Robson Fernandjes/Estadão PME
Robson Fernandjes/Estadão PME

Empresa leva turista para tour em docerias finas de São Paulo

Passeio custa R$ 44 e inclui degustação em seis casas

Renato Jakitas, Estadão PME,

30 de julho de 2013 | 06h40

Passeios monitorados a pé representam uma atração consolidada em destinos turísticos famosos pelo mundo. A exceção é o Brasil, onde o modelo praticamente não existe. Mas um grupo de jovens empreendedores trabalha para tentar quebrar essa escrita. Depois de criar um circuito de visitação a bares e casas noturnas paulistanas, eles acabam de lançar um tour pelas casas especializadas em doces finos localizadas na capital.

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Batizada de Sweet Flavour Tour, a atração custa R$ 44 e reúne desde o início de julho grupos diários de no máximo 15 pessoas e passa por seis pequenas docerias distribuídas em um raio de 2,2 quilômetros, entre a rua Capote Valente e a Alameda Tietê. Um roteiro que é cumprido ao longo de três horas.   

Sempre a pé, os visitantes iniciam o passeio na Maria Brigadeiro, da empresária e blogueira do Estadão PME Juliana Motter, seguem para a sorveteria Diletto, lançada em 2012 por Leandro Scabin, o fundador da empresa parcialmente vendida para o fundo 3G, de Jorge Paulo Lemann, e concluem a primeira parte do passeio no novo endereço da Chocolat du Jour, na rua Haddock Lobo - a marca foi criada há 25 anos pelos empreendedores Claudia e John Landmann.

A etapa final contempla uma visita à Fina Nata, especialista em bem casados gourmets, a Conti Confeitaria, que importa da itália amêndoas confeitadas, e os turistas fecham o circuito na casa de balas artesanais Rock Candy, onde se pode conferir na hora o processo de confecção de balas e pirulitos.

"A gente tem essa ideia de investir em passeios para turistas brasileiros e estrangeiros em São Paulo. Há mais ou menos seis meses, percebemos que a cidade está se organizando no cenário de restaurantes e lanchonetes gourmets. Mas faltava algo para as sobremesas. Foi aí que decidimos atuar", conta o economista coreano Kyu Shim, que largou um emprego no mercado financeiro para investir com outros três sócios no projeto.

"O turista e até o paulistano que conhece esse modelo no exterior sente falta de algo similar aqui, em São Paulo. Percebemos essa oportunidade quando fiz com meus sócios algo parecido em Buenos Aires e notamos que não havia nada assim em São Paulo. Quando a gente chega nos hotéis e albergues de turistas para entregar um panfleto do produto, eles até nos agradecem, aliviados", destaca Shim, que já fatura R$ 30 mil por mês com o Pub Crawl São Paulo, que há dois e meio leva grupos para bares da região da Rua Augusta e Vila Madadela.

O negócio, na avaliação da professora Andréa Nakane, coordenadora do curso de turismo da Universidade Anhembi Morumbi, tem potencial de crescimento e, de fato, atende uma carência na cidade. “Chamo a atenção principalmente para a adesão dos clientes paulistanos. São Paulo tem uma população que chamamos de ‘incurcionista’, de ser turista em sua própria localidade. Isso ajuda a validar o negócio e sustentar ideia como essa em seu início”, afirma.    

O ponto de atenção, observa Andréa, vai para a logística do roteiro, sobretudo no relacionamento com as docerias. “Esses negócios costumam operar no limite de sua capacidade, por uma questão de custo. Quem cuida do passeio precisa se organizar muito bem para não levar grupos nos momentos de rush desses estabelecimentos. Isso tende a comprometer muito o produto.”

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