Sandra fechou loja de roupas e agora vende bolo
Sandra fechou loja de roupas e agora vende bolo

Empresários abandonam sonhos no ano em que as pequenas faturam R$ 100 bi a menos

Em oito meses apurados de 2015, número de negócios que fecharam as portas superaram em 42% o resultado de 12 meses de 2013

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

26 de fevereiro de 2016 | 21h15

Para além da inflação, do aumento do desemprego e da escalada do dólar, 2015 fica marcado como o ano de redução forte no faturamento dos pequenos negócios. Segundo estimativas do Sebrae-SP, apenas no Estado de São Paulo houve redução de R$ 100 bilhões no faturamento do setor no período, uma queda de 14,3% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação, resultando no pior cenário para as empresas do setor desde 2002.

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Mesmo sem o número total de 2015, o número de negócios que fecharam as portas de janeiro a agosto de 2015 alcança 302.732 empreendimentos, 8,62% mais comparado a toda movimentação nas juntas comerciais no ano cheio de 2014 – 42% superior ao balanço de janeiro a dezembro de 2013.

Na prática, essa movimentação é protagonizada por pessoas como Tiago Augusto Pinto, que atuava como comerciante no bairro de Ermelino Matarazzo, zona leste da capital paulista. Ele chegou a ter três lojas na região e 15 funcionários, mas no fim do ano passado fechou as portas da última loja, uma perfumaria que manteve por 20 anos. 

“Foi terrível, mas pelo menos eu não fiquei devendo nada para funcionários ou fornecedores”, diz o paulistano que, agora, procura formas de quitar um débito no banco estimado em R$ 400 mil, com juros e correção monetária. “Acho que eu errei em continuar investindo quando a situação já estava ruim. Se eu não tivesse acreditado que a economia voltaria aos patamares de antes de 2014, acho que estaria numa situação mais confortável hoje”, analisa.

Adiantar-se ao caos foi o determinante para Sandra Kempenich encerrar sua empresa e pelo menos não carregar dívidas. Após cinco anos de estudo de mercado ela montou em 2012 a It’s Only Rock’n Roll, uma loja de roupas e acessórios importados em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, que fechou as portas em janeiro do ano passado. “Ainda me dá lágrimas nos olhos quando falo disso, mas não tinha jeito. Como era uma empresa familiar, era melhor parar logo do que levar problemas para dentro da família”, conta. 

Faixa de seguraça. Como a importação representava a totalidade dos produtos da It’s Only Rock’n Roll, ela acompanhava com cuidado o comportamento do dólar e as previsões para o cenário macroeconômico. Ela tinha programado uma faixa de segurança para o dólar, que até R$ 2,70 não comprometeria a margem de lucros ou o preço aceitável pelo consumidor para seus produtos. Foi assim que em agosto de 2014 ela viu acender a luz vermelha.

“A gente já tinha percebido que a importação estava ficando ainda mais burocrática, mas quando os analistas de mercado e o pessoal do banco começou a falar em um dólar acima dos R$ 2,90 para o ano, sem previsão de melhora, resolvemos fazer uma liquidação e investir em outra coisa”, diz. 

Atualmente Sandra trabalha em uma loja de bolos na Vila Mariana, zona sul da cidade, onde tem uma pequena participação acionária. “Eu estou ainda tentando acabar com todo o estoque da loja. Depois de janeiro, ficaram uns R$ 60 mil parados em mercadorias e deixei os produtos em comodato em uma loja”, afirma.

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