Para Morongo, cenário econômico serve para sair da zona de conforto
Para Morongo, cenário econômico serve para sair da zona de conforto

Empreender é viciante, diz fundador da Mormaii

Para Morongo, cenário econômico atual é mais um pontapé para evoluirmos

Gisele Tamamar, Estadão PME,

01 de fevereiro de 2016 | 07h40

A gestão da Mormaii foge do modelo tradicional do que se vê no mercado. E isso se deve a própria figura do sue fundador, Marco Aurélio Raymundo, o Morongo. Médico, ele saiu do Rio Grande do Sul e foi buscar uma vida diferente em Santa Catarina. A ideia era prestar atendimento de saúde para a comunidade da região e também aproveitar as ondas de Garopaba para surfar.

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Já os negócios começaram quando a roupa de neoprene confeccionada por Morongo para enfrentar a água gelada do mar no inverno começou a despertar o interesse de compradores. Hoje, a marca estampa desde a roupa de neoprene até chinelos, relógios, roupas e até carros.

O empreendedor respondeu as perguntas do Estadão PME sobre o modelo de gestão da empresa e qual sua avaliação do cenário econômico. Confira a seguir:

Qual a sua rotina na empresa. Ou melhor, você tem uma rotina?

Aqui na Mormaii não temos muita rotina, o trabalho é dinâmico e pelo perfil da empresa todo dia temos coisas novas acontecendo por aqui. Em um dia recebemos um grupo de estudantes para bater um papo bacana e em outro recebemos um banco de investimentos para um assunto um pouco mais sério. A rotina dentro de algo que se faz com amor tem um sentido diferente... se tenho rotina nem percebo.

A Mormaii é conhecida por não ter uma gestão tradicional da maioria das empresas. Como é feita a gestão da Mormaii?

Essa é uma pergunta bastante comum feita para nós. Nossa gestão é aberta, as pessoas têm suas responsabilidades e sua liberdade para atuar na empresa da forma que elas acharem mais adequado, confiamos plenamente em todos. Quero pessoas felizes dentro da empresa e quero que elas pensem dessa forma também em relação a mim e aos colegas deles. Teorizar a nossa gestão é um pouco complicado. Aqui tem um pouco de cada colaborador, somos como um corpo humano que é cheio de outros seres vivos que trabalham de forma simbiótica para se manterem vivos. Nos ajudamos e a Mormaii nos retribui com recursos para cumprirmos nosso papel como seres humanos vivendo em sociedade, elevando nosso nível de consciência, afinal de contas eu acredito que é esse o motivo de estarmos aqui. Deixando claro que essa é minha verdade, não é lei nem uma regra. É preciso sempre respeitar a verdade de todos.

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Qual a importância dessa gestão para o sucesso da empresa?

A nossa gestão é parte crucial da marca. A Mormaii é isso, caso um dia aconteça da nossa equipe toda se ausentar e uma outra gestão entre e tente mudar tudo, eu acredito que a marca comece a morrer. A Mormaii somos nós e nós somos a Mormaii também. Somos nós quem damos personalidade a ela. A Mormaii é intangível, mas as pessoas que trabalham aqui são de carne e osso. A Mormaii é a externalização desse conjunto de personalidades que aqui estão.

Como sua formação como médico ajudou na vida de empresário?

Ajudou de forma a eu ter um perfil mais humanista. Não sou muito ligado a números, isso eu deixo para quem entende da área financeira. Me foquei mais no ser humano do que na parte técnica de gestão e deu certo. Afinal de contas empresas são feitas de pessoas, e na Mormaii não é diferente. Deixando claro que não só minha formação de médico ajudou nisso, se eu não tivesse pessoas que entendessem das outras áreas que são vitais para a Mormaii, nós nunca teríamos chegado aqui.

Entre tantos desafios que enfrentou ao decidir abrir uma empresa, algum marcou mais? Já pensou em desistir?

Todos os desafios são marcantes, são aprendizados sempre. Sendo eles bons ou ruins. E em relação a desistir, sou um ser humano e tenho meus dias ruins, mas é só uma sessão de surf ou uma noite bem dormida e tudo passa. Voltamos com pilha total sempre!

Qual é o modelo de negócios da Mormaii? Qual o faturamento da empresa?

Hoje não temos lojas próprias, são em torno de 40 franquias e 40 licenças e dezenas de segmentos, cada licença focada em um segmento. O faturamento é algo importante e crucial para empresa, afinal de contas precisamos permanecer vivos e o dinheiro nesse caso é vital. Entretanto, faturamento é uma medida absoluta que não mede nem a saúde da empresa nem os índices de satisfação de seus colaboradores.

Seria mais racional avaliarmos as empresas ou países não somente pelo crescimento dos seus faturamentos ou PIB’s, mas incluir outros parâmetros como realização plena e flexibilidade de horários, tempo para família e lazer, enfim, qualidade de vida. Resumindo as avaliações podem ser quantitativas mas também devem contemplar os parâmetros qualitativos.

Hoje, ser empreendedor é o sonho de muitas pessoas. Qual o conselho você pode dar para quem pretende empreender no Brasil?

Empreender é tornar sonhos em realidade. Eu indico a todo mundo empreender. Claro que com os pés no chão, sem maluquice pra não transformar esse sonho em pesadelo. O empreender é viciante. Conheço pessoas que empreendem e quando concretizam o feito, perdem o “tesão” pela coisa. Empreender é vital para evoluirmos como espécie. Imagina se até hoje fôssemos coletores, fazendo fogo batendo pedrinhas e achando que isso fosse o suficiente. Como espécie não podemos cair na zona de conforto jamais e para isso empreender é necessário.

Já pensou em morar fora do Brasil? Por quê?

O Brasil é um país maravilhoso, eu moro em um paraíso chamado Garopaba junto da minha família e amigos. Se não for feliz com isso, não vai ser fora do Brasil que vou encontrar a felicidade. Eu tenho, com a graça divina (divina independente do Deus que for) a possibilidade de viajar bastante, existem lugares maravilhosos nesse mundo, mas aqui está bom demais"

Qual a sua avaliação do cenário econômico atual? A crise está afetando os negócios da Mormaii?

O cenário econômico atual é mais um pontapé para evoluirmos. Claro que tem muita gente sofrendo com isso e muitas empresas também. Mas serve para sairmos da zona de conforto e serve como aprendizado também. Muitos dos erros cometidos para que chegássemos a esse ponto, não serão mais cometidos, pelo menos assim eu espero. E quem “sobreviver” a esse caos, vai se divertir em tempos de calmaria, de forma mais estruturada e madura.


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