Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Empresários apostam em agência de viagens virtual e faturam R$ 200 milhões em 2011

ViajaNet chama atenção pelo rápido crescimento e por apostar nas classes mais baixas: C e D

CRIS OLIVETTE, OPORTUNIDADES,

09 de abril de 2012 | 08h10

 Os sócios Alex Todres e Bob Rossato se conheceram há seis anos, trabalhando na Decolar - agência de viagens online. Em 2007, os dois foram para o Banco Panamericano implantar uma área de viagens. “Após dois anos, com a crise enfrentada pelo banco, tudo ficou muito desgastado e decidimos montar nossa agência.” Em seis meses, os sócios desenvolveram a área tecnológica do site e contrataram o pessoal.

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“Em novembro de 2009, colocamos no ar o site ViajaNet, focando as classes C e D.” Após dois anos de operação, os resultados superaram as expectativas. “Fechamos 2010 com R$ 55 milhões de faturamento, o que atraiu a tenção de investidores”, diz Todres. Após receber aporte de dois grupos estrangeiros, a agência aprimorou suas ferramentas e ampliou a equipe, o que contribui para fechar 2011 faturando R$ 200 milhões.

“Quando montamos o negócio, tínhamos claro que o mercado vinha crescendo, mas com poucos players operando, porque esse negócio é bastante complexo, demanda muito capital e muita gente”, comenta Alex Todres, um dos sócios da empresa.

Segundo o empresário, alguns fatores influenciaram o sucesso. Além do cenário econômico favorável, que impulsionou o crédito e barateou o preço das passagens, a ascensão das classes C e D também contribuiu. “Esse público estava descobrindo as transações no ambiente virtual e não teve dificuldade para comprar no ViajaNet, porque o site foi desenhado de forma muito amigável. Um exemplo disso é que, mesmo que a palavra Miami seja escrita com grafia incorreta, o site identifica a informação”, diz.

Além disso, a equipe do call center foi instruída a não usar palavras em inglês. Assim, check-in virou balcão de atendimento. “A cultura geral da empresa tem por objetivo fazer com que o usuário se sinta confortável”, acrescenta, lembrando que o foco principal da empresa são as classes C e D.

A soma de inovação e sucesso nas vendas chamou a atenção de investidores internacionais. Após seis meses de operação, foram procurados pelo grupo espanhol IG Expansion, que adquiriu parte da agência. Depois, em nova rodada de negociações, receberam US$ 19 milhões de dois fundos de investimentos americanos, o Redpoint Ventures e o General Catalyst. Em maio de 2011, a agência anunciou a expansão das operações para o México. Para 2012, a expectativa é operar também na Colômbia, Venezuela e Argentina.

O ViajaNet usa seu know how para criar operações de comércio eletrônico de viagens para grandes marcas consagradas no varejo eletrônico e que querem atuar em operações de turismo online. Até o momento a empresa já fechou parceria com a Saraiva, Yahoo e Compra Fácil.

Todres afirma que os investidores estão olhando muito para o mercado brasileiro. “O interesse é tão grande, que muitos estão aprendendo a falar português. Não somos mais vistos apenas como o país do futebol e do carnaval, agora somos bons parceiros de negócios, com alto potencial de crescimento.”

Para quem pensa em criar o próprio negócio, o empresário recomenda que a pessoa não queira inventar a roda. “É mais fácil e coerente pegar algum modelo com sucesso comprovado e tentar inovar em cima dele. ” Na opinião de Todres, os investidores querem ver receita e clientes. “É importante conhecer o mercado e manter bom relacionamento. Só assim é possível conseguir contratar bons profissionais.”

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