Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Empreendedoras rodam País em Kombi para divulgar negócios

Com o projeto Gira, dez empreendedoras de moda e arte baseadas em São Paulo já foram ao Rio e preparam ida a Belo Horizonte; objetivo é criar rede nacional com negócios locais

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 06h37

A bordo de uma Kombi amarela, dez mulheres juntam seus talentos e negócios para percorrer o Brasil, apresentar seus trabalhos e fortalecer o empreendedorismo feminino. Esse é o objetivo da Gira, iniciativa itinerante que nasceu em São Paulo, já girou pelo Rio de Janeiro e se prepara para o próximo destino em outubro: Belo Horizonte.

A ideia nasceu de uma conversa entre Raiana Pires, estilista da marca Psicotrópica, e Fernanda Lima, joalheira artesanal da Makra. Donas de seus negócios há mais de quatro anos, carregaram Frida, apelido dado à Kombi de Raiana, com produtos e convidaram amigas empreendedoras para ir à Chapada dos Veadeiros, em Goiás, no ano passado. “Conseguimos juntar duas coisas de que gostamos muito: fazer o nosso trabalho e viajar. A viagem deu muito certo, foi rentável e conseguimos conhecer muita gente. Então começamos a conversar sobre ter um projeto mais estruturado”, conta Fernanda.

De forma intuitiva e considerando a admiração pelo trabalho de outras mulheres, em maio deste ano elas convidaram outras empreendedoras para gerir com elas o projeto do começo ao fim. Além das roupas e joias das fundadoras da Gira, os produtos ficam por conta de outras artistas: Graziella Luzini, com papelaria e decoração da Entre Paredes, Amanda Caradori, com cosméticos naturais da Terramor, e Giuliana Machado, com ilustrações da Ododua. A parte cultural é formada pelas cantoras e musicistas Dessa BrandãoSarah Roston e Gavi. Na produção, Lais Cunha gera o conteúdo do projeto, e Luana Francener, 10ª integrante do time, é a responsável por produzir os eventos.

Raiana, Fernanda, Grazi e Gavi se revezam ao volante da Kombi, mas, na hora de resolver os problemas de percurso, como uma bateria arriada a caminho do Rio, em maio, todas se desdobram para fazer Frida voltar a funcionar.

Rede de empreendedoras

Em cada cidade, elas alugam um espaço para montar seus estandes, como o Bloco Casa Olabi, espaço multicultural para eventos e cursos que recebeu a Gira no Rio. Para complementar a grade de produtos e fortalecer o empreendedorismo feminino, o objetivo é formar redes por onde passam.

Na primeira edição, fizeram uma curadoria da cena fluminense e convidaram outras pequenas empreendedoras para expor, como artesãs de roupas, quadros, cerâmicas e bordados, uma tatuadora, uma chefe de cozinha vegetariana e uma marca artesanal de kombucha. “Além das produtoras locais, levamos com a gente na Kombi uma artista convidada”, explica Sarah. Para o Rio, foi de carona a escritora Clara Averbuck, que ministrou uma oficina de escrita criativa para mulheres durante o evento.

Para planejar a próxima viagem, elas definem a cidade após enquetes nas redes sociais com os seguidores. “Como queremos visitar outros Estados, a ideia é ir para as capitais por enquanto”, explica Dessa. Elas planejam uma edição da Gira em São Paulo até o fim do ano, mas confessam que a capital paulista não é uma prioridade, já que veem o mercado paulistano para esse tipo de evento como saturado. Enquanto isso, elas atendem o público de São Paulo pelas redes sociais, sites, lojas revendedoras e ateliês próprios, cada uma com a sua marca.

Mesmo quando estão em conjunto, elas lucram individualmente com a venda dos próprios produtos, mas tiveram de ir em busca de patrocínio para remunerar as musicistas e produtoras.

“O meu trabalho como musicista é diferente de um produto, mas somos empreendedoras também. Na Gira, estamos descobrindo como alinhar isso e deixar a relação o mais horizontal possível”, diz Dessa. No Rio, conseguiram o apoio de uma marca de cerveja para a remuneração destas e de um hostel para a hospedagem de todas. De resto, cada uma tirou dinheiro do próprio bolso para financiar o combustível e a alimentação da viagem.

Para elas, o objetivo é, além de criar uma rede em âmbito nacional e de estimular as conexões locais, também aprender umas com as outras, que antes trabalhavam solitariamente. “Estar com grandes mulheres, a disciplina envolvida e a pré-produção são os maiores desafios e aprendizados. Trabalhar sozinho é difícil, trabalhar com muitas mulheres me fez escutar muito mais”, diz Sarah.

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