Paulo Liebert/Estadão
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Empresa alia saúde e inovação para faturar R$ 7 milhões

Com investimento de R$ 1 milhão, empresa criou tecnologia para monitorar portadores de doenças crônicas

Gisele Tamamar, Estadão PME,

26 de dezembro de 2012 | 12h59

Ao aliar conhecimentos médicos e tecnológicos, a Unit Care Saúde pretende ganhar mercado com um sistema de monitoramento remoto de pacientes crônicos. Os próprios usuários usam os aparelhos em casa para medir pressão sanguínea e nível de glicemia, por exemplo, e os dados são enviados para uma central de monitoramento 24 horas. A expectativa da empresa é faturar R$ 7 milhões em 2013, o dobro do esperado para 2012.

A empresa existe desde 2011, mas a plataforma de telemedicina começou a ser vendida em março de 2012, após investimento de R$ 1 milhão no desenvolvimento da tecnologia em parceria com a empresa i9access.

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A plataforma tem sete equipamentos, e as medições diárias são enviadas para um tablet e monitoradas pela central, onde uma equipe faz o acompanhamento e pode até acionar uma ambulância em caso de emergência. Os dados também podem ser acessados pela internet por profissionais autorizados. “O objetivo não é substituir a consulta médica, mas sim complementar o atendimento, oferecendo uma orientação de qualidade à distância”, diz o presidente da Unit Care, Luiz Tizatto, de 30 anos.

De acordo com o executivo, a tendência é que o paciente comece a se cuidar mais após quatro semanas de adesão. “Algumas doenças como hipertensão e diabetes são silenciosas. A pessoa não dá muita bola. Mas, quando ele começa a ver as medições em gráficos, adota atitudes preventivas”, pontua Tizatto.

No tablet, o paciente ainda pode assistir a vídeos com dicas de saúde e fazer parte de uma rede social na qual pacientes com as mesmas doenças trocam experiências. A mensalidade para instalar os aparelhos e fazer o monitoramento custa entre R$ 300 e R$ 500, de acordo com os equipamentos escolhidos.

Atualmente, a Unit Care atende 115 pacientes na Grande São Paulo e espera ampliar esse número para 500 no ano que vem. Para Tizatto, o monitoramento à distância é uma tendência mundial no segmento de saúde porque melhora a qualidade de vida, reduz custos e previne de forma efetiva as doenças crônicas. A plataforma de telemedicina rendeu à Unit Care, inclusive, a premiação de melhor projeto-piloto em saúde no Connected World Forum, realizado em novembro nos Emirados Árabes Unidos.

A Unit Care também tem outras frentes de atuação, como um serviço de call center com enfermeiras para dar dicas de primeiros socorros, operação de home care de alta complexidade e consultoria sobre gestão em saúde e telemedicina.

Saúde participativa

O professor de estratégia do Insper, Mário Kojima, explica que, apesar da criação de novos produtos na área da saúde, em geral a experiência do paciente continua a mesma ou até pior. Dentro desse conceito, negócios como a Unit Care ganham destaque porque trazem uma mudança no papel do consumidor, que deixa de ser passivo para ser ativo.

Segundo Kojima, o consumidor é beneficiado por três fatores com essa tecnologia. O primeiro é o acesso à informação. O segundo é pela visão global, já que uma rede de profissionais tem acesso ao prontuário do paciente, e não só o médico responsável. O terceiro é a experimentação por procuração. Com uma base de dados formada, as experiências bem sucedidas podem ser transferidas para outras pessoas em tratamento.

Mas para dar certo, o negócio precisa prestar atenção em quatro pontos: manter um diálogo empático, priorizar o acesso ao conhecimento, ter uma avaliação de risco clara e cuidar sempre da transparência com o usuário. “Como a empresa lida com esses quatro pontos é o que vai determinar se ela terá ou não sucesso. Pode ser uma ótima tecnologia, mas se o empreendimento não prestar atenção a esses pontos não terá adesão das pessoas”, diz Kojima.

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