Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Empresa enxuta mira as vendas no exterior

Lolli Queen, empresa de Renato Marinho, produz sandálias de borracha decoradas e agora quer crescer sem atropelos

Estadão PME,

13 de agosto de 2014 | 06h55

Há dois anos trabalhando em uma grande construtora, o carioca Renato Marinho, de 25 anos, decidiu que era hora de começar um negócio próprio. Como Susana, sua namorada na época, vendia com uma boa margem de lucro sandálias decoradas de borracha em sua papelaria, os dois decidiram investir no negócio.

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O empreendimento começou no meio do ano passado, quando a economia brasileira já apresentava sinais de desaceleração. Mas essa não era a preocupação da dupla de empresários. “O mercado brasileiro é muito dominado por duas marcas, decidimos trabalhar para criar outra, a Lolli Queen, e investir no seu marketing, envelopar um conceito, como tínhamos aprendido no curso de administração”, conta.

A empresa fechou o primeiro ano faturando R$ 220 mil e distribuindo sandálias para 10 estados brasileiros, além da Alemanha e do leste europeu. No final de julho, os empreendedores participaram da GDS, uma das maiores feiras do setor no mundo. Lá, fecharam R$ 30 mil em vendas para a Holanda, Bélgica, Espanha, França e Grécia.

O começo do negócio, entretanto, foi de muita experimentação. “Vendíamos primeiro na loja dela (namorada), depois oferecemos a sites de e-commerce para ver se o produto era bem aceito, se tinha demanda. Só depois pensamos em participar de uma feira maior”, afirma. Foi na Francal, em julho do ano passado, que o negócio deslanchou. “Só aí que pensamos em contratar um galpão para fazer a montagem do produto.”

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Para o coordenador do Centro de Empreendedorismo e novos Negócios da FGV, Tales Andreassi, a ideia de experimentar um produto pouco a pouco precisa ganhar mais terreno. “É o que chamam da teoria do effectuation, que veio do setor de tecnologia, mas pode ser bem adaptada para praticamente qualquer outro negócio”.

A teoria, uma espécie de substituta do plano de negócios tradicional, é na verdade uma série de práticas que visam minimizar a chance de erro e fracasso. “O que ela diz é: converse com seus clientes potenciais, monte aquilo que chamamos de produto minimamente viável, enxuto, e saia por aí oferecendo para ver se a aceitação é boa ou não. Se não for, mude.” O principal, segundo o especialista, é evitar gastar muito dinheiro antes de saber se o negócio pode dar certo.

“Pense em uma pessoa que quer abrir um restaurante de culinária sudanesa, por exemplo. Essa pessoa pode começar abrindo a casa dela uma vez por semana para amigos e convidados para testar o cardápio, ver se essa cozinha tem boa aceitação. No final de alguns meses, ele pode perceber que o que fez mais sucesso são uns pratos marroquinos. ‘Pivotar’ o negócio, nesse caso, é muito mais fácil do que se ele já estivesse com o restaurante montado”, conclui.

Renato não reclama das vendas no Brasil, mas admite que agora a empresa foca mais o mercado exterior. “A concorrência aqui dentro é muito forte, a empresa líder criou todo um estilo de vida associado. Lá fora a comparação é bem menor, nosso produto é mais valorizado”, afirma.

A intenção é continuar crescendo, mas de forma ponderada, preocupando-se mais com a margem de lucro e não tanto com o tamanho. “Produzimos 3,5 mil pares por mês. O último pedido que recebemos da Alemanha era de 10 mil. Temos medo de aumentar e descobrir que foi uma coisa pontual”, analisa. 

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