Thor Unamar/Divulgação
Thor Unamar/Divulgação

Empreendedorismo na estrada: Dutra tem até fazenda de jacaré

Rodovia que liga as duas principais cidades do País é palco de negócios tradicionais e iniciativas bem peculiares

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de novembro de 2013 | 12h20

A Rodovia Presidente Dutra, que interliga as duas principais cidades brasileiras ao longo de seus 402 quilômetros de curvas, subidas e descidas, pavimenta pelo caminho não só histórias de viajantes, mas também as esperanças de muitos pequenos e médios empresários.

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Deixando para lá os infindáveis postos de gasolina que praticamente se sobrepõem da saída de São Paulo até a chegada ao Rio, são pelo menos 30 empreendimentos instalados às margens da pista. Parte deles atendem à lógica do negócio de beira de estrada, com serviços de alimentação rápida e acomodação para motoristas cansados. Mas durante o percurso há espaço para as ideias inusitadas. E na Dutra elas são várias.

Partindo no sentido do Rio, a viagem logo adquire seus contornos em Arujá, quando se ultrapassa o primeiro dos sete pedágios programados até o fim do percurso. Neste ponto, o motorista deixa para trás o acinzentado das fábricas instaladas em Guarulhos e passa a ser constantemente tentado a parar em uma das casas especializadas em milho verde e suas múltiplas possibilidades. Há quatro desses estabelecimentos.

O nicho do milho na beira da estrada ganhou notoriedade na década de 1970 por meio do trabalho de Toninho da Pamonha, o mítico boia-fria paulista que se tornou empresário, político e fazendeiro, exatamente nessa ordem.

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Nessas casas, um copo de suco de milho custa R$ 5. Mas o estacionamento vazio do Chalé da Pamonha, que dá início à sequência, indica que os clientes não andam tão interessados na iguaria. “Isso aqui anda parado assim todo santo dia. Acho que o povo acha caro pagar R$ 5 num suco”, revela a vendedora, que prefere não se identificar. “Melhor falar com o patrão. Mas ele saiu”, desconversa.

Tudo bem. A uns 40 quilômetros dali tem gente disposta a conversar. A dupla José e Charles Yoshitomi, pai e filho, reveza-se na gerência da Cactolândia, um espaço de 40 mil metros quadrados. Como o nome diz, lá o negócio é o cacto. E uma espécime pode custar R$ 400, dependendo do tamanho e idade. “O mais antigo tem exatamente a idade da Cactolândia, 50 anos”, afirma Charles, que é físico por formação. “A gente recebe principalmente o fluxo da Dutra. Mas no final de semana tem gente que vem só para nos visitar”, garante.

Inaugurada em 19 de janeiro de 1951, há 17 anos a Dutra opera sob concessão da CCR NovaDutra. Segundo a empresa, são realizadas 873 mil viagens diariamente na rodovia, mas apenas 46% dos caminhões ou 10% dos veículos realizam o percurso do início ao fim. A maior concentração dá-se nas extremidades, devido à proximidade dos trechos com as capitais.

Assim, dá para afirmar que pouca gente que coloca o carro no início da Dutra passa, de fato, pelo Rancho Cafalloni, em Pindamonhangaba, onde uma placa discreta grudada à cerca informa que, ali, “vende-se cavalos e vacas Girolando”.

Dentro do haras, Reginaldo Cafalloni exibe orgulhoso os documentos que comprovam que uma de suas vacas, atual campeã brasileira da raça, é capaz de produzir 73 litros de leite por dia. “Um bicho desses não vendo por menos de R$ 50 mil”, diz ele, que há oito anos deu início à criação e, hoje, conta com 150 vacas e 40 cavalos da raça Quarto de Milha. Trata-se de uma notícia bem interessante para Silvia Caminato, que não anda de cavalo, mas vê com bons olhos as vacas leiteiras.

A empresária administra uma fábrica de chocolates pouco antes da entrada de Penedo, já no estado do Rio de Janeiro. Silvia chegou na cidade em 1983 junto com o marido. Quatro anos depois ela abriu sua primeira chocolateria, puxando a fila do nicho que hoje é tradição no local. “Nossa fábrica é estratégica. Pega o cliente antes dele entrar em Penedo.”

Bolsa e carne. Mas o ponto alto do passeio, definitivamente, o viajante alcança apenas em Barra Mansa, antes de chegar ao restaurante alemão Casa do Fritz ou de acessar as famosas barracas de banana na Serra das Araras. Com o nome insuspeito de Projeto Arurá, o veterinário Glenn Collard mantém na altura do km 261 um espaço de criação para 1,2 mil jacarés.

Todos os meses, entre 30 e 40 animais são abatidos pelo empreendimento. O filé de calda, a parte nobre do bicho, chega a ser vendido por R$ 45 o quilo. A pele segue para empresas de confecção onde é matéria-prima para bolsas e botas.

“A carne é ótima, mas além disso mantemos um museu aberto ao público. É só ligar e vir nos conhecer”, convida Glenn Collard, que já atua há seis anos no ramo

 

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