Alex Silva/Estadão
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Dinheiro no caixa de pequenas empresas caiu 80,51% em dois anos

Pesquisa da startup Conta Azul indica ainda que 52,3% dos empresários acreditavam em uma melhora do País, contra 61,2% do trimestre anterior

Daniel Lisboa, Especial para o Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2017 | 17h39

Um levantamento que acaba de ser divulgado pela startup ContaAzul, que opera sistema de gestão online, oferece uma perspectiva do impacto da atual recessão nas finanças das pequenas empresas brasileiras. Segundo a pesquisa, que leva em conta um universo de 1.183 empreendimentos, em dois anos houve uma queda de 80.51% no fluxo de caixa acumulado desses negócios, que na média era de R$ 85.057 em 2014 e despencou para R$ 16.572 em 2016.

O fluxo de caixa é o dinheiro empregado para quitar as dívidas de curto prazo das empresas, tais como impostos, salário de funcionários e fornecedores. No estudo da ContaAzul, o valor refere-se ao total acumulado nos primeiros dez meses do ano. A queda é ainda mais significativa ante o fato de que, no Brasil, poucos pequenos empresários recorrem ao crédito bancário para arcar com seus compromissos.   

Um estudo do Sebrae e do Banco Central indicou que apenas 17% deles recorreram ao sistema financeiro em busca de financiamento no primeiro semestre do ano passado. De acordo com o mesmo levantamento, muitos pequenos empreendedores sequer cogitam essa possibilidade por conta principalmente das taxas de juros cobradas, em média de 4,5% ao mês, e da falta de garantias oferecidas como contrapartidas.

As dificuldades das pequenas empresas na gestão do fluxo de caixa é apontada como uma das principais razões para um final de ano complicado. De acordo com o levantamento, 74,9% dos entrevistados conseguiram honrar seus compromissos, mas com dificuldades. Já 14,6% dos entrevistados sequer conseguiram pagar suas contas. A queda nas vendas surgiu como o outro fator: 56,2% dos entrevistados disseram acreditar que a área de Vendas foi a mais afetada pela crise. 

Se a questão do fluxo de caixa é preocupante, outros dados levantados pela ContaAzul ajudam a completar um cenário negativo. O pequeno empresário brasileiro está mais pessimista sobre a recuperação da economia brasileira. Segundo o levantamento, realizado entre outubro e dezembro do ano passado, 52,3% dos empresários acreditavam na recuperação econômica para 2017, contra 61,2% do apurado no trimestre anterior. A parcela que espera por um piora ficou em 9,8% no final do ano passado, enquanto anteriormente o número havia sido de 4,8%. 

A expectativa de crescimento dos próprios negócios também fechou em queda. Se, em setembro do ano passado, 49% dos entrevistados apostavam que suas empresas cresceriam no trimestre seguinte ao da pesquisa, no último estudo o índice ficou em 47,6%. Outro dado ilustrativo da falta de confiança é o de percentual de empresas que apostam na redução das vendas, que saiu de 8% no terceiro trimestre para 10,7% no quarto.

Mercado. Apesar da pouca esperança em um cenário melhor nos próximos meses, 87% dos entrevistados disseram apostar que, para os segmentos nos quais atuam, o começo de ano não será tão ruim. Outro número, embora modesto, que vai na contramão do pessimismo é o de empresas que esperavam fechar as portas no início de 2017: 1,3%, contra 2% anteriormente. 

Já os dados relacionados com contratações e demissões mudou significaticamente. O estudo indica que 31,1% dos empresários pretendiam contratar no começo deste ano, e 14,4%  esperavam demitir. A diferença entre os dois grupos, de 16,7% em favor das admissões,  é bem maior que o registrado em setembro, de apenas 0,8%. 


 

 

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