Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Empresa pretende faturar R$ 1 milhão com móveis feitos com madeira de árvores mortas

Peças vendidas pela Arte Floresta em São Paulo são feitas com madeira desvitalizada e custam entre R$ 1 mil e R$ 10 mil

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

16 de outubro de 2012 | 06h20

Ter a natureza como designer na criação de móveis faz parte da proposta da Arte Floresta, criada pelos empresários Oswaldo Barros e Guilherme Guerra. A dupla identificou um potencial no mercado de móveis em São Paulo e investiu R$ 300 mil na abertura da loja, focada em objetos de madeira seca e desvitalizada, ou seja, de uma árvore que já estava morta ou caída na natureza. Aberta em agosto, a expectativa da empresa é consolidar-se no mercado este ano e faturar o primeiro milhão em 2013. O conceito da empresa é focado em sustentabilidade, no chamado design orgânico.

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“Sabemos a origem da madeira e a causa da morte de todas as árvores que usamos para produzir os móveis. Na maioria dos casos, a morte ocorre pela variação climática, alguma árvore atingida por um raio, por exemplo”, garante Guerra. Cerca de 40% dos itens vendidos na Arte Floresta são de uma empresa que funciona na Bahia.

O trabalho resulta em bancos, mesas, aparadores, cadeiras e esculturas com características diferentes em cada peça, respeitando os contornos e características originais de cada árvore.

Os móveis custam entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, com preço médio de R$ 4,3 mil. “Levamos a natureza para dentro de casa, de forma consciente e sustentável”, garante Barros. As peças já chegam prontas ao showroom da Arte Floresta, localizado em Moema, zona sul de São Paulo, mas a empresa aceita encomendas de objetos. O público-alvo da empresa está nas classes A e B.

Além do consumidor final, o desafio da empresa será convencer arquitetos e decoradores – formadores de opinião do setor – sobre a beleza e qualidade das peças. “Os nossos móveis representam a cor da árvore original, dá para ver as veias da madeira. Damos o acabamento, mas respeitamos as irregularidades da peça”, garante Guerra.

Na avaliação do diretor do Programa de Gestão de Luxo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Silvio Passarelli, a empresa tem um discurso competente, que envolve sustentabilidade e meio ambiente. “É um conceito contemporâneo. Tem seu valor”, resume. Mas para Passarelli, o conceito não se encaixa no mercado de luxo, pelo menos no curto prazo, já que um dos fatores para essa caracterização é a tradição da empresa.

O grau de exclusividade das peças é o fator que mais se aproxima do mercado de luxo, segundo o especialista.

História. A dupla de empresários se conheceu na faculdade de administração e sempre teve vontade de empreender. Mas a intenção não foi concretizada logo após os estudos. Guerra tinha uma carreira no mercado financeiro e Barros chegou a atuar como consultor de marketing. As ideias para os negócios surgiram de contatos da família, por meio de arquitetos e decoradores, com o mercado de móveis.

“Fizemos pesquisa de mercado e também temos um amigo trabalhando na produção de móveis em Mato Grosso do Sul que queria expandir. Vimos uma oportunidade e concluímos que teríamos espaço nesse mercado”, afirma Guerra.

Desde a inauguração, a empresa traçou a meta de vender dez peças e faturar R$ 50 mil por mês. Para o ano que vem, a expectativa é negociar 15 objetos mensais. Além disso, os empresários esperam faturar em 2013 R$ 800 mil, com possibilidade de chegar a R$ 1 milhão.

Além disso, os planos de Barros e Guerra não estão restritos ao showroom. A intenção é incluir no portfólio da empresa peças menores, mais leves, para venda na internet. 

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