Marcos Mendes/Estadão
Marcos Mendes/Estadão

Empreendedores apostam no suco pronto saudável e (muito) lucrativo

Brasileiros consumiram 367 milhões de litros da bebida e movimentaram R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre deste ano

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

30 de outubro de 2013 | 07h40

O apelo saudável dos produtos e a busca das pessoas por praticidade fez o consumo de sucos prontos crescer no Brasil. Melhor: essa combinação criou também oportunidades para empreendedores dispostos a investir no próprio negócio. Dados na consultoria Nielsen mostram que foram vendidos no País 367,6 milhões de litros de suco só no primeiro semestre, 9,8% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. A alta no faturamento foi ainda maior: 15,7%, de R$ 1,490 bilhão para R$ 1,724 bilhão.

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Mas não se trata de uma categoria fácil. Cinco fabricantes dominam atualmente 60% do mercado. Mesmo assim, para quem estiver disposto a enfrentar grandes concorrentes, o segredo do sucesso é encontrar um poderoso diferencial.

“É uma categoria superpositiva. Se fosse para destacar, entre todas as categorias da Nielsen, onde estão as oportunidades, a de sucos prontos com certeza seria uma delas”, afirma Stephanie Biglia, analista de mercado da consultoria.

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Exemplos. Depois da caipirinha congelada, o empresário Ricardo Ermírio de Moraes decidiu investir na Natural One. O diferencial da marca, recém-lançada, é um suco integral que passa por um processo de pasteurização a frio para preservar as propriedades da fruta. “O grande desafio dentro do mercado é mostrar para o consumidor qual a diferença de um néctar, do suco integral, de uma bebida mista e do suco concentrado”, afirma o diretor da Natural One, Adriano Kowalesky.

Para atingir esse objetivo, a empresa estampa nas embalagens a quantidade exata de frutas usadas – um recipiente de quatro litros contém 56 laranjas, nada de suco concentrado. O produto também ocupa as gôndolas refrigeradas dos supermercados.

Atualmente, a Natural One trabalha com embalagens de 175 ml a 10 litros e pretende lançar linhas de smoothies, bebidas para desintoxicação, conhecidas como detox, e sucos para atletas. O empreendimento ainda quer trabalhar com exportação e vendas para hotéis, navios e companhias aéreas.

Bianca Franchini, Isabela Ferrantte e Juliana Henrique também entraram na onda dos sucos. Designer e fotógrafa, Isabela morava em Nova York e voltou para o Brasil encantada com o cold pressed juice, ou suco prensado a frio. Isabela era muito próxima da também designer Bianca, que por sua vez é amiga da médica Juliana. Em comum as três tinham a vontade de empreender.

“O Brasil tem uma matéria-prima rica. Para a gente não é novidade fazer suco natural. Só faltou esse ‘insight’ de engarrafar isso”, destaca Bianca. Com um investimento de R$ 90 mil, elas abriram a Uuulalá no fim do ano passado. A marca vende seis tipos de sucos detox e usa os mais variados ingredientes – do morango ao pepino.

As garrafas de 500 ml custam entre R$ 15,50 e R$ 18,50 e são entregues na casa dos clientes de São Paulo ou vendidas em lojas da rede Mundo Verde. Em média, a Uuulalá comercializa 10 mil garrafas por mês.

Experiência. A sucos “do bem”, assim, escrita com letras minúsculas mesmo, já está no mercado desde 2007 com produtos naturais e sem conservantes vendidos em embalagens Tetra Pak. A empresa enxergou o potencial dos chamados sucos verdes e vai lançar o Detox Monstro, feito com maçã, pepino, couve, limão, gengibre e hortelã. A do bem demorou 14 meses para aplicar a tecnologia usada nas frutas para o processamento de legumes e verduras.

“As pessoas estão começando a entender que o mais importante não é só olhar a caloria na informação nutricional, mas também as fibras, proteínas e vitaminas que a bebida tem”, afirma o fundador da empresa, Marcos Leta.

O empresário Edson Mazeto Júnior destaca-se no setor com a Juxx. Ele trabalhava como gerente de uma multinacional que trouxe o suco de cranberry para o Brasil. Como o produto não deu o retorno esperado, a empresa aceitou vender a operação para Edson, que desembolsou, em 2007, R$ 2 milhões. Ele então adaptou o produto para o paladar brasileiro, começou a fazer divulgação para a área médica e mudou o conceito de distribuição – passou a atender de grandes redes até o consumidor final. Deu certo.

Agora, a Juxx tem o desafio de enfrentar a concorrência. “Há dois anos, quando entrou outra empresa que vendia suco de cranberry no mercado, eu fiquei preocupado. Não sabia qual seria a reação do consumidor quando visse um produto mais barato. Mas depois disso, a gente nunca parou de crescer”, afirma Edson. O negócio faturou R$ 12 milhões no ano passado e pretende encerrar o ano com R$ 18 milhões.

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Diferencial

O mercado de suco pronto é consolidado nas classes mais altas. Para fazer sucesso, é preciso buscar algo diferente com apelo saudável.

Potencial

Mesmo assim, as classes média e baixa têm puxado o crescimento da categoria. Antes, o consumo era

esporádico, agora, é crescente.

Canal

Há espaço para o produto nos pequenos varejos que não trabalham com a bebida. Esse é o caminho para chegar nas classes baixas.

Variedade

56,4% dos produtos estão concentrados em embalagens de 801 ml a 1 litro. Há espaço para oferecer outros tamanhos.

Rótulo

O consumidor está de olho nas informações nutricionais e o rótulo precisa trazer toda a comunicação de forma clara.

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