Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Empresas de ‘pick up point’ preveem 6 mil novos pontos este ano

Modelo de negócio evita problema com portarias de prédios e entrega encomendas em parceria com pontos comerciais

Mateus Apud, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2019 | 06h00

Custo elevado de frete, demora na entrega e endereços sem portaria para receber encomendas têm levado empreendedores a impulsionar o modelo de entrega “pick up point” (ponto de retirada). Duas das principais empresas da modalidade que atuam em São Paulo, a Jadlog e a Pegaki preveem expansão ainda neste ano que deve somar pelo menos 5.900 novos pontos em cidades pelo País.

Pelo modelo, no e-commerce o cliente deve optar pelo tipo de entrega em “pick up point” e escolher o ponto mais próximo de sua casa, de acordo com a empresa parceira do e-commerce. Os pontos credenciados podem ser qualquer tipo de comércio que atendam a pré-requisitos das empresas, e vão de padarias a farmácias, que “alugam” espaço ocioso, guardando e gerenciando as encomendas.

“O modelo tende a beneficiar todo mundo: o e-commerce, o ponto parceiro e o cliente. E é uma tendência para o futuro do e-commerce, principalmente para quem tem um tíquete médio mais baixo”, avalia o professor de administração da FAAP José Sarkis Arakelian.

Com mais de 2.500 pontos espalhados pelo Brasil, a Jadlog quer atingir 6 mil pontos em mais de 500 cidades até o fim do ano. Há mais de 15 anos no mercado de frete fracionado (com cargas de até 30 kg), a Jadlog importou a solução “pick up point” do DPD Group, que adquiriu 60% da Jadlog em 2017. Considerado o segundo maior grupo de distribuição na Europa, o DPD possui 42 mil “pick up points” em ao menos 27 países. Com essa junção no Brasil, a Jadlog investiu R$ 20 milhões em seu negócio no ano passado, parte disso no sistema “pick up point”.

O presidente da Jadlog, Bruno Tortorello, aponta que uma das vantagens para todos os lados do negócio são os custos reduzidos. “Em média, sai até 30% mais barato esse modelo de entrega do que levar em domicílio. O ponto parceiro se beneficia também, pois ganha um percentual pela gestão da encomenda e ainda ganha com o fluxo em seu estabelecimento.” 

Com mais de 50% da sua base de clientes sendo varejistas online, a Jadlog informa que 60% destes são representados por pequenas e médias empresas.

Já a Pegaki, fundada em 2016, conta com mais de 600 pontos em mais de 10 capitais brasileiras. Agora, está em fase final de negociação com investidores para chegar a 3.000 pontos até o fim deste ano. 

Diferentemente da Jadlog, que oferece transporte da mercadoria desde o depósito do lojista até o ponto de retirada, a Pegaki apenas oferece os pontos. O CEO da Pegaki, João Cristofolini, defende que, assim, o empreendedor tem autonomia para decidir qual meio é mais vantajoso para ele.

Pesquisa de 2019 realizada com empreendedores pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) mostra que é grande a insatisfação com o serviço dos Correios: 30,9% consideram o serviço ruim ou péssimo.

Para o gestor do Comitê de Tax da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), Leonardo Melo, o modelo “pick up point” tem potencial para crescer. “Os empreendedores aqui ficam com medo e têm dúvidas sobre o funcionamento. Ainda não vingou mais por uma questão de desconhecimento. Na Europa, dados apontam que as vendas do e-commerce que aderem à solução crescem 25%.”

A Banner Já, e-commerce especializado em banners, faixas, painéis e adesivos, aderiu ao modelo no fim de 2017 e hoje, conta o empreendedor Sven Alexander, a solução é responsável por 60% de suas entregas. Para Alexander, as vendas cresceram e o feedback dos clientes tem sido positivo, com elogios à conveniência e à praticidade na retirada das encomendas.

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES. 

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