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Empresas agora vendem a experiência de dirigir um veículo esportivo por alguns quilômetros

Pequenas negócios de São Paulo oferecem serviço já consolidado no exterior

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

12 de novembro de 2013 | 06h50

Quem sonha comprar uma Ferrari, um Porsche ou Corvette, mas não tem dinheiro suficiente, pode ao menos pagar um valor bem menor para pilotar os superesportivos por alguns quilômetros. Esse é o serviço oferecido por duas pequenas empresas de São Paulo, que 'importaram' o modelo de negócio já consolidado nos Estados Unidos e Europa de vender a experiência de dirigir o carro dos sonhos.

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O empresário Rodrigo Camargo Penteado sempre teve vontade de trabalhar com carros, uma de suas paixões. Dono de um buffet, ele viajou com um amigo para Alemanha, onde passou 15 dias a bordo de um Porsche. A experiência automobilística bastou para Penteado, que voltou ao Brasil inspirado a empreender no ramo e convidou Thomas Michael Liess, hoje seu sócio, para abrir a Drive4Fun. O negócio começou no ano passado.

Uma Ferrari F355 Berlinetta e um Porsche 911 Carrera são os principais atrativos da empresa - o cliente pode dirigir o Porshe, por exemplo, por 24 quilômetros por R$ 600. De acordo com a empresa, os percursos são feitos nos fins de semana na Rodovia dos Bandeirantes e 95% dos passeios são comprados por mulheres para presentear maridos, namorados, pais e irmãos.

"Entre 15% e 20% dos nossos clientes até têm potencial para comprar um carro esportivo, mas não é prioridade. O restante tem o sonho de dirigir um carro como a Ferrari, mas não têm condições financeiras", afirma Penteado, que fatura R$ 50 mil, em média, por mês. Os passeios respondem por 50% do faturamento. A outra metade vem de eventos, como ações que pretendem incentivar os funcionários de uma determinada empresa.

Um dos desafios citados por Penteado está relacionado ao seguro para esse tipo de serviço. A empresa tem um projeto para montar um portfólio de carros para as pessoas alugarem nos fins de semana. "Nosso maior desafio é conseguir fazer seguro. Não tem seguro para esse tipo de negócio, para deixar o carro na mão da pessoa. Por isso, hoje, todos os nossos passeios são acompanhados de instrutor", diz.

O pequeno negócio administrado por Penteado e o sócio também vai cuidar das ações de marketing do Salão do Automóvel, que terá como slogan: 'Entre o sonho e a realidade, fique com os dois'. Uma das ações previstas será feita em parceria com a rede de churrascarias Fogo de Chão. Em vez de pegar seu carro na hora da saída do restaurante, um cliente escolhido aleatoriamente poderá dar uma volta em uma Ferrari.

Popularização. No Clube T2A, o proprietário Thiago Andrews Alvarez chama o serviço de passeio dos sonhos. "É uma forma de popularizar o serviço", diz Alvarez, que resolveu criar a empresa após uma viagem aos Estados Unidos, onde alugou uma Lamborghini para dirigir na pista.

Entre os modelos disponíveis estão um Camaro SS, um Ford Mustang V6 Coupe, um Corvette C6 e o Mercedes SLK 200. O passeio mais barato custa R$ 263,71 e dá direito a dirigir o Mercedes por dez quilômetros. "O nosso maior desafio é as pessoas entenderem o conceito", afirma Alvarez, que pretende investir R$ 500 mil no ano que vem para aumentar a frota de carros da empresa. O negócio realiza entre 30 e 50 passeios por mês e registra faturamento médio mensal de R$ 20 mil só com esse tipo de serviço - a maior parte do faturamento ainda vem do aluguel dos carros para eventos.

Potencial. Na avaliação de Renato Santos, consultor e especialista em empreendedorismo, as empresas citadas estão na ponta da lança de uma tendência que está se consolidando: a evolução de transações para interações. "Estamos indo para uma fase de interações, em que o cliente está muito mais próximo da empresa. Mas essa interação precisa ter uma experiência que surpreenda o consumidor", destaca.

A recomendação para os empreendedores da área é não pensar apenas na experiência de guiar o carro, mas buscar atender todos os sentidos do consumidor - desde a venda do pacote até a recordação que ele vai guardar da compra do serviço.

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