Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Empresários acreditam em horizonte animador para os alimentos orgânicos

Há espaço no cultivo, na indústria, comércio e até mesmo em serviços; mas engana-se quem acha que tudo será fácil

Estadão PME,

25 de agosto de 2014 | 06h50

O horizonte para quem empreende no segmento de produtos orgânicos no Brasil é animador. Com estimativas de faturamento na casa dos R$ 2 bilhões neste ano, segundo projeção do Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD), o nicho é dos mais vigorosos dentro do ramo da alimentação.

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No momento, há oportunidades para faturar no cultivo, na indústria, comércio e até por meio de serviços. Mas, segundo empresários do ramo, quem pretende ingressar no setor deve preparar-se para lidar com algumas situações desafiadoras.

O desconhecimento do público, que ainda não entende exatamente o conceito do orgânico, é um dos problemas. Assim como a imprevisibilidade da natureza. Por abdicar da manipulação genética e do uso de agrotóxicos, a produção é muito sensível às condições climáticas. E durante uma estiagem como a que neste anos atinge o Sudeste do País, o reflexo sobre a qualidade e o volume de produtos orgânicos é ainda mais agudo do que no caso das opções convencionais à disposição.

“Eu trabalho na roça e lá tudo pode acontecer”, resume David Ralitera, proprietário da Santa Adelaide Orgânicos, uma fazenda que trabalha com sede na cidade de Morungaba, interior de São Paulo. Ao lado de Leandro Farkuh, dono da biO2, e de Ricardo Corrêa, que toca com a mulher uma padaria orgânica no bairro paulista da Vila Leopoldina, ele participou do módulo inaugural do Encontro PME, que se debruçou sobre os desafios e também apontou as oportunidades desse nicho.

“Eu mexo com a terra. E quem aqui (nesse auditório) me disser que é capaz de se adiantar ao que vai acontecer na natureza, então, que volte comigo para a fazenda e vamos trabalhar juntos. A quantidade de imprevistos é muito grande. A pessoa precisa saber se adaptar”, explica o francês, que aos 20 anos veio ao Brasil para trabalhar no mercado publicitário, mas acabou transformando o hobby de cultivar alimentos em um projeto de vida no País. David mudou para o interior, onde se dedica à pesquisa, produção e entrega de 80 tipos de plantas, como as cenouras coloridas ou o tomate coração de boi.

Para Ricardo Corrêa, da padaria Wheat Organics, para além dos problemas com insumos, seu maior desafio foi mesmo o de comunicação com o público-alvo – ele emprega apenas matéria-prima 100% orgânica em seu estabelecimento. Segundo ele, a clientela não entendeu de imediato o que representava esse diferencial. “Teve um pouco de confusão no começo. Até hoje alguns entram e perguntam se orgânico é a mesma coisa que light, que diet. Quando isso acontece, eu falo, vem cá, vamos sentar e conversar”, contou.

“O alimento orgânico tem uma história. Ele passa por uma certificação, uma inspeção, é algo que as pessoas podem confiar. Esses são pontos que temos de insistir com o cliente o tempo todo”, afirmou Leandro Farkuh, da biO2.

De uma forma geral, a própria evolução da empresa de Farkuh exemplifica a expansão do segmento orgânico no País. O empreendedor resolveu investir em barras de cereais quando tinha 18 anos, mas apenas como fabricante para outras empresas. Incomodado com produtos muito artificiais, criou sua própria marca, inicialmente voltada para o exterior. Hoje, contudo, ele fornece sobretudo para o varejo nacional. “É uma grande satisfação quando o cliente nos procura, como acontece hoje, já sabendo a sua história e o que representa seu produto”, concluiu o empreendedor. 

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