João Gelo/HTS
João Gelo/HTS

Empresa busca bolsas nos EUA para brasileiros bons de bola

Estruturada desde o ano passado, a HTS já realizou seletivas em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Campo Grande

Alessandro Lucchetti, Especial para O Estado

05 de maio de 2017 | 06h00

Não é fácil conciliar estudos e a tentativa de fazer carreira no futebol profissional. Histórias semelhantes ao caso de Sócrates, que se formou médico antes de se transferir para o Corinthians, e Zenon, formado professor de Educação Física no ano seguinte àquele em que se sagrou campeão brasileiro pelo Guarani, escasseiam à medida em que as décadas avançam, tendo em vista o nível de exigência e dedicação que o futebol exige.

Rafael Nava Ferreira, jogador em categorias de base do futebol de campo e de futsal que rodou por Palmeiras, São Paulo, Nacional e Círculo Militar, deparou-se com o dilema "estudo ou futebol" aos 15 anos de idade. Estava no Corinthians, e a diretoria amadora exigia que ele se dedicasse ao futsal no período matutino e ao futebol de campo no vespertino, sobrando o noturno para os estudos. "Meu pai não permitiu, e tive que sair do Corinthians. Foi muito frustrante", diz o empresário, hoje um dos sócios da HTS (High Talent Sports), empresa que se propõe a facilitar o acesso de garotos bons de bola a bolsas de estudo em universidades norte-americanas.

O próprio Rafael usou o talento futebolístico para estudar nos EUA: obteve bolsa na Embry-Riddle Aeronautical University, no Arizona, graduando-se no curso de administração. A formação foi importante para administrar a Açoforte, negócio de sua família. 

Percebendo que havia uma oportunidade empresarial, Rafael se associou a dois outros amigos que obtiveram bolsas nos EUA graças ao dom futebolístico para fundar a HTS, que tem como garoto-propaganda Lucas Moura, meia do PSG.

Funciona assim: a empresa realiza peneiras (que prefere chamar de seletivas) para avaliar o nível de destreza dos candidatos com a bola. Segundo Rafael, de 80% a 90% daqueles que se inscrevem têm nível para aspirar a algum percentual de bolsa em algum curso universitário nos EUA. Estruturada desde o ano passado, a HTS já realizou seletivas em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Campo Grande.

Após passar por esse crivo esportivo, o aspirante a bolsista tem seu preparo físico e acadêmico analisado. Para poder ser aquinhoado com uma bolsa, deverá atingir uma pontuação mínima no teste de inglês TOEFL e no SAT (que avalia o preparo escolar acumulado até o ensino médio). A HTS o orienta a correr atrás do preenchimento das lacunas, indicando até mesmo professores particulares.

Em palestras com os pais, a empresa lhes pergunta qual seria o teto de investimento com o qual se comprometem a arcar para manter o filho estudando por um ano nos Estados Unidos. No primeiro ano, estudar nos EUA pode custar entre US$ 20 mil e US$ 80 mil. Com o decorrer do tempo, os percentuais de bolsa podem aumentar. "Vamos dar um exemplo: caso a família esteja disposta a investir até US$ 12 mil por ano, fazemos um mapeamento para verificar em qual universidade o rapaz pode conseguir uma bolsa que torne possível que estude nos Estados Unidos", diz Rafael.

A HTS está de olho nas 2,5 mil universidades norte-americanas que oferecem bolsas atreladas a desempenho esportivo. Há um total de 150 mil bolsas esportivas distribuídas anualmente, sendo 23 mil para jogadores de futebol. E, nesse universo de 23 mil, 56% são para jogadoras. Por esse motivo, a HTS organiza seletivas para as atletas também.

A empresa cobra R$ 15 mil de cada boleiro(a) aprovado na seletiva e que esteja disposto a contar com a estrutura da HTS para mirar numa bolsa compatível.   

Dividindo seu tempo entre o trabalho na Açoforte e na Cimentoforte, outra empresa da família Nava, Rafael tem carinho especial por seu negócio atrelado à maior paixão dele, o futebol. "Vender aço e cimento é difícil, é meu ganha-pão. Já a HTS me dá muito prazer. A gente ajuda a transformar a vida dos meninos e meninas que vão estudar nos EUA, muitas vezes com bolsa integral. O retorno que terão é impagável, e os pais reconhecem isso. Muitos irão aos Estados Unidos, vão se formar e boa parte não voltará a viver no Brasil. Utilizar o futebol como ferramenta, priorizando a formação acadêmica, é um caminho que eu segui e recomendo".

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