Celio Messias/Estadão
Celio Messias/Estadão

Empresa brasileira fatura R$ 1,4 milhão com fabricação de avião não tripulado

Modelo vendido por Giovani Amianti é usado na agricultura para, por exemplo, monitorar a incidência de pragas na lavoura

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de maio de 2013 | 07h20

O engenheiro mecatrônico Giovani Amianti, sócio da XMobots, tem 30 anos de idade, oito de profissão e gosta de falar que, até hoje, não fez outra coisa na carreira a não ser estudar e projetar drones, aviões que dispensam a necessidade de pilotos e que, no Brasil, também são conhecidos como veículos aéreos não tripulados (Vants).

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Muito comentado nos Estados Unidos, que no momento estuda uma legislação para integrar essas aeronaves ao espaço aéreo local, o mercado ainda é incipiente no Brasil. Mas não ao ponto de arrefecer o ânimo do empresário, que após embolsar R$ 1,4 milhão nos últimos 12 meses com os dois modelos desenvolvidos pela empresa, espera dobrar o faturamento a partir do lançamento da terceira geração de Vants a ser vendida ainda neste ano. A expectativa positiva gira em torno da inovação tecnológica do produto, o primeiro no Brasil com decolagem e aterrissagem automáticas.

“Tudo foi desenvolvido por nós e, por ter pouso e decolagem automáticos, esse novo vant tem um mercado para ser fabricado e comercializado em larga escala”, afirma Amianti, que vislumbra entre os potenciais clientes os agricultores de precisão, que empregam seus aviõezinhos para sobrevoar lavouras várias vezes por semana à procura de pragas, além de empresas de monitoramento, de mapas e de topografia.

“O Echar (nome do novo drome) é um equipamento de seis quilos que qualquer pessoa com cinco dias de treinamento consegue operar, é bem menos que as três semanas de curso para nossos outros produtos. Isso abre a possibilidade do usuário comum, topógrafos e engenheiros, agrônomo, ambiental ou fiscal, poderem utilizar essa tecnologia”, aponta o empreendedor, que começou a estudar o assunto no segundo ano do curso de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e, em 2007, investiu R$ 150 mil com dois sócios para fundar a XMobots.

“Depois que lançamos o Nauru 500 em 2012, que foi uma evolução de nosso primeiro Vant e é a base para o Echar, vendemos sete unidades. Agora, abrimos a pré-venda para o Echar em maio e já temos três pré-vendas. Nosso plano é vender dez aeronaves ainda neste ano”, conta Amianti, projetando um volume que, se confirmado, seria o melhor resultado já obtido, em faturamento, por um fabricante nacional de dromes – o mercado reúne cerca de cinco representantes.

Demanda. A estimativa é coerente, na visão do coordenador adjunto do curso de aviação civil da Universidade Anhembi Morumbi, Volney Gouveia. Para ele, há uma demanda crescente pelas aeronaves no mercado nacional, sobretudo no agronegócio e entre empresas de energia. Contudo, é justamente o desafio da escala e da capacidade de garantir uma assistência técnica eficiente o que pode frear o avanço de empresas como a XMobots.

“Eu acho que o Vant veio para ficar. Ele acaba proporcionando uma possibilidade bem ampla de atividades por um custo menor. Mas o nosso grande desafio vai ser assegurar para o mercado uma base de monitoramento e de assistência que permita gerar escalas para o setor”, destaca o professor.

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