Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Empresa vai produzir móveis de designers renomados com preço acessível

A Lot Of Brasil exigiu investimento de R$ 3,5 milhões e foi lançada na última edição do Salão do Móvel de Milão

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

09 de julho de 2013 | 11h30

Móveis assinados por designers do mundo todo feitos com matéria-prima sustentável e fabricados no País. Essa é a proposta da marca A Lot Of Brasil, lançada em abril no Salão do Móvel de Milão, e que chega ao mercado brasileiro em setembro. Os sócios investiram R$ 3,5 milhões em pesquisa, desenvolvimento e estruturação da marca e devem colocar mais R$ 1,5 milhão no empreendimento até junho de 2014.

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A marca foi idealizada pelo empresário e designer Pedro Franco quando ele percebeu que os gastos para importar os móveis à venda em sua loja - A Lot Of - estavam muito altos. Os custos o fizeram, inclusive, importar apenas duas marcas em vez de oito. O dinheiro poupado foi usado no novo projeto.

O empresário lembra que, de maneira geral, o design brasileiro depende muito de processos artesanais e tem como característica a autoprodução. "Isso resulta em produtos que não são nada acessíveis porque quando você produz um lote, sem a máquina por trás, sobretudo em um cenário de alto custo da mão de obra e dos imóveis, significa produtos na ponta com preços elevados", afirma Franco.

Disposto a mudar esse cenário, o empresário pesquisou durante dois anos fornecedores brasileiros de alta tecnologia dentro da cadeia aeronáutica e automobilística, como fornecedores da Embraer e da Volkswagen, além de matérias-primas sustentáveis, como o 'plástico verde', o poliuretano ecológico e a madeira líquida (plástico desenvolvido com resíduos de madeira, fibra de coco e bambu).

A segunda etapa do processo de criação da marca foi conquistar o apoio de designers reconhecidos. "Não basta pagar um designer. Você tem que seduzi-lo com a proposta da empresa. Eles são peças fundamentais do sucesso da marca", destaca Franco.

Com o conceito de trazer características locais de produção e matéria-prima, com a possibilidade de venda para o mundo inteiro, A Lot Of Brasil formou um time de designers como os italianos Alessandro Mendini e Fabio Novembre, a eslovena Nika Zupanc e o grupo Pininfarina. Franco também tem seu projeto para a marca: a cadeira esqueleto feita com madeira líquida.

Para a primeira coleção, a marca reuniu 12 designers e 17 produtos. "Driblamos uma fila de espera de mais de 400 empresas interessadas em participar dentro da feira principal do Salão de Milão. Fomos convidados e já temos o espaço garantido para 2014", diz Franco. No ano que vem, a expectativa é chegar a 22 profissionais e 35 produtos.

Até agora, a empresa já tem 1,5 mil peças encomendadas que serão enviadas a partir de setembro para Londres, Milão, Rússia, Nigéria, Chile e Líbano. A loja da marca será inaugurada no mesmo mês na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, rua que reúne lojas de arquitetura e decoração em São Paulo. A meta para esse ano é atingir 100 pontos de distribuição no mundo e recuperar o investimento, feito com mais dois sócios, em cinco anos.

A empresa mantém uma fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e mais seis empresas parceiras para garantir a produção dos móveis. A estratégia é ganhar escala com a produção industrial e, futuramente, crescer com franquias de lojas A Lot Of Brasil. "Com a produção industrial, conseguimos reduzir os preços das peças. Uma cadeira com assinatura de Stefano Sandonà chegará no varejo por R$ 180. Um sofá do Fabio Novembre por R$ 5,5 mil", exemplifica Franco.

Análise. A professora do Centro Universitário Belas Artes, Denise Xavier, avalia o projeto da A Lot Of Brasil como positivo e ousado, uma vez que o País não tem tradição do ponto de vista da produção. "Acredito que é uma iniciativa tardia de uma certa forma porque existe um mercado sedento por esse tipo de produto. Temos poucas empresas dedicadas com qualidade. Ou temos uma peça super elitizada ou uma peça mais comercial, com uma durabilidade menor e pouco raciocínio de design", destaca.

Para Denise, o uso de matérias-primas alternativas é positivo para a área e o desafio será introduzir esses produtos em larga escala via indústria. "O objeto de design ainda é visto como um objeto de butique. O grande desafio é conseguir fazer uma peça de qualidade, acessível e ainda com preocupações de sustentabilidade", afirma.

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