Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Empresa perdeu quase todos os funcionários, mas usou o otimismo para superar os problemas

ClearSale perdeu quase todos os funcionários, mas soube dar a volta por cima e hoje fatura R$ 29 milhões por ano

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

26 de janeiro de 2012 | 15h07

Antes de abrir a ClearSale, empresa de autenticação de compras virtuais fundada em 2001, o empresário Pedro Chiamulera foi atleta olímpico – disputou provas de 100 e 400 metros com barreiras nos jogos de Barcelona e Atlanta. “Com o esporte, aprendi que o resultado depende unicamente do meu esforço. O resto é desculpa”, garante.

É por isso que Chiamulera, formado em ciências da computação, não dá bola para adversidades. É um otimista nato e o modelo de negócio de sua empresa nada mais é do que a materialização desse otimismo.

Enquanto os concorrentes partem do pressuposto de que todo consumidor na internet pode ser um potencial fraudador, a ClearSale procura seguir a lógica inversa. “Nós acreditamos que a maioria é boa, assim, nosso foco é aprovar as compras dos bons compradores”, explica Pedro Chiamulera.

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Ao adotar essa postura, a ClearSale consegue liberar as transações autênticas rapidamente e impede que as lojas online percam vendas, além de evitar o constrangimento de clientes idôneos. Graças a sua ampla base de dados (fornecida pelos próprios varejistas) e a um sistema inteligente de análise das informações fornecidas, o procedimento acarreta redução das fraudes nas transações.

Os resultados positivos fizeram a ClearSale conquistar a confiança das maiores lojas virtuais do País. Dessa maneira, o faturamento pulou de R$ 1 milhão em 2007 para R$ 29 milhões durante o ano passado.Mas nem sempre foi fácil manter o otimismo. Durante anos, a empresa só patinou. Construía todo tipo de software e contratava mão de obra barata para praticar preços baixos. Em alguns meses, faturou apenas R$ 600. Seu pior momento foi em 2005: com o mercado de tecnologia aquecido, 23 dos 25 funcionários receberam propostas de trabalho e pediram demissão.

Chiamulera não esmoreceu. E atualmente até acha que a debandada de empregados teve seu lado positivo. “Quando todo mundo foi embora, restaram apenas os funcionários que cuidavam de um projeto de combate à fraudes”, conta. “Agarramos esse bote e isso nos deu um foco.”

Na nova fase, a atuação de Bernardo Lustosa, hoje sócio do negócio, mostrou-se decisiva. Ele é autor do modelo estatístico de combate à fraudes e funciona como uma espécie de contraponto à personalidade de Chiamulera: enquanto o ex-atleta exerce sua criatividade, Lustosa trata da gestão do empreendimento.

A união dos sócios, na verdade, deu sustentação ao projeto da ClearSale e permitiu sua reconstrução. “Passamos a questionar as nossas próprias motivações para seguir adiante. Isso nos mostrou que era importante também questionar a motivação dos outros”, conta Chiamulera.

Hoje, a pergunta ‘Qual é o seu tesão?’ é a primeira feita a quem for contratado pela ClearSale. “A empresa precisa se encaixar nos projetos pessoais de nossos funcionários. Eles devem ficar conosco porque isso faz sentido para suas vidas, e não apenas por dinheiro”, diz Chiamulera.

Ao motivar os empregados com diversos tipos de treinamentos e dar oportunidades de ascensão na empresa, a ClearSale consegue reter 350 profissionais em seus quadros. “Este número o Pedro gosta de ver crescer”, conta Lustosa. “Quando falo do faturamento, ele nem se empolga.”

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