Emilio Quilici aposta em nova proposta de negócio
Emilio Quilici aposta em nova proposta de negócio

Engenheiro investe em suplemento nutricional personalizado

Mercado movimentou R$ 1,2 bilhão em 2014 e deve crescer 15% mesmo na crise

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de outubro de 2015 | 07h15

O cenário macroeconômico pode estar complicado e desanimador, mas o engenheiro químico Emilio Quilici enxergou uma oportunidade para empreender no mercado de suplementos nutricionais. Mas para enfrentar a concorrência, o empresário buscou se diferenciar com a venda de produtos personalizados pela internet e investiu R$ 250 mil para criar a empresa que leva seu nome.

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Quilici entra em um mercado que tem previsão de crescer 15% em 2015 em comparação ao ano passado, quando movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo dados da associação do setor, a Brasnutri. De acordo com o presidente da entidade, Synésio Batista da Costa, a expectativa otimista está relacionada com a preocupação estética. "É um grande movimento e o consumidor passa por um processo de amadurecimento incrível em relação ao culto ao corpo e prática de esportes", afirma.

Ele estima que os atletas são responsáveis por 25% das compras do segmento - o restante é composto por pessoas comuns, que praticam exercícios, gostam de caminhar, ir à academia e querem emagrecer. O presidente da Brasnutri ainda aponta que 20% dos produtos vendidos são importados e 80% fabricados no Brasil.

É nessa disputa que Emilio Quilici vai entrar. Com experiência de 20 anos na área, o engenheiro enxergou um espaço para oferecer um produto personalizado e espera alcançar receita líquida de R$ 5,5 milhões em cinco anos. A empresa vende uma linha padrão, com produtos já prontos, como whey concentrado e cafeína, mas seu diferencial será a linha de itens feita sob medida, elaborada mediante prescrição de um profissional da área da saúde.

O consumidor pode enviar a receita pela internet para fazer a cotação e também comprar o produto. "De comum acordo resolvi sair de uma sociedade e me peguei naquela situação: o que vou fazer da vida? Com experiência em produtos para atletas, eu resolvi investir na área, mas queria fugir do que já existe, dessa coisa de vender em loja. O foco não é só o cara de academia, mas quem pratica esportes de um modo geral", explica Quilici.

O site entrou no ar na semana passada e também vai cadastrar representantes para ajudar a divulgar a proposta da marca. Os produtos personalizados serão feitos em uma farmácia de manipulação parceira. "Com o produto sendo manipulado, podemos usar associações e ativos que dentro da indústria não seria possível. Não vamos ter estoque", diz Quilici, que mantém uma estrutura enxuta, com escritório na sua casa em Vinhedo. "A ideia é reduzir custos. Não quero ter despesas fixas altas", disse.

Quem já atua no setor também está otimista apesar do cenário de retração. "Agora é um momento complicado para todos os setores. Mas se olharmos com mais atenção, vemos que a curva do mercado de suplementos é sempre crescente e a penetração desse tipo de produto ainda é baixa, na ordem de 6%, 7%. Isso só vai crescer", afirma Filipe Bragança, presidente da Integralmédica, empresa com mais de 30 anos no mercado e com previsão de faturar R$ 175 milhões este ano.

De acordo com o empresário, que é filho do fundador, esse cenário de incerteza política e econômica não ajuda a fazer qualquer previsão. "Existe uma crise de confiança. Se o consumidor não sabe o que vai acontecer, ele não vai trocar de carro, não vai investir em uma reforma. Com o empresário é parecido. Acabamos trabalhando em modo de segurança e toda cadeia acaba sofrendo", afirma.

A empresa, porém, diz que se antecipou ao período de crise. Em março de 2014, a Integralmédica estabeleceu um plano de ação com dois níveis: um mais moderado e outro para um cenário pior. E trabalhou com o mais desastroso. "Fizemos um plano de reestruturação, diminuímos a empresa, demitimos alguns funcionários. Veio a Copa e passamos por essa fase com a lição de casa feita", conta. Para aumentar a receita, o empreendimento investiu em ações de resultado no curto prazo e não parou de investir em novos produtos.

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