Clayton Souza/Estadão
Clayton Souza/Estadão

Empresas investem em serviços de entregas feitas por ciclistas

Empreendimento faz de 30 a 40 entregas por dia e até recusa serviços em dias de muita procura

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de março de 2013 | 06h24

 Em um mercado dominado pelos motoboys, os serviços de entregas que usam bicicletas mostram-se competitivos em distâncias pequenas e aparecem também como alternativa menos poluente. A Giro Courier, por exemplo, faz de 30 a 40 entregas por dia e até recusa serviços em dias de muita procura.

O empreendimento foi idealizado pelos amigos Paulo Zapella, Thiago Nakano e Daniel Chu em setembro de 2011. “Eu trabalhava com design em uma agência e usava a bicicleta como meio de transporte, por isso, enxerguei uma brecha no mercado e abri a Giro com meus amigos”, conta Zapella.

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A Giro está localizada no Ciclo Vila – um espaço na Vila Olímpia onde funcionam alguns negócios especializados em atender quem anda de bicicleta. O investimento necessário para abrir o negócio foi de R$ 20 mil e atualmente o faturamento do mês oscila entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.

“A bicicleta é uma solução para os problemas da cidade”, afirma Zapella, que tem oito entregadores, mas quando há necessidade, também pega sua própria bike para atender os clientes.

Um dos grandes desafios dessas empresas é contratar mão de obra. Saber andar de bicicleta não basta. É preciso conhecer a cidade, ter noções de mecânica e condicionamento físico. Atento à qualificação dos funcionários, os irmãos Rafael e Danilo Mambretti, da Carbono Zero, formataram uma oficina de formação do ciclista-entregador. Todos os empregados fazem o curso, que inclui ensinamentos sobre cidadania, alimentação e legislação.

“Criamos a oficina para evitar o que acontece hoje com o motoboy, que carrega um estigma negativo. Temos a preocupação em formar o cidadão”, pontua Rafael, que abriu a empresa com investimento inicial de R$ 50 mil em novembro de 2010.

No início, as entregas eram feitas por apenas dois ciclistas. Hoje, são 18 profissionais e uma média de 40 entregas feitas todos os dias. Em 2012, a empresa faturou R$ 400 mil e espera dobrar esse valor em 2013.

De acordo com Rafael, a bicicleta compete com a motocicleta em uma distância de até 20 quilômetros. “Dentro do centro expandido, a bicicleta é extremamente competitiva em tempo, agilidade, eficiência e custo. Além disso, meu serviço agrega valor”, destaca.

Além do ato de empreender, a Carbono Zero despertou o interesse de Rafael pela bike como transporte. O seu carro já ficava na garagem e ele tinha comprado uma moto para enfrentar o trânsito de São Paulo.

Com o uso da bicicleta, Rafael vendeu os dois, carro e moto. “A bicicleta é um meio de transporte mais eficiente e barato. Sou um exemplo do momento que São Paulo está vivendo. Minha rotina melhorou e hoje 99% das minhas atividades são feitas de bicicleta”, relata Rafael.

Delivery

O empresário Salvador Ferreira de Almeida não tem uma empresa de serviços de entrega de bicicletas, mas utiliza a solução em seu restaurante de comida saudável, o Be Fresh. “O serviço está alinhado ao conceito de restaurante”, explica.

A ideia inicial era adotar só os ciclistas, mas para as entregas mais distantes e as feitas durante à noite, o empresário preferiu as motocicletas. Por isso, a equipe é composta por sete ciclistas e cinco motoboys, que fazem uma média de 150 viagens por dia. As entregas respondem por 54% do faturamento.

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