Rafael Arbex|Estadão
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Empresa garante 85% das compras online no País

Hoje líder no combate à fraude digital, Pedro Chiamulera, que participou da Semana Pró-PME, fundou a ClearSale no improviso

Felipe Tringoni, especial para, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2017 | 08h15

Ex-atleta olímpico, ele abriu a empresa para dar conta de um projeto como programador de software. Cresceu aos trancos e barrancos, cometeu diversos erros de gestão e quebrou quatro anos depois. Perdeu a confiança, reavaliou todos os propósitos e retomou o negócio com foco e ajuda de um sócio. Hoje, é líder de mercado no segmento antifraude brasileiro e tem mais de cem clientes nos Estados Unidos. Pedro Chiamulera traz em seu DNA empreendedor o anseio de expansão grandiosa característico dos protagonistas de epopeias.

Os primeiros passos da ClearSale datam de 2001, quando o empresário fez uma proposta de solução de combate a fraudes para o Submarino. “Meu talento sempre foi colocar tecnologia no processo. E aí pensei: ‘Agora me ferrei’, porque não sabia nem pôr em prática o que eu tinha oferecido. Tive que correr atrás da solução, mas não queria mais fazer parte técnica, tinha deixado de programar. Queria trabalhar com negócios e marketing. Foi aí que a empresa surgiu”, lembra.

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Até 2005, eles se sustentaram oferecendo diferentes tipos de software para variados clientes. “Mas eu não era muito gestor, sou bem empreendedor. Gosto de colocar uma ideia no ar, e não de contabilidade, precificar”, lembra. A ClearSale conseguiu se manter por cerca de quatro anos, até começar a, gradualmente, perder funcionários. “Em 2005, houve uma inflação na procura pela tecnologia que eu usava. Os bancos começaram a contratar e eu perdi quase todo mundo. Foi quando quebrei.” Comunicativo e entusiasmado, ele se viu, pela primeira vez, desacreditado pelos clientes. “A pior coisa para o empreendedor é quando sua palavra perde credibilidade.”

Reflexão. O mau momento o fez olhar para dentro. “Comecei a parar tudo para conversar com as pessoas. Me reencontrei e a confiança virou a cultura da empresa.” Nos negócios, o momento também foi de reformulação. “Apostamos todas as fichas no combate à fraude, já que tínhamos bons clientes. E tive bastante sorte de encontrar as pessoas certas no momento certo.” 

A principal delas foi Bernardo Lustosa. “O Pedro é empreendedor nato, não poderia fazer outra coisa na vida. Com ele é emoção na tomada de decisão e crença nos clientes. E eu sou muito racional, resolvedor de problemas e estrategista”, diz Bernardo, que prestava serviços ligados a inteligência artificial para a ClearSale desde 2004. A grande virada se deu em 2008, quando ele se tornou sócio. “Vendíamos o sistema antifraude da mesma forma que o mundo inteiro fazia: um programa em que as lojas analisavam o risco. Ganhávamos centavos por pedido e o resultado não era bom. Foi quando passamos a vender a análise completa das possibilidades de fraude.”

Desde então, a ClearSale submete os pedidos do comércio eletrônico para análises tecnológicas. Se o risco de fraude é baixo, eles são aprovados. Caso contrário, passam por análise humana. “Não negamos nada automaticamente. Fazer isso seria dizer, na dúvida, que o cara é bandido. Nós dizemos que a maioria é boa. Isso nos ajudou a gerar confiança”, opina Pedro. Bernardo acrescenta: “Hoje nós decidimos se 85% das vendas no e-commerce do Brasil seguem ou não.”

Para uma empresa com tamanho controle de mercado seguir em crescimento, inovação é fundamental. Entre as apostas estão o aplicativo Compre e Confie, que insere o consumidor final na lógica do combate à fraude, e o Digital Trust Index, um índice para gestão de crédito em compras online. Fora do Brasil, o grupo tem 130 clientes nos Estados Unidos e agora planeja a abertura de um escritório no México. Hoje o empresário exala convicção: “Vamos faturar R$ 140 milhões neste ano e quero crescer 30% em 2018.”

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