual treinamento e suporte serão oferecidos. Você receberá instruções detalhadas e treinamento prático? Quais os manuais e outros materiais que você terá à sua disposição?

Circular de Oferta de Franquia: Exija a Circular de Oferta de Franquia (COF) e verifique nele a lista de todos os franqueados em operação e a lista de todos os que encerraram atividade no último ano

Converse: Analise as informações presentes na COF e converse com três a seis franqueados para checar se as informações presentes nela são verídicas

Veja os números: Olhe as planilhas de previsão de resultados (DREs - Demonstrativos de Resultados de Exercícios) e veja se os números são factíveis e se existe dinheiro para fluxo de caixa

 

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Um panorama do setor de franquias

Segmento mostra crescimento e, se bem administrado, pode ser opção para período atual

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento de franquias tem se mantido firme, apesar da crise econômica por que passa o Brasil. Dados da Associação Brasileira de Franchinsing (ABF) reforçam isso. O faturamento do setor em 2018 cresceu dentro da estimativa feita pela entidade, fechando o ano com alta nominal de 7,1% em relação ao ano anterior. A receita total do mercado de franquias saltou de R$ 163,319 bilhões para R$ 174,843 bilhões no período.

No primeiro trimestre deste ano, o mercado de franquias teve crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

“O crescimento do setor reflete também os ajustes realizados pelas redes nos últimos três anos, principalmente a busca por mais eficiência, o desenvolvimento de modelos de negócio mais enxutos e a diversificação de canais de venda, linha de produtos e consumidores”, explica André Friedheim, presidente da ABF.

Neste especial, você acompanha as tendências do mercado de franquias, qual setor tem se destacado e descobre quais os cuidados é preciso tomar antes de entrar neste mercado e dicas de especialistas para fugir de armadilhas.

A 28ª edição da ABF Franchising Expo acontece desde quarta e vai até sábado, no Expo Center Norte, Pavilhões Branco e Azul, em São Paulo. Ela reúne expositores dos mais variados setores de franquia e oferece ao público a oportunidade de conhecer um pouco mais esse modelo de negócio. Mais uma opção para se informar e ter um pouco mais de conhecimento sobre o segmento.

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Setor de alimentação vive momento de depuração

Em meio à crise e forte concorrência, cresce procura por entrega em casa

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento vive um momento de decantação. Por ser um setor de grande concorrência, a qual tende a aumentar com a diminuição de restaurantes individuais e com o aumento de redes e franquias, apenas os mais preparados e estruturados sobreviverão durante a crise econômica vivida pelo País.

Há uma tendência do brasileiro, por questões de comodidade e trabalho, buscar uma alimentação mais prática, seja ela fora de casa ou por meio de delivery (serviços de entrega). Entretanto, isso não significa uma alimentação de má qualidade. O “comfort food”, ou alimentação caseira, bem como uma comida mais saudável, são opções que têm sido procuradas.

 

“Inovação é voltar para o mais simples”, diz Rafael Ramos, diretor de marketing da Casa de Bolos. A franquia acredita que as pessoas querem fugir de comidas industrializadas buscando opções mais caseiras. Para ele, “nossa época é um divisor de águas entre os aventureiros e os mais estruturados.”

Marcelo Tristão, diretor de desenvolvimento do Bob’s, diz que a rede realizou parcerias com diversos marketplaces e que o delivery tem aumentado a demanda pelos seus produtos. 

Camila Miglhorini, CEO da Mr. Fit, acredita que a tendência é crescer a venda por aplicativos de delivery. “As pessoas estão trabalhando mais, com menos tempo para cozinhar, e querem ser práticos e ao mesmo tempo comer de forma saudável.”

Delivery divide o segmento

Apesar de a tendência de serviços de entrega (delivery) tornar-se relevante no segmento, nem todas as franquias se utilizam destes serviços da mesma forma. Para alguns, não é interessante a venda à distância, seja por estratégia de marketing ou por questões de produto.

A franquia Casa de Bolos aposta na venda em lojas especialmente por causa do “cheiro do bolo”, afirma Rafael Ramos, diretor de marketing da rede.

“Temos um aplicativo próprio de delivery, mas acreditamos mais na venda presencial e no retorno ao contato físico”, diz.

Outra franquia que trabalha muito presencialmente é a Mania de Churrasco. “O delivery de carne e hambúrguer exige uma atenção maior. Existe um estudo de embalagem, de como manter a temperatura e a carne macia. Nós acabamos de fazer uma série de pesquisas e vamos entrar em testes a partir de julho para expandir isso até o fim do ano”, afirma Marcelo Amarante, sócio-diretor da rede.

No Brasil, durante muito tempo, o aplicativo iFood dominou o mercado de entregas de alimentos em domícilio. A partir de 2016, começaram a surgir novos concorrentes, como o Uber Eats e Loggi.

Hoje, já é possível pedir comida por uma série de aplicativos, como o Rappi e Glovo, além dos que já foram anteriormente citados.

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