Divulgação
Divulgação

Empresa cria canal para vender bebida brasileira na China

Empresários do sul criam em Xangai central de degustação e vendas desses produtos

CRIS OLIVETTE, OPORTUNIDADES,

26 de novembro de 2012 | 13h20

 Com investimento de R$ 1 milhão, o empresário João Paulo Sattamini criou a Brasilbev e a fórmula do primeiro energético orgânico brasileiro, batizado de Organique. “A ideia de fundar a Brasilbev surgiu durante um MBA que fiz na Espanha. O projeto era sobre um café orgânico premium, produzido no Brasil para ser vendido na Europa, e acabei ganhando o prêmio de melhor projeto do curso.” 

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

Sattamini diz que depois do MBA, decidiu que iria criar uma bebida orgânica e ‘vender’ o Brasil para o mundo. De volta ao País, contratou uma equipe de profissionais e iniciou as pesquisas. “Desenvolvemos mais de 50 fórmulas até chegar à ideal, que leva guaraná, açaí e erva mate.”

Seu desejo de ‘vender’ o Brasil para o mundo começou a virar realidade ao ser convidado pelo casal Tânia Caleffi e Antônio João Freire para incluir o energético Organique no ‘menu’ do Brazilian Gate, um portal de entrada para a comercialização de produtos brasileiros na China. 

Tânia conta que em 2010, ela e o marido levaram alguns produtos para fazer uma espécie de laboratório, montando um showroom para degustação. “O teste durou seis meses. Acontece que a procura foi enorme. Eles queriam comprar e nós só tínhamos amostras. Em 2012, mudamos o formato e nos tornamos importadores.” Desde então, o casal facilita a entrada e comercialização dos produtos brasileiros.

Instalado em um bairro nobre, localizado no coração de Xangai, o Brazilian Gate comercializa bebidas premium e cafés gourmet. “Nós escolhemos os melhores produtos brasileiros em sua categoria e importamos para a China. Cuidamos da documentação, registro na alfandega e contato com os distribuidores, que abrem o caminho para os canais de vendas.” 

Ela afiram que criar o showroom rendeu boa mídia espontânea. “Estamos aparecendo nas revistas e ganhando divulgação boca a boca, que é super importante.” O retorno do Brazilian Gate na operação do café-bar chega a 20% e no atacado 15%. 

O empresário Eduardo Bier Corrêa, dono da marca de cervejas artesanais DaDo Bier, considera a oportunidade fantástica. “O Brazilian Gate nos permite olhar a China com outra perspectiva. Enquanto o mundo sofre com a invasão de produtos chineses, a Tânia e o Antônio enxergaram uma via inversa. Eles aproveitam o momento em que a marca Brasil e a nossa economia, que hoje é a sexta maior do mundo, estão em evidência no cenário internacional.” 

Corrêa acrescenta: “Estamos no início do processo, mas como a receptividade está sendo excelente, vou aguardar o aumento das exportações. No futuro, existe a possibilidade de produzirmos na China.” O empresário ressalta que o mercado interno chinês é gigantesco e concentra a maior população de novos ricos do mundo. “Lá, as cidades pequenas têm oito milhões de habitantes. Tudo é muito grande, novo e interessante. 

Segundo Tânia, os chineses ainda são imaturos em relação ao consumo. “Eles se preocupam muito em consumir o que dá status e o que está sendo comentado. Bebidas do novo mundo, como eles chamam, estão com boa aceitação.”

Fundada em 1948, a Cachaçaria Weber Haus é uma empresa familiar que produz mais de dez tipos de cachaças e também está entrando na China, por meio do Brazilian Gate. Evandro Weber, um dos proprietários, conta que esteve no país há dois meses e pôde constatar a aceitação que seus produtos têm. 

“Eles gostam muito de drinques e de destilados finos, como cachaças envelhecidas.” Ele diz que para os chineses a bebida não é forte. “Os habitantes tomam um destilado feito de arroz com 54% de teor alcoólico, enquanto o teor de nossas cachaças é, no máximo, de 40%.” Para Weber, a proposta é bem sucedida porque faz o caminho inverso. “Todos trazem produtos de lá e nós estamos levando.” 

O espaço Brazilian Gate, complementa a proposta da Shanghai Trends, empresa formada por Tânia e Freire junto com os sócios e investidores Sergio e Thiago Madalozzo, pai e filho, respectivamente. “Nosso objetivo é identificar parceiros comerciais brasileiros para atuarem na China”, diz Sergio Madalozzo. 

Até o momento, segundo ele, o investimento foi de US$ 750 mil e inclui a implantação do espaço Brazilian Gate em Xangai, a contratação de pessoal, instalação de um escritório nessa cidade e outro em Dongguan e a montagem dos estoques. 

Em 2013, diz ele, o negócio deve chegar a Beijing e provavelmente a Chengdu. “Estaremos instalados nos quatro grandes polos urbanos da China.” Madalozzo conta que seu filho é chef e morava em Paris. “Agora, ele está na China e é o responsável por fazer o café bar lounge acontecer. O Thiago criou um menu sofisticado de pratos brasileiros para harmonizá-los com as bebidas vendidas no local.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.