Rogério Capela/AE
Rogério Capela/AE

Empresário sem deixar o emprego

Média empresa paulista encontrou uma maneira de reter talentos e hoje financia as boas ideias de seus colaboradores

Ligia Aguilhar, Estadão PME,

21 de dezembro de 2011 | 06h00

 Em meio ao cenário de escassez de mão de obra, uma média empresa paulista do segmento de tecnologia da informação encontrou uma maneira de reter profissionais qualificados, estimular o empreendedorismo e também aumentar seu portfólio de serviços.

Desde o início do ano, a CI&T financia projetos pessoais de seus funcionários com foco em inovação. A empresa investe entre R$ 100 mil e R$ 500 mil em cada negócio e, em troca, fica com uma participação societária de 50%. A expectativa é que em até sete anos os empreendimentos alcancem maturidade suficiente para que possam receber aporte financeiro de fundos de investimentos.

“O projeto tem grande valor porque me permite dominar e oferecer a inovação aos meus clientes e, ao mesmo tempo, manter um time de alta performance”, diz Mauro Oliveira, diretor de tecnologia da CI&T.

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Além do suporte financeiro, a empresa oferece apoio técnico para treinamento dos empreendedores e desenvolvimento das ideias. De 100 projetos inscritos, 20 já foram aprovados.

A Runens foi o primeiro negócio a receber financiamento do programa. A empresa chamou a atenção porque desenvolveu um aplicativo – bastante procurado na loja virtual da Apple – capaz de fornecer uma espécie de treinamento para os praticantes de corridas.

À frente da empresa estão Márcio Cyrillo e Lucas Persona, que trabalham no escritório da CI&T em Nova York (EUA). Apesar da rotina puxada – os dois administram o negócio próprio à noite e aos finais de semana –, eles consideram que o apoio mudou a relação deles com a empresa.

“Muita gente na área de tecnologia deixa de trabalhar (como empregado) para se dedicar a projetos pessoais ou porque ainda é jovem para assumir posições de liderança”, diz Cyrillo. “Se eu tivesse que investir o meu dinheiro, provavelmente deixaria a CI&T. Mas hoje eu tenho um voto de confiança da empresa no meu projeto.”

O mesmo aconteceu com Luiz Menezes Júnior, que no ano passado começou a desenvolver jogos para smartphones com o colega de trabalho Bruno Machado. “Depois de meses, começamos a ganhar dinheiro e pensamos em sair da empresa”, lembra Júnior.

O empreendimento comandado pela dupla, Ipanema Games, foi um dos primeiros a receber apoio. “Por conta própria nós não cresceríamos metade do que conseguimos com o financiamento, nem produziríamos jogos com a velocidade de hoje (um a cada dois meses)”, analisa Júnior. O principal produto da Ipanema, o jogo Smelly Cat, lançado em julho, já teve 300 mil downloads. Por causa dos bons resultados, os dois têm uma equipe de funcionários e tocam o projeto em tempo integral. “Nós avaliamos a maturidade de cada projeto para decidir qual o grau de dedicação que o funcionário pode ter”, explica Mauro Oliveira, da CI&T.

A estratégia tem dado certo, tanto que o negócio deve faturar R$ 130 milhões. “Como empresa, consegui ter o domínio de várias tecnologias e, ao mesmo tempo, atendi aos anseios dos funcionários e construi um propósito partilhado”, conclui Oliveira.

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