MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Empresa de sucos brasileira agora aposta em pulseira inteligente para o consumidor

Negócio se aventura no ramo da tecnologia de olho em mercado promissor

Marcelo Osakabe,

22 de julho de 2014 | 06h40

 A carioca do bem ficou conhecida por oferecer sucos naturais em caixinha, sem conservantes ou aditivos. Mas para incrementar o lançamento do seu e-commerce, que entra em funcionamento a partir de hoje, a empresa aposta em um novo produto, uma pulseira inteligente que monitora os exercícios, calorias queimadas e também a qualidade do sono dos usuários. 

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A novidade tenta pegar carona em um segmento de tecnologia que ainda engatinha no Brasil e no mundo, mas que deve crescer bastante nos próximos anos. O mercado mundial dessas pulseiras é disputado pelas principais empresas de tecnologia do mundo e deve saltar de 1,8 milhão de unidades vendidas em 2013 para algo como 8 milhões no final de 2014 e mais de 45 milhões até 2017, segundo relatório produzido pela Canalys, empresa de análise de mercado. Por aqui, gigantes do segmento como a Sony, dona do SmartBand, e a Samsung, que lançou há pouco no País o GearFit, tentam aproximar o brasileiro do produto. 

Marcos Leta, idealizador da marca de sucos, acredita que o a pulseira possa responder por 18% do faturamento da empresa nos próximos anos. Ele não revela quanto investiu para trazer o produto nem a expectativa de vendas, mas afirma que a marca pretende faturar R$ 180 milhões até 2016. "Acredito que também vá refletir na venda dos sucos, mas ainda é muito cedo para dizer quanto." 

A do bem máquina, como o produto foi batizado, custa R$ 299 e segue o estilo das outras pulseiras que chegam ao mercado brasileiro. "Mas o desenvolvimento foi todo feito aqui e levou dois anos. Nasceu no Rio, mas foi feito com as melhores peças do mundo", afirma Leta. Ela não tem um display como a peça da Samsung, mas pontos de LED que sinalizam o quão próximo o consumidor está, por exemplo, de atingir a sua meta de corrida. Praticamente toda a interface é feita por um aplicativo de celular, sincronizado com a pulseira. No momento, ele está disponível para iPhone 4S ou modelo superior, mas uma versão para Android deve sair em poucos meses. 

Segundo o empresário, a ideia surgiu em 2012, quando seus clientes começaram a pedir por outros produtos da marca, como camisetas e bonés. Foi este o motivo que fez a empresa abrir um e-commerce, que não venderá suco, e também pensar na pulseira. "Eles queriam se identificar com um estilo de vida saudável, que é a nossa cara. Então começamos a pensar em como podíamos oferecer não apenas o combustível, mas uma experiência saudável mais completa", afirma.

 

Oportunidade. Para o coordenador do curso de Sistema de Informação em Comunicação da ESPM, Rodrigo Tafner, a aposta nesse mercado não podia ser feita em melhor hora. "O mercado de wearable devices, como smartwaches, óculos e smartbands (como a pulseira é chamada) é para onde a tecnologia está caminhando. Saímos do computador de mesa para o notebook, depois para o tablet e agora para o smartphone. A tecnologia vestível é o próximo passo". Ele só estranha uma empresa de suco se aventurar num mercado tão diferente. "Do ponto de vista empresarial, uma empresa que vende saúde se interessar por smartbands faz bastante sentido. Mas do ponto de vista industrial, as coisas são bem diferentes." 

Leta minimiza esse estranhamento. "Lidamos com tecnologia desde o começo. Desde que a ideia de produzir suco de caixinha 100% natural surgiu, em 2009, a gente lida com tecnologia para fazer isso possível. O resultado são nossas embalagens à vácuo que garantem o frescor do suco por mais tempo". 

A do bem chegou ao mercado em 2009 com a proposta de produzir sucos sem conservantes ou aditivos. Os preços são maiores do que o da concorrência, o que a empresa alega ser o custo de se ter 100% de suco na caixinha, contra cerca de 30% de suco e 70% de água da concorrência. No anos passado, a marca deu um importante salto ao fechar parceria com a rede do Pão de Açúcar em São Paulo. Hoje já são cerca de 20 mil pontos de venda espalhados pelo país. 

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