Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Empresários deixam a vergonha de lado e apontam falhas na condução de seus negócios

Até os empreendedores bem-sucedidos erram. Conheça a história de alguns

Estadão PME,

02 de janeiro de 2015 | 07h05

Erros como não escolher o ponto comercial mais indicado, fazer grandes investimentos em épocas de retração ou falta de formalização no início do negócio são comuns para empresários que começam de forma pequena, muitas vezes até familiar. Na maioria dos casos, são falhas contornáveis e até reversíveis, mas que podem ser evitadas. Ao longo de 2014, empresários de sucesso falaram ao Estadão PME sobre aquilo que teriam feito de diferente em seus negócios. Confira a seguir.

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Roberto Bielawski, proprietário da rede de restaurantes Ráscal

À frente de um negócio que atende cerca de 2 milhões de pessoas por ano, o empresário começou com um quiosque de 50 metros quadrados no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, para conseguir uma renda adicional depois da graduação em economia.

Apesar do sucesso, Roberto pondera que já fechou mais de dez restaurantes por errar no endereço de instalação. “Não identifiquei que o meu cliente não estava lá. Isso aconteceu e pode voltar a acontecer. Mas estamos prestando muita atenção porque custa caro. Quando dá errado você tem que dar a volta por cima. Se não tem movimento, assumo o erro, contabilizo o prejuízo e vou para o próximo.”

Luiz Flores Carrera, do fabricante de calçados CNS

No início do seu negócio, Carrera não se importava em andar 20 quilômetros por dia para vender calçados, até começar a abrir lojas e nunca mais parar de ganhar dinheiro. Hoje, a rede CNS tem 59 lojas, todas próprias.

Na opinião do empresário, um erro foi comprar um apartamento em vez de investir em uma loja no Shopping Center Norte quando os valores estavam baixos. Já em relação ao grupo, os filhos investiram em uma nova marca chamada Basko, que não teve boa aceitação e durou um ano e meio.

Família Bazzo, da Cotiplás

Os irmãos Luiz Antonio Bazzo Júnior e os gêmeos Carlos Alberto e Paulo Roberto Bazzo construíram uma das maiores empresas do setor de brinquedos no Brasil, fundada em 1982. Atualmente, a produção média da empresa gira em torno de 5 milhões de peças por ano.

O trio não aponta um erro que prejudicou a trajetória da empresa. Eles afirmam que os erros são raros, mas acontecem no cotidiano de qualquer negócio. Ocorreu um vacilo, por exemplo, no custo de um produto, mas que acabou sendo encoberto pelos acertos no lançamento.

Benildo Saba, da Kimonos Dragão

Adquirida por Benildo Saba faz muito tempo, a Kimonos Dragão hoje fatura R$ 3 milhões anualmente. “A gente dormia, comia e sonhava judô”. Foi essa a justificativa que o empresário Benildo Saba deu ao ser questionado sobre o que o levou a comprar uma marca de quimonos há 40 anos e montar a Kimonos Dragão.

Uma falha assumida pelo administrador da empresa, Fulvio Saba, é a falta de formalização dos contratos de patrocínios de atletas, corrigida no ano passado. E foi em uma dessas situações que um atleta patrocinado não disputou duas lutas com o quimono da marca, conforme havia sido combinado anteriormente. “Liguei e ele respondeu: esqueci. O que eu vou falar?”, contou Fulvio.

Giovanni Momo, fundador da pizzaria 1900

O empresário Giovanni Momo inaugurou sua primeira pizzaria em 1983 com a ajuda da mulher Katia e da sogra Dima. Atualmente, o filho Erik comanda as sete unidades de uma rede que fatura R$ 21 milhões, tem 420 funcionários e vende em média 700 pizzas por dia.

Erik lembra que ocorreram diversos erros na história da empresa, mas ele acredita que um deles, já corrigido, foi não planejar o futuro da 1900. "Só depois começamos a pensar em como seria o negócio. Hoje estamos mais preparados para o futuro", conta Erik.

Rodrigo Oliveira, chef do restaurante Mocotó

O Mocotó é hoje um dos restaurantes mais prestigiados do Brasil, reconhecido internacionalmente sem nunca ter saído do lugar onde foi fundado, a Vila Medeiros, zona norte de São Paulo. Ao receber seus clientes na área afastada do centro da cidade, Rodrigo brinca: “Fez boa viagem?”.

“Fizemos reformas sem a ajuda de um profissional e os resultados ficaram sempre aquém do planejado”, lembra o empreendedor apontando um erro que não repetiria. “Aprendemos bastante e os custos foram maiores do que o necessário. Em uma dessas reformas, tivemos, por exemplo, um vazamento que fez o salão inteiro ficar com 2 centímetros de água em plena sexta-feira à noite.”

Alberto Foroni, fabricante de materiais escolares

Em 1924, o casal de imigrantes italianos Primo e Yolanda Foroni deu início a uma pequena fabricação de cadernetas em São Paulo. Agora, 90 anos depois, o negócio continua na família e produz cerca de 150 mil cadernos por dia.  Quem ocupa hoje a presidência da Foroni é o filho do casal, Alberto, com 76 anos.

Alberto não lembra de um grande erro que tenha comprometido a trajetória da empresa familiar. “Às vezes acontecem coisas pequenas que acabam não comprometendo tanto, como um equipamento que não funcionou ou um licenciamento que não vendeu muito. Foram coisas pontuais", reflete.

Dona Felicidade, dona do restaurante que leva seu nome

Felicidade nunca gostou muito de seu nome, mas hoje, aos 89 anos, a empreendedora está sempre sorrindo no restaurante que foi batizado em sua homenagem. Com 18 anos, o estabelecimento atende uma média de 4 mil pessoas por mês em São Paulo. Ao servir pratos simples, mas que prezam pela qualidade, o local vende 500 feijoadas e 350 quilos de bacalhau por mês.

Mãe e filhos não apontaram um erro que comprometeu gravemente o negócio e reiteram que sempre tiveram o pé no chão e agiram com cautela. "Demos umas cabeçadas, não acertamos tudo. Tivemos erros de percurso que foram corrigidos na rota, nada que prejudicasse. Conforme eles foram acontecendo, nós fomos acertando", afirma Toninho, um dos filhos de Felicidade.

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