Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Empresário que perdeu tudo aposta em franquia para tentar retomar trilha do sucesso

Fábrica da Goóc pegou fogo no interior de São Paulo e esse foi apenas um dos desafios de Thái Nghiã para manter a empresa em funcionamento

Renato Jakitas, Estadão PME,

07 de maio de 2013 | 07h00

A Goóc decidiu engrossar o já farto rol de empresas que investem no modelo de franquias para reduzir seus custos da distribuição. A marca de calçado de borracha feito a partir de pneu deve iniciar em julho a prospecção e venda de quiosques de baixo custo instalados em pontos de mobilidade urbana nas grandes cidades - estações de trem e metrô, rodoviárias e terminais de ônibus.

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Com o custo de cada franquia em R$ 65 mil, descontado o aluguel do ponto, a expectativa é fazer com que o modelo cresça rapidamente, embora o discurso oficial da empresa seja conservador neste primeiro momento - a proposta é alcançar no mínimo seis unidades até o final do ano. No médio prazo, contudo, a ideia é destinar aos quiosques a maior parcela da produção anual de sandálias ecológicas, estimada em 1,5 milhão de peças em 2013 e das bolsas e mochilas, vendidas no varejo multimarca, no comércio online da empresa e das compras feitas por meio dos catálogos da Avon.

Internamente, o novo negócio é tratado como uma alternativa barata para equacionar uma questão que vem sendo cara para a Goóc ao longo de seus nove anos de história: a estratégia de distribuição. Seu fundador, o vietnamita Thái Quang Nghiã, hoje fala sem reservas sobre o problema, que somado a um Incêndio na fábrica da empresa em Brotas, há dois anos, praticamente sacramentou o fim do negócio.

Após o lançamento do empreendimento em 2004, Thái Nghiã conta que não estava preparado para o início acachapante - em dois anos, a empresa conquistou 10,5 mil pontos de vendas pelo Brasil, recebeu encomendas da Europa, Ásia e Estados Unidos e faturou R$ 63 milhões dois anos depois, em 2006, quando a marca já contava com 400 itens no catálogo. "Foi tudo muito rápido, a gente tinha a confecção e a fábrica de calçados e tinha demanda, mas não tinha oferta. A gente só conseguia entregar 60% das encomendas", conta o empresário, que tomou a dura decisão de encurtar o portfólio e reduzir o faturamento. "Ficamos só com as sandálias, uns 20 produtos", lembra. "Em 2007 faturamos R$ 45 milhões e em R$ 2008 foram R$ 30 milhões."

De uma forma geral, o varejo não aceitou a readequação da linha e, um a um, Thái Nghiã foi perdendo seus clientes. "Muita gente dizia 'você é doido, louco'. O ticket médio era muito baixo para manter uma linha só de sandálias na loja. Mas o que eu vou passar para o mundo não é a bolsa, que não tem novidade. O que vou passar é a sandália de borracha reciclável. É nisso que sempre acreditei", diz o empresário, que em 2010 investiu R$ 5 milhões em um parque de produção de calçados em Brotas (SP), fábrica que foi destruída em um incêndio, um ano depois. “Perdi tudo. Desde o estoque de produtos e máquinas, até os clientes, porque não pude cumprir os prazos de entrega", conta.

Para recomeçar, o empresário entregou sua produção para fabricantes em Franca (SP) e concentrou ainda mais sua atuação nas sandálias. Neste ano, em que planeja receitas de R$ 12 milhões, crescimento de 50% se comparado a 2012, ele retoma a linha de bolsas e mochilas e é com esses produtos que o empreendedor pretende compor o mix de opções nos quiosques - serão 20 tipos de calçados e 10 de bolsas e mochilas. "No verão, 80% das vendas serão as sandálias. No inverno, 60%", estima o empresário, para quem o alvo de sua marca é o consumidor de classe C. "As pessoas falam que o conceito da minha marca poderia ser bom para a classe A e B, mas eu não quero fazer distinção. Quero colocar minhas sandálias no pé de todo mundo. Tem de ser (um produto) popular", conta.

Análise. Para Adir Ribeiro, presidente da consultoria Praxis, a estratégia de franquear quiosques da Goóc com foco no consumo popular pode ser uma boa ideia de Thái Quang Nghiã. O produto, analisa, tem potencial, como vem demonstrando ao longo dos anos. E os erros do passado, segundo o consultor, podem ser usados em favor do empresário, desde que expostos para o futuro franqueado. "Não tem problema errar. É até bom. Passar por esses problemas e continuar, acertando o que deu errado, mostra amadurecimento, o franqueado gosta disso", conta.

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