Agência Sebrae/Divulgação
Agência Sebrae/Divulgação

Empresária abre oficina mecânica exclusiva para mulheres no Distrito Federal

Empreendedora foi enganada em uma oficina mecânica. E transformou o problema em um negócio especializado

ESTADÃO PME,

29 de abril de 2012 | 07h15

 Agda Oliver de início talvez não tenha se dado conta. Mas ao ser enganada em uma oficina mecânica - e decidir por conta disso abrir seu próprio negócio no segmento - ela tornou-se dona de um empreendimento inovador. Sim, inovador, afinal, a oficina de Agda é especializada em atender mulheres no Distrito Federal.

"Sempre tive vontade de empreender, ser dona do meu próprio negócio. Ao conhecer a história de outras mulheres que foram enganadas por mecânicos, percebi que montar uma empresa voltada para mulheres seria uma ótima oportunidade", afirmou a ex-bancária para a Agência Sebrae de notícias.

As paredes da oficina, que fica em Ceilândia, são cor de rosa. Mas o serviço prestado por Agda vai além disso. Ela fornece dicas por email sobre manutenção, revisão e até ensina como trocar o pneu do carro. Feliz com o negócio, Agda já pensa em expandir a empresa: "Em cinco anos, quero montar franquias em Brasília e quem sabe até em outras em cidades. Até lá, quero estar preparada e padronizar todo o atendimento", conclui.

A estratégia de Agda faz todo sentido, apontam especialistas. Afinal, segmentar é hoje um importante diferencial para fazer frente a uma concorrência cada vez mais agressiva. Conheça abaixo o exemplo de uma empresa que também fez sua segmentação para mulheres e, por isso, está se dando super bem no mercado.

UM LABORATÓRIO SÓ PARA MULHERES

Ao decidir atender apenas mulheres e eleger a qualidade do atendimento como principal diferencial competitivo, os sócios do laboratório Femme tiveram de aprender a prestar atenção aos detalhes. E, graças a esse olhar minucioso, eles conseguiram criar um ambiente que não lembra em nada as salas frias da concorrência.

Mas, depois de crescer mais de 50% ao ano e faturar R$ 13 milhões em 2010, os empresários agora se veem forçados a pensar grande. “Para dar continuidade à expansão, não tem jeito: precisamos abrir outras unidades”, reconhece o radiologista Décio Roveda Junior, sócio do laboratório. O desafio será manter nos outros endereços o mesmo clima intimista da matriz.

Na única unidade do Femme, inaugurada em 2000 no bairro paulistano do Paraíso, há quadros de artistas plásticas renomadas nas paredes, flores nas mesinhas e salões aromatizados. Existe uma sala de espera destinada apenas a quem fará exames de rotina e outra para mulheres que estão aguardando por exames mais específicos.

A divisão se explica. “O primeiro grupo deseja que nós sejamos rápidos e eficientes, porque não querem perder tempo com exames periódicos”, justifica Roveda. “Já o segundo grupo precisa de mais cuidado e atenção porque muitas vezes essas mulheres já sabem que estão doentes ou estão fragilizadas, pois vieram aqui para descartar ou confirmar alguma suspeita médica.”

Para atender 4 mil mulheres e realizar 40 mil exames por mês, os 90 funcionários do laboratório recebem treinamento contínuo. “Basicamente, nós os ensinamos a se anteciparem aos possíveis questionamentos que as mulheres farão, deixando-as mais seguras”, explica Roveda.

Um sistema eletrônico monitora cada passo da paciente no laboratório. “Não queremos que ela fique esperando. Assim que ela termina um exame, já encaminhamos para o próximo procedimento”, diz Roveda.

Assim, a empresa também ganha produtividade. “No setor de serviços, tempo parado é tempo perdido. Por isso, ao reduzir os intervalos entre um exame e outro, conseguimos atender mais pessoas e aumentar o faturamento”, afirma o médico.

Mas isso não significa que Roveda queira superlotar a unidade. Pelo contrário. Com espaço limitado e casa cheia, a empresa passou a selecionar melhor seus clientes. Descredenciou os convênios que ofereciam baixa remuneração e passou a fazer ações de marketing direcionadas a uma seleta lista de médicos renomados na cidade. Com isso, a lucratividade aumentou.

Em 2012, o laboratório poderá receber mais pacientes, porque sua área será ampliada em 650 metros quadrados. No edifício em construção ao lado da unidade atual, o Femme vai ocupar a parte térrea do prédio – resultado de um acordo feito entre os sócios do laboratório e a incorporadora responsável pela obra.

Para competir com gigantes do setor, entretanto, o Femme precisa de capilaridade. Por isso, os sócios já estudam propostas para receber aporte de um fundo de investimentos. Com a entrada de capital, Roveda planeja abrir uma unidade a cada ano.

“Como no setor de serviços a qualidade é um valor essencial, o ritmo de expansão precisa ser estudado para que isso não se perca”, avalia Vladimir Valladares, da consultoria V2 Consulting. “A maior dificuldade, nesse caso, é conseguir contratar e treinar mão de obra para que os processos sejam reproduzidos em cada detalhe.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.