Reprodução
Reprodução

Empresas do interior da Alemanha exportam instrumentos musicais pelo mundo há 400 anos

Saiba como 113 pequenos negócios se mantém prósperos em um setor de alta concorrência desde o século 17

Estadão PME,

23 de março de 2013 | 14h00

Uma pequena cidade alemã de nome difícil de pronunciar, bem perto da fronteira com a República Checa, é um exemplo impressionante de como pequenas empresas organizadas transformam o peso da tradição em uma próspera cadeia de negócios, capaz de se manter em evidência mundial há cerca de 400 anos.

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

A história se desenvolve na pacata Markneukirchen, que reúne 113 empresas envolvidas na confecção de instrumentos musicais, como violinos, cítaras, clarinetes e trombones, assim como seus acessórios.  O local foi destaque em uma reportagem publicada pelo canal de empreendedorismo da BBC, o BBC Running a Business (acompanhe aqui a reportagem original, em inglês).

Quase a totalidade das empresas são familiares. E operam um sistema de produção inteiramente artesanal, com a mesma dinâmica e rituais lançados no início dessa proliferação empreendedora, no século 17, quando um grupo de protestantes, incluindo alguns mestres em produção de instrumentos musicais, chegou à cidade fugindo da perseguição religiosa de que era alvo.

De lá para cá, o método tem sido transmitido sucessivamente de pai para filho. E assim, por volta de 1900, 80% dos instrumentos musicais que circulavam pelo mundo tinha como destino as fábricas locais.

Mas tamanha tradição não quer dizer que a comunidade tenha, literalmente, parado no tempo. Isso porque as novas gerações, apesar de conservadoras quanto à fabricação, empregam conceitos avançados de comercialização e marketing, com direto a domínio de e-commerce e de canais internacionais de distribuição e comercialização.

Exatamente por isso, as pequenas empresas de Markneukirchen não demonstram preocupação com o avanço dos chineses no cenário de competição global, motivo de dor de cabeça entre fabricantes mundo afora.

"Nós sobrevivemos porque fazemos instrumentos especiais para pessoas especiais", conta Kerstin Voigt, a nona geração à frente de uma fábrica de trombones.

"A China não é um problema para mim. China tem preços baixos e qualidade baixa. Tem também qualidade alta, mas os preços também são altos. E os músicos chineses querem instrumentos europeus", afirma Bjorn Stoll, que produz contrabaixos.

::: Leia também:::

:: Fabricante de instrumentos com 112 anos conta como sobrevive aos importados ::

:: Setor musical precisa afinar a gestão para continuar a crescer e movimentar R$ 1 bi ::

:: O que três músicos de sucesso fazem quando precisam comprar seus intrumentos ::

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.