Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Empresas apostam na vaidade masculina e investem em comércio eletrônico de cosméticos

Pequenos empresários criam sites para venda de produtos específicos e começam a ganhar espaço no segmento

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

01 de maio de 2014 | 07h01

O uso de cosméticos por homens aumenta a cada ano. Estima-se que o consumo masculino tenha sido acima de R$ 9 bilhões no Brasil em 2013, de acordo com projeção da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). E o mercado faz brilhar os olhos de empreendedores que apostam no comércio eletrônico para esse público, especialmente no que diz respeito ao 'premium'.

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Mas o que eles têm em comum além do segmento no qual atuam? Alguns começaram o negócio como um projeto de faculdade. Esse foi o caso dos publicitários Christoph Mayer-Loos e Amanda Sergio, que se uniram para criar, neste ano, a Shop4Men, empresa com base em São Paulo. Trata-se de um e-commerce de cosméticos e produtos de higiene pessoal masculinos que oferece cerca de 500 produtos de aproximadamente 30 marcas.

 

"Além de desenvolver uma plataforma em que o homem encontra tudo num local só, oferecemos produtos 'premium', top de mercado", afirma Christoph. Os empresários contaram com auxílio de um investidor-anjo, que desembolsou em torno de R$ 100 mil para viabilizar o início do empreendimento.

A operação do site começou em janeiro e o resultado tem agradado. "Os homens estão comprando uma variedade grande de itens. Fiquei surpreso com o sucesso de alguns produtos, como um corretivo facial", conta o empresário.

Essa nova empresa espera faturar bem neste segmento, de R$ 200 mil a R$ 300 mil mensais, pelo menos, até o final deste ano.

Outra iniciativa paulistana que também nasceu na universidade é a Men's Market. O negócio fatura alto. "R$ 2 milhões em 2013 e neste ano pretendemos mais do que dobrar esse número, poderemos chegar a R$ 7 milhões", revela Pedro Pellwitz, que é sócio-proprietário do site junto com Lucas Amoroso de Lima.

Formado em direito, Pedro trabalhava em um escritório de advocacia, e Lucas, administrador de empresas, era funcionário de um fundo de investimentos, mas eles trocaram suas atividades por uma oportunidade de empreender.

O e-commerce que eles criaram vende mais de 1,5 mil tipos de produtos e o desembolso médio do cliente é de R$ 180. A empresa abriu as portas em 2012, recebeu apoio de 12 investidores-anjos, que totalizaram aportes de R$ 500 mil. Eles ainda receberam mais R$ 3 milhões do holandês Kees Koolen, um dos responsáveis pelo sucesso da Book.com, um dos maiores e-commerces em atividade atualmente.

Em Copacabana, no Rio de Janeiro, dois colegas também de academia transformaram o trabalho de conclusão de curso da faculdade em outro comércio eletrônico de cosméticos masculinos. Eles também contaram com aporte de um investidor para viabilizar o negócio.

A Derman começou a funcionar em outubro de 2013 e o investimento inicial na proposta totalizou R$ 81 mil.

Essa empresa carioca trabalha com seis marcas, que, segundo o sócio Rick de Abreu, trazem produtos de alto valor agregado. "Queremos atender um público de classe alta, com itens que não são encontrados facilmente em farmácias e supermercados", afirma.

O faturamento obtido a cada semana pelo empreendimento tem ficado entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. "Em fevereiro, fizemos uma campanha online de carnaval com foco em protetores solares e essa iniciativa fez aumentar o nosso faturamento, que foi de R$ 27 mil", conta o empreendedor.

Para diferenciar-se da concorrência, cada vez maior no segmento, a empresa aposta na agilidade – a entrega é feita no mesmo dia para os pedidos feitos até as 14h apenas na cidade do Rio de Janeiro. "Nós trabalhamos com uma equipe de motoqueiros própria", explica o empreendedor.

Análise. Oferecer um caminho de compras para itens masculinos pode ser um negócio promissor. Esse segmento representa perto de 10% do mercado brasileiro de cosméticos, segundo a Abihpec. O faturamento estimado no ano passado foi de R$ 9,7 bilhões no Brasil. Em 2002, não chegou a R$ 2 bilhões. E esse crescimento deve continuar. A associação projeta para esse nicho um faturamento de R$ 17,3 bilhões em 2017.

Na opinião de Jailson Melo, professor dos cursos de Visagismo e Terapia Capilar e de Estética e Cosmética da Universidade Anhembi Morumbi, há um campo enorme para o empreendedor interessado em atuar. "O homem tem buscado por meio da beleza estabelecer uma identidade e tem consumido mais produtos e serviços, como limpeza de pele, de sobrancelhas e até mesmo depilação a laser", afirma o professor.

Segundo ele, oferecer itens especiais pela internet pode ser um bom negócio. "Quando o homem encontra uma solução para um problema, como uma pele com acne, se torna fiel, até mais que uma mulher", conclui.

 

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