Empresa de Manaus lança triciclo para combater 'Aedes'

Após tentar competir no mercado de mototaxis, fabricante cria veículo equipado com fumacê contra mosquito da dengue e zicka; segundo diretor, 150 prefeitos já encomendaram o produto

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2016 | 05h00

Depois de tentar o mercado de transporte público, brigando sem sucesso com os mototáxis, a fabricante brasileira de triciclos Motocar resolveu partir para o segmento de saúde pública. A empresa localizada em Manaus desenvolveu um veículo para ajudar no combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika.

Equipado com um nebulizador e um tanque para levar o inseticida, a ideia da empresa é, de acordo com o empresário Fabio Di Gregorio, oferecer uma opção mais barata para as prefeituras no combate ao Aedes

 "Cada unidade gira em torno de R$ 50 mil. O governo paga R$ 200 mil numa caminhonete transformada. Com as contas de hoje combalidas, oferecemos uma solução mais barata", afirma Gregorio, que também responde como diretor de relações instituicionais da Motocar.

Desde o lançamento do veículo, em maio, cerca de 150 prefeitos, incluindo Brasília (DF), Caxambu (MG) e Votuporanga (SP), já realizaram encomendas. Mas o dinheiro que é bom, ainda não chegou. A crise financeira, diz o empresário, tem prejudicado o negócio. 

"Estamos com todas as licitações prontas em 400 prefeituras, mas a crise é um entrave. Os prefeitos estão esperando a maldita verba federal, pois muitas compras são feitas através do governo federal", diz Fábio Di Gregorio, que espera um faturamento de R$ 5 milhões com o novo produto ainda este ano.

Com autonomia de três horas consecutivas de trabalho e gasto médio é de 25 km por litro, o triciclo contra dengue tem capacidade de carga de até 350 kg e chega a 60 km/h. Segundo Fabio Di Gregorio, outra vantagem do veículo são suas dimensões menores, que permitem que agentes de saúde alcançem lugares de difícil acesso.

'Tuk-tuk'. O triciclo para combate à dengue não foi a primeira ideia da Motocar para um veículo utilitário. Em 2014, a empresa lançou no mercado um veículo para transporte de passageiros para competir com os mototáxis. Apesar de ser homologado pelo governo brasileiro para rodar em qualquer via do País, o veículo, que é parecido com os 'tuk-tuks' indianos, enfrenta problemas para conseguir autorização de prefeituras para o transporte de passageiros.

"Quando fomos entrar no mercado de passageiros, vimos o tramanho do problema. Tem muitos intereses, empresas de ônibus, vereadores não querendo perder votos de categorias como taxistas. É um caos político", afirma o empresário sobre o veículo, que conseguiu licença em cidades do DF, SP e MG.

Dado a dificuldade de entrar no mercado de transporte de passageiros, Di Gregorio afirma que a maior parte das vendas é para o transporte de cargas, em função do baixo custo para micro e pequenos empresários, como hortifrutigranjeiros. Apenas 20% da produção dos veículos é voltada ao transporte de passageiros.

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