Peter Stevenson/The New York Times
Peter Stevenson/The New York Times

Empreendedores recebem aconselhamento sobre seus negócios em divã virtual

Maior empresa de aconselhamento em grupo do mundo lança serviço na web para empreendedores

Ian mount, the new york times,

28 de maio de 2012 | 14h04

 Numa terça-feira recente, logo após o meio-dia, o Dr. Penn Moody, optometrista e proprietário da ótica Moody Eyes foi o primeiro a apresentar um problema no grupo de aconselhamento. Aos colegas empresários, ele contou que, há pouco tempo, expandiu os negócios de sua ótica. Agora, estava com dificuldades para equilibrar as consultas médicas com as vendas de óculos.

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Ao ouvir o relato, Chris Ronzio, fundador da Event Video Company, de Beverly, Massachusetts, sugeriu que Dr. Moody oferecesse mais serviços VIP. Um fabricante de equipamentos médicos aconselhou o empresário a enviar seus funcionários para visitarem concorrentes bem sucedidos. E um consultor de empresas da Carolina do Norte, Marty Clarke, opinou que, se cada pessoa que entrasse na ótica redigisse uma lista do que queria, os funcionários poderiam se concentrar mais nas consultas do que nas vendas.

As sugestões foram bem acatadas pelo Dr. Moody, 61 anos. Quando o coordenador do grupo lhe perguntou que medidas ia adotar, ele disse que já estava enviando seus funcionários para visitar alguns concorrentes e que reavaliaria os primeiros cinco minutos de interação entre seus atendentes e clientes. Logo depois, os participantes se despediram, encerraram a plataforma de conferências na Internet que usaram para se reunir e retornaram ao trabalho.

Em grupo. Administrar uma pequena empresa pode ser um trabalho solitário. Nas últimas décadas, proprietários e diretores executivos de empresas têm aderido cada vez mais aos chamados grupos de aconselhamento entre pares. Hoje existem muitos desses grupos, incluindo o The Alternative Board, Entrepreneurs' Organization, Vistage International e Women President's Organization. Acredita-se que o primeiro foi fundado em 1957, quando Robert Nourse, empresário de Milwalkee, criou o The Executive Committee, que ficou conhecido mais tarde como TEC.

Não surpreende que as sessões de aconselhamento sejam similares a uma terapia em grupo para pessoas de sucesso. Nas sessões estruturadas, os empresários se alternam para apresentar os problemas de sua empresa para seus colegas, cerca de uma dezena deles, também proprietários de empresas locais, mas não concorrentes. Os ouvintes, por sua vez, auxiliam o empresário a elaborar um plano para solucionar seus problemas.

Esse modelo de "terapia presencial", no entanto, apresenta algumas limitações. Exige que os membros vivam numa área com número suficiente de proprietários de empresas interessados em formar um grupo. É preciso ter tempo, porque os encontros mensais chegam a durar um dia inteiro, com sessões de acompanhamento adicionais. E também é necessário que os interessados estejam dispostos a investir, já que participar do grupo custa em média US$ 10 mil por ano - ou mais.

Mas agora os grupos de pares estão recorrendo à internet. Há cerca de dois anos, a Vistage, antiga TEC, desenvolveu uma plataforma na web. Com mais de 15 mil membros em 15 países, a Vistage é a maior das empresas de aconselhamento com fins lucrativos.

Quando iniciou o projeto, a empresa queria resolver dois problemas: "Oferecer um serviço de aconselhamento entre empresários que não dependesse da geografia e que tivesse menor custo", comentou Casey Jones, gerente -geral do serviço online desenvolvido pela companhia.

Sala virtual. Foi criado então o Vistage Connect, aberto ao público em abril depois de seis meses de testes. O serviço reúne rede social, biblioteca e plataforma de conferências. Durante a reunião em que o Dr. Moody apresentou seu problema, cinco chefes de empresas de cidades tão distantes quanto Boston e Houston se inscreveram para uma sessão de duas horas. Numa "sala virtual" própria para imitar a experiência ao vivo de um grupo de empreendedores, eles se juntaram a um coordenador da Vistage em Chicago, um representante da Vistage em San Diego e Marty Clarke, consultor empresarial na Carolina do Norte. À medida que cada um falava, sua imagem no vídeo aparecia no alto do lado direito da página, e no lado esquerdo da tela eram mostrados slides relacionados ao assunto em discussão.

Numa animada troca de ideias, o Dr. Moody apresentou suas dificuldades. A sessão ajudou-o a estabelecer metas diárias para alcançar os três objetivos que ele introduziu e começou a rastrear na aba "Meus objetivos": definir o modelo de marketing, o modelo operacional e reunir dados apropriados para o planejamento estratégico.

Durante uma semana, Dr. Moddy trabalhou com base nas várias sugestões. Os funcionários da Moody Eyes não pediram mais aos novos clientes que preenchecem uma ficha médica de duas páginas repleta de jargões jurídicos. Em vez disso, preenchem uma lista classificando seus interesses em 12 áreas, desde glaucoma até óculos de sol. "Mudou todo o diálogo", disse o Dr. Moody.

O empresário também redefiniu a proposta de valor da sua ótica, que agora define como cuidados personalizados para os olhos. Embora seja muito cedo para avaliar se o novo enfoque está melhorando as vendas, ele acha que sim. "A experiência de todos agora é mais positiva e personalizada. Acho que, com o tempo, isso vai se traduzir em melhores vendas".

Pequenos. Até agora a Vistage Connect vem atraindo pessoas ligeiramente diferentes do que outros grupos da Vistage. A Connect exige que os empresários tenham receita mínima de US$ 500 mil ao ano, em vez do US$ 1 milhão pedido pela Vistage. Isso abriu a possibilidade de participação aos pequenos empresários. Está também atraindo donos de empresas mais jovens, disse Jones. Ele não quis fazer projeções de crescimento, mas afirmou que 200 executivos aderiram ao grupo durante o primeiro mês de inscrições abertas.

Para fazer parte da Vistage Connect, é preciso desembolsar de US$ 3,6 mil a US$ 6 mil por ano (dependendo do uso) - bem menos do que os US$ 13 mil anuais pela inscrição num grupo presencial da Vistage. E como os membros podem escolher as sessões a qualquer tempo, conseguem ajuda rapidamente em vez de esperar por uma reunião mensal. Sessões mais curtas também se adaptam melhor aos empresários com agenda carregada.

"Consigo mais em duas horas com o Vistage Connect do que nas oito horas com meu grupo ao vivo", disse John Robinson, 42 anos, consultor de empresas em Scottsdale, Arizona, que também é executivo de várias empresas por meio da sua companhia a Backup CEO. Recentemente ele fez uma pausa no Vistage ao vivo para se concentrar na versão online. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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