Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Empresário larga emprego em multinacional para criar game educativo e faturar R$ 3 milhões

Jogo ajuda estudante a assimilar matérias como matemática, português e ciências

cris olivette, oportunidades,

03 de dezembro de 2012 | 18h24

 Antes dos 25 anos, Diogo Beltran já era executivo da multinacional americana Oracle, onde liderava uma equipe de desenvolvimento de software. “Apesar de ser uma ótima empresa, sentia que meu potencial não era plenamente explorado. Além disso, meu trabalho gerava riqueza para outro país. Queria fazer mais pelo Brasil.”

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A solução para o dilema surgiu quando Beltran foi procurado pelos jornalistas Silvana Nutti e Kiyomori Mori, que o convidaram a participar do desenvolvimento de um game educativo, com supervisão do físico Marcelo Gleiser. “Fiquei muito entusiasmado com a proposta e conciliei as duas atividades durante um tempo.” Segundo ele, sua maior dificuldade foi administrar a pressão psicológica que sofreu de familiares e amigos. “Todos eram contra a minha decisão de deixar um emprego estável para correr o risco de empreender.”

Em 2007, ele tomou a decisão. “Deixei a Oracle e investi minhas reservas na criação da Redalgo, assumindo o desenvolvimento do game, que consumiu R$ 2,5 milhões.”

Ele diz que desenvolver jogos se assemelha à produção de um filme. “Contratamos vários empregados e subcontratamos diversas empresas.” O game foi lançado em 2009, sendo direcionado a alunos do ensino fundamental e médio. “Para captar e manter a atenção, foi elaborado em forma de aventura.” 

Batizado de Operação Cosmos: A Ameaça da Gigante Vermelha, o jogo é centrado na exploração do sistema solar. “Com conteúdo dinâmico e lúdico, proporciona o aprendizado de ciências, meio ambiente, matemática, língua portuguesa e ética. ” Beltran ressalta, entretanto, que a empresa teve grande dificuldade para comercializar o produto. 

“Cometemos o erro de focar as vendas em escolas particulares. Elas são muito pulverizadas e visitá-las envolvia um custo fixo alto, por isso a empresa não tinha lucro.” No final de 2010, a dificuldade financeira impossibilitou a permanência dos sócios e Beltran seguiu sozinho.

A solução, diz ele, foi terceirizar as vendas e eleger escolas públicas como cliente preferencial. “A estratégia deu certo porque, diferentemente das escolas particulares, o governo paga o projeto inteiro, que inclui treinamento, instalação e manutenção.”

Beltran afirma que desenvolver conteúdo pedagógico não é fácil. “De um lado, os pedagogos precisam adequar o conteúdo aos parâmetros do Ministério da Educação (MEC), e do outro, os desenvolvedores de jogos devem prender a atenção do aluno. Se ele perder a atenção por um momento, deixa de absorver o conteúdo. O jogo deve fechar o ciclo de transmissão, absorção e utilização das informações.”

O empresário conta que dois marcos contribuíram para a evolução da Redalgo. “Em 2009 ganhamos o Prêmio Nave, concedido pelo Núcleo Avançado de Educação, que considerou nosso game o melhor jogo educativo do Brasil. E, em 2010, obtivemos parecer do MEC nos qualificando para compor o Guia de Tecnologias Educacionais. A Redalgo é a única empresa privada brasileira homologada pelo MEC para vender games.”

Essa condição permite que governos estaduais e municipais tenham subvenção pela linha de crédito do Plano de Ações Articuladas (Par), para efetuar a compra. “Em 2012 conquistamos clientes como as prefeituras de Osasco e Campinas.” Agora, sua meta é alcançar todo o País. 

“Para 2013 vários Estados já solicitaram a aquisição do game pelo Par. Entre eles, Goiás, Tocantins, Amazonas e Pará.” Atualmente, o game é usado por 150 mil alunos. No próximo ano deve alcançar dois milhões de estudantes. Beltran afirma que fechará 2012 faturando R$ 3 milhões, valor que deve saltar para R$ 30 milhões em 2013.

Aos 35 anos, ele avalia que empreender requer muita perseverança. “Mesmo quando o caminho estiver bem feio, é importante não desistir”, recomenda. Ele também salienta a importância de se fazer um trabalho de qualidade, para se diferenciar dos concorrentes. “Outro cuidado é minimizar os custos fixos para reduzir os riscos.”

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