Entre os melhores índices da pesquisa

Entre os melhores índices da pesquisa

Escolas para funcionários ajustam cursos às demandas do mercado e conquistam boa avaliação

Nathalia Molina, Especial para o Estado

30 de julho de 2018 | 22h11

A Escolha PME 2018 mostra que pequenas e médias empresas estão atentas à capacitação dos profissionais e que aprovam o que vêm recebendo das fornecedoras do setor. Senac e Sebrae ficaram com cerca de 80 pontos. O Senai obteve 93.

Muitas pequenas e médias são fornecedoras de produtos, bens e serviços para grandes empresas. Para capacitar melhor esses profissionais, as três instituições informam que atuam próximas do segmento, para identificar tendências de mercado de modo a atualizar o portfólio que oferecem. O mundo digital, por exemplo, influencia mudanças nos cursos do Senai e no próprio posicionamento de marca do Sebrae.

Os pequenos negócios estão concentrados na região Sudeste, segundo dados do Sebrae. E têm alto nível de competitividade, ressaltam as três instituições. “Os donos de pequenos empreendimentos no Brasil estão acostumados a superar muitas adversidades, desde o desafio de acesso a crédito à pesada carga tributária, além de enfrentarem um ambiente político-econômico sujeito a mudanças”, diz Heloisa Menezes, diretora técnica do Sebrae e, no fechamento desta edição, presidente em exercício da instituição.

A formação desempenha um importante papel para sobreviver a essa realidade, e a Escolha PME 2018 mostrou que mais pequenas e médias estão usando os serviços dos centros de formação profissional. “A educação voltou a ser importante. Temos um pequeno crescimento econômico, associado a um cenário com transformações muito aceleradas, novas tecnologias e o impacto disso tudo”, explica Ricardo Terra, diretor regional em exercício do Senai-SP.

Senai fica com 93 pontos

Na hora de montar seu portfólio de produtos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) leva em conta os aspectos qualitativo e quantitativo. “O mundo ficou muito pequeno. As concorrências são internacionais. As empresas precisam saber como aumentar a competitividade com material humano (com a capacitação por meio dos cursos)”, afirma Ricardo Terra, diretor regional em exercício do Senai-SP.

Outro ponto observado pela instituição é a demanda regional por temas específicos. “A gente oferece na quantidade necessária, observa o georreferenciamento”, diz. “Isso tudo causa nos clientes a sensação de atendimento de suas necessidades”, acredita Terra. O Senai alcançou 93 pontos na categoria centro de formação profissional. É um dos mais altos índices da pesquisa 2018.

Terra conta que a instituição atua em duas frentes para atender as pequenas e médias: educação e inovação. “A gente criou um programa robusto de novas tecnologias”, diz. “Nós estamos qualificando pessoas em eficiência energética e na questão da indústria 4.0.”

As PMEs são o público-alvo do Senai. “O grande volume de empregados na indústria do Brasil está nas pequenas e médias, e não nas grandes empresas”, afirma Terra. Ele cita como exemplo a cadeia de pequenas e médias que abastece as montadoras de veículos. “Alguns painéis de carro já chegam montados.”

Terra afirma que o Senai acompanha as tendências em vários setores. “O que a gente faz historicamente é ficar antenado com as tendências globais, para trazer isso para a nossa formação. Nos setores têxtil e de vestuário, por exemplo, acompanhamos os processos construtivos, novos materiais e tendências de moda em relação a cor, materiais e aplicações”, diz. Tudo isso é transformado em programas que passam por aprimoramento. “Nossa engenharia educacional tem uma assertividade muito grande por levar em conta as competências que a pessoa deve ter (em determinada função).”

O porte das empresas não é levado em conta na composição das turmas. O foco está nas competências do profissional, que pode desempenhá-las em companhias de qualquer tamanho. O Senai afere se o conteúdo foi assimilado por meio de avaliações. “Não existe meia instalação elétrica”, brinca.

A instituição também aposta no intercâmbio de conhecimentos. É o caso dos programas para microempreendedores desenvolvidos em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “A gente propôs ao Sebrae a base de cursos que foquem nesse cenário de crise econômica. São qualificações com carga de 160 horas. A parte técnica é nossa, e a de empreendedorismo, do Sebrae.”

Fóruns levam a cursos atualizados no Senac

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) organiza fóruns dedicados a vários setores para manter atualizado seu portfólio de cursos. Nesses eventos – com a participação de empresários, professores e especialistas –, as funções de diversas ocupações são revisadas. Em 2017, a instituição realizou eventos nas áreas de saúde, gastronomia, comércio e informática.

No ano passado, o Senac atendeu cerca de 1,9 mil municípios e registrou em torno de 1,2 milhão de matrículas em educação profissional. A instituição desenvolve cursos de formação continuada e de níveis técnico ou superior, conforme as demandas regionais.

Além da vice-liderança em satisfação, o Senac ficou em segundo como objeto de desejo, citado por 12% das PMEs. Para a instituição, desejo é algo subjetivo que, do ponto de vista da educação, deve ser visto como um comprometimento com o futuro. Por isso, de acordo com o Departamento Nacional do Senac, responsável pela coordenação das políticas e das diretrizes nacionais, é “motivo de orgulho saber que um segmento empresarial tão importante para o País (as PMEs) deseja trabalhar com o Senac”.

Sobre a busca de qualidade por parte das pequenas e médias que permeia a pesquisa, o Senac acredita que, assim como as empresas investem na qualificação dos empregados, fazem isso para gestores e que, qualificados, eles tomam decisões mais conscientes.

Nessa categoria também se observa o aumento da busca por cursos relevantes. Serviços são o principal critério de escolha, segundo 66% das PMEs. Dessas, 61% valorizam o portfólio de produtos e 56%, a boa qualidade.

Sebrae foca no mercado digital

O mercado digital norteia as mudanças no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O objetivo é aumentar a agilidade e a capacidade de atendimento e relacionamento com os clientes a custos menores, explica Heloisa Menezes que, no fechamento desta edição, atuava como presidente em exercício. 

“O Sebrae está passando por um profundo e intenso processo de transformação digital. A instituição adotou uma estratégia omnichannel, que busca a entrega de uma nova experiência de consumo centrada no cliente, completa e sem barreiras entre os vários canais online e offline”, conta Heloisa. “O Sebrae deixa de ser uma empresa convencional para virar uma plataforma de serviços e negócios no mercado digital.”

Em terceiro lugar na categoria, o Sebrae ficou em primeiro em objeto de desejo. Com um portfólio de produtos e serviços focado em pequenos negócios, a instituição trabalha para reposicionar sua marca, “com foco no Empreendedorismo que Transforma”.

Heloísa diz que a estratégia é desenvolver ações de conteúdo que reúnam histórias reais e que reflitam o empreendedorismo como fator de mudança. “Isso na vida das pessoas, nas comunidades, nas cidades e na economia, contribuindo para impulsionar o desenvolvimento do Brasil”, afirma.

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