Adriano Faleiros/AE
Adriano Faleiros/AE

Empresas empreendedoras geram mais da metade dos empregos

Levantamento Estatísticas do Empreendedorismo foram divulgadas hoje pelo IBGE

daniel amorim, agência estado,

31 de agosto de 2011 | 10h07

Embora minoritárias, as empresas consideradas empreendedoras mostraram-se de grande importância para a geração de empregos no País, segundo o levantamento Estatísticas do Empreendedorismo, referente a 2008, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As 30.954 empresas brasileiras de alto crescimento foram responsáveis pela geração de 2,9 milhões de novos postos de trabalho entre 2005 e 2008, 57,4% das 4,9 milhões de vagas formais criadas no período. "É por isso que as empresas empreendedoras são importantes, porque são grandes geradoras de empregos", disse Cristiano dos Santos, analista do IBGE e responsável pela pesquisa.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

O levantamento considera como empresas empreendedoras, ou de alto crescimento, as que têm dez ou mais pessoas ocupadas no ano inicial de observação e apresentam expansão média do pessoal ocupado assalariado maior que 20% ao ano, por um período de três anos, de acordo com os critérios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em 2008, das 371.610 empresas brasileiras ativas com dez ou mais pessoas ocupadas assalariadas, apenas 8,3% puderam ser classificadas como empresas de alto crescimento, sendo 12.359 delas consideradas empresas gazelas, ou seja, com até cinco anos de idade no ano inicial de observação.

Apesar de pequeno, o porcentual coloca o Brasil entre os países com mais alto nível de empresas com características empreendedoras, segundo um ranking da OCDE, publicado em 2009. Apenas Bulgária, Letônia e Eslováquia tinham taxas de empresas de alto crescimento maiores que o Brasil, que estava no mesmo nível de países como Estados Unidos e Israel.

A importância dessas empresas em termos de geração de emprego é sentida, sobretudo, na região Norte, onde 19,9% da força de trabalho assalariada, ou um em cada cinco empregados formais, estavam nas companhias empreendedoras. O mesmo foi verificado no Nordeste, onde o porcentual da massa assalariada nas companhias empreendedoras ficou em 18,4%. "O Norte e o Nordeste estão crescendo muito, e essa participação das empresas empreendedoras no emprego assalariado mostra o

papel delas no desenvolvimento da região", disse Santos.

::: LEIA TAMBÉM :::

:: Pastel da Maria vai abrir 200 franquias ::

:: A corrida dos shoppings no interior do País ::

:: Simples Nacional: medidas passam a valer em 2012 ::

Entre os estados, as empresas de alto crescimento do Maranhão são as que têm maior peso no mercado de trabalho: 25,3% dos trabalhadores assalariados maranhenses, um em cada quatro, estavam em empresas empreendedoras em 2008. Roraima aparece em segundo lugar, com um porcentual de 22,7%. "No ranking de estados com maior importância das empresas de alto crescimento no mercado de trabalho, do primeiro ao nono lugar, só apareceram estados do Norte e Nordeste. São Paulo ocupou a décima posição", ressaltou o técnico do IBGE.

O Sudeste teve a maior participação (53,6%) na distribuição das empresas de alto crescimento brasileiras, seguido pela região Sul (19,6%) e pelo Nordeste (14,8%). O Sudeste lidera também na proporção de pessoal ocupado assalariado nas empresas empreendedoras do País (56,1%), seguido, neste caso, pelo Nordeste (16,4%) e pelo Sul (16,2%). "A inversão de papeis entre o Sul e o Nordeste, com o segundo tomando a frente do primeiro na ocupação nas empresas empreendedoras, mostra um movimento interessante: o Nordeste se desenvolvendo", disse a técnica do IBGE Denise Guichard, também responsável pelo estudo.

Mais da metade das empresas de alto crescimento contabilizadas no estudo (51,6%) eram de pequeno porte (com de 10 a 49 pessoas ocupadas), 39,0% eram médias (de 50 a 249 pessoas) e 9,3% eram grandes (250 ou mais pessoas). As empresas empreendedoras aparecem espalhadas em todos os setores, ainda que sua distribuição não ocorra de maneira uniforme. O setor da Construção Civil figura como a principal atividade, com 2,9% de empresas de alto crescimento, seguido de Indústria (2,1%), Serviços (0,7%) e Comércio (0,4%). Os demais setores, juntos, registraram 0,9% de taxa de empresas de alto crescimento.

As empresas de alto crescimento também têm um peso maior dentro da Construção Civil, onde representam 15,9% do total de empresas com dez ou mais pessoas ocupadas, muito acima da média total (8,3%). Ainda na Construção, 37,0% da receita líquida concentra-se nas empresas de alto crescimento. Nos Serviços, esse porcentual é de 22,4%; na Indústria, de 18,4%; e no Comércio, de 14,4%.

Tudo o que sabemos sobre:
empreendedorismoIBGEestudoempregos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.