TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Empresário investiu na diversificação

Varejo híbrido e serviços inovadores serão estratégicos em mercado cada vez mais competitivo

Tulio Kruse, especial para o Estado

30 de novembro de 2017 | 05h00

À medida em que as contas de energia, gás e água e alguns impostos foram ficando mais caros, sem que o movimento aumentasse no restaurante Friccò, na zona sul de São Paulo, o chef italiano Sauro Scarabotta procurava alternativas para garantir a margem de faturamento. Pesquisava o mercado e consultava profissionais de marketing, contabilidade e administração. A solução foi diversificar o negócio, o que fez em grande estilo.

Scarabotta abriu um espaço que serve, vende e ensina as artes da salumeria e da panificação artesanais. Embutidos como a pancetta e o guanciale (bochecha de porco) estão no centro da proposta, acompanhados pelos pães de fermentação natural. A novidade fica na entrada do restaurante, o que atrai novos clientes e economiza no aluguel. “Nós achamos que o selo artesanal seria o diferencial que a gente buscaria para superar a dificuldade do momento”, conta.

A diversificação deve se manter em alta no mercado de pequenas empresas durante 2018, segundo especialistas. No caso de Scarabotta, a degustação de embutidos está altamente ligada à sua especialidade na cozinha, mas até serviços completamente diferentes no mesmo espaço podem se tornar mais comuns. 

“Os empreendedores devem estar muito antenados em relação ao que se chama de varejo híbrido”, conta a coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Empreendedorismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Leticia Menegon. As possibilidades podem ser as mais inusitadas: bares que também abrigam loja de roupas, ou lavanderias que oferecem almoço e café. “Além de consumir (o serviço da) lavanderia, por exemplo, você consome outras coisas nesse local. São produtos e serviços oferecidos no mesmo lugar.”

A dica de quem usou a diversificação como estratégia para fugir da crise é não esquecer de fazer a “lição de casa”. Pesquisar qual é a receptividade do público a uma novidade, planejar e dar atenção constante à eficiência nos custos, além de regras consagradas, também servem para evitar que o projeto tenha vida curta. 

O laboratório veterinário Mundo Animal tem apostado em novos segmentos para se manter competitivo no mercado pet, que cresceu 7% em 2016. A empresa de Pindamonhangaba, no interior paulista, começou há 32 anos como fabricante de xampu para cães e gatos, mas hoje aposta em suplementos alimentares que ajudam na absorção de nutrientes, tratamentos terapêuticos e prevenção de doenças. “Lançar novos produtos é uma maneira de crescer”, diz a diretora comercial do laboratório, Priscila Martins.“É totalmente ilusório achar que você vai sempre crescer em todos os seus itens. É preciso encontrar maneiras de substituir esse faturamento.”

Já o chef Scarabotta diz que, em 2018, os empresários terão de se profissionalizar para aumentar o leque de serviços. Até a crise, ele diz, o lucro de um só negócio costumava ser suficiente para sustentar a pequena empresa. Hoje, a competição exige buscar diferenciais, mas o chef alerta que há riscos. “Aumenta o trabalho, vou ter de cuidar de mais de um assunto ao mesmo tempo, então aumenta a margem de erro. É como o velho ditado: ‘Se eu coloco muita carne na brasa, a chance de queimar é maior’.” 

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