Clayton de Souza/AE
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Empresário lucra R$ 300 mil por mês mantendo viva tradição da alfaiataria

Filho de tecelão, Neto planeja levar sua marca para outros países

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

13 de fevereiro de 2012 | 07h21

Filho de imigrantes Sírios, Luiz Aziz Neto, de 32 anos, cresceu vendo o trabalho do pai em uma tecelagem especializada em tecidos para a moda masculina. Apesar de ter se formado em marketing, para ele foi inevitável se envolver com os negócios da família, o que o motivou, após três anos trabalhando com a revenda de tecidos para alfaiates, a empreender para manter viva a cultura da alfaitaria, que perdeu força com o tempo, mas que ele cresceu aprendendo a valorizar.

Desde 2006 à frente da Alfaiataria Persona – antes chamada de alfaiataria Paramount, por causa de uma parceria com a conceituada indústria têxtil que leva o mesmo nome – Neto conseguiu transformar um trabalho artesanal em uma empresa robusta, com faturamento médio de R$ 300 mil mensais e potencial para expandir. “Sempre gostei de roupa bonita e bem acabada e acabei me encantando pelo ramo”, explica.

O serviço que se transformou em produto do mercado de luxo, é hoje procurado por homens com idade média de 35 anos e que trabalham em áreas que exigem o uso diário de costume (paletó e calça social), como advogados, investidores, médicos e políticos. “Há marcas muito conceituadas no mercado que já fazem esse tipo de trabalho, mas cobram preços exorbitantes. O meu objetivo é oferecer um preço mais justo para um artigo de luxo”, diz.

 

Neto coordena o trabalho dos alfaiates e também atua como uma espécie de consultor, prestando serviços de consultoria empresarias para instruir os profissionais de uma empresa sobre o que pode ou não ser usado na corporação. Recentemente, lançou também o atendimento a domicílio, serviço que leva os profissionais da loja até o cliente, além de trabalhar também com peças semiprontas com custo menor do que as feitas sob medida.

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O custo de um conjunto com costume e camisa é de cerca de R$ 3 mil. “O homem de hoje está mais vaidoso e se preocupa mais com a aparência, o que o faz procurar naturalmente algo mais sofisticado. Quem tem condições de usufruir do serviço de uma alfaiataria, acaba investindo nisso”, afirma.

Até 2015, Neto pretende abrir também uma loja em Brasília, devido ao alto potencial de mercado da capital federal. Depois, quer ir ainda mais longe e abrir mais duas unidades no exterior. “Há países com falta desse tipo de mão de obra especializada”, afirma.

E por falar em mão de obra, é justamente esse o grande gargalo da empresa. “O mercado é restrito e os profissionais da área estão em extinção”, afirma. Para garantir que não funcionários no futuro,  ele já investe na formação de novos alfaiates, que aprendem acompanhando o trabalho dos profissionais que hoje trabalham na alfaiataria. Isso porque o tempo de formação para o ofício é longo e chega a cinco anos. “O alfaiate começa a ficar muito bom geralmente quando está mais velho”, explica.

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