Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Empreendedoras brasileiras participam de mostra internacional em São Paulo

Evento gratuito nesta quinta-feira (19) terá transmissão online às 16h em dez cidades e contará com a presença de investidores internacionais

Larissa Gaspar e Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2019 | 13h02

Especial para o Estado

Cinco representantes de startups brasileiras terão oportunidade de apresentar seu modelo de negócio para mil investidores no Women’s International Showcase of Entrepreneurs Day (Mostra Internacional de Empreendedorismo Feminino), a WiSE24, que também debaterá o papel da mulher no empreendedorismo. A mostra ocorre nesta quinta-feira, 19, em dez cidades do mundo, como Tóquio e Nova York, incluindo São Paulo.

Em cada cidade participante, cinco líderes de empresas do país vão apresentar seus modelos de negócios a fim de atrair investimentos. A representante da Women's Startup Lab (WSL) no Brasil, Regina Noppe, foi quem selecionou as cinco empreendedoras que se apresentarão no evento: Sofia Fada (Kriativar), Tatiana Pimenta (Vittude), Mariana Freitas (Sirius App), Monica Saccarelli (Diin) e Paula Gomez (Epistemic).

Para Regina, a WiSE24 dá oportunidade para que startups tornem-se conhecidas pelo mercado e recebam investimentos. "Geralmente, quando se fala em pitch, tem que ter uma vencedora. A intenção da WSL não é competir, é compartilhar para poder criar algo único." Em São Paulo, a mostra ocorrerá no espaço Natura NASP, das 14h30 às 18h. A transmissão online começa às 16h.

Além disso, haverá palestras sobre incentivo a empreendedores locais, elaboração de estratégias de captação de investimentos para startups e onda de inovação. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site da Women’s Startup Lab

Entre os negócios de brasileiras a serem apresentados, a plataforma de saúde Vittude foi criada pela engenheira civil Tatiana Pimenta, de 38 anos, depois de ela ter enfrentado depressão, em 2012, e de seu pai ter sido diagnosticado com câncer, em 2015. Um ano depois, fundou a empresa ao lado do sócio Everton Höpner, para conectar de forma online psicólogos e pacientes.

“As histórias se conectaram porque eu já tinha uma experiência como paciente, tinha passado por algum sofrimento para escolher o profissional e tinha aquela questão: ‘como eu faço online?’”, conta Tatiana. Hoje, a Vittude atende mais de 14 mil pacientes de 50 países e possui cerca de 3 mil psicólogos cadastrados.

Para ela, no Brasil a participação de mulheres em negócios tecnológicos é decorrente de haver menos mulheres em cursos da área de exatas. “Quando falamos de tecnologia, o número de mulheres participando é menos que 20%”, afirma.

Donas do negócio

Além disso, ainda tem a questão das mulheres estarem à frente de negócios. De acordo com o relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil, lançado pelo Sebrae em março deste ano, o Brasil tem a sétima maior proporção de mulheres entre os empreendedores que possuem empresas com menos de 42 meses. No entanto, a conversão de empreendedoras em donas de negócios é 40% mais baixa entre as mulheres, ou seja, há uma desistência maior no caso das mulheres. 

Segundo a pesquisa, a cada 10 empreendedoras, apenas 3,9 viram donas de negócios, enquanto entre os homens esse número é de 6,5. A pesquisa também mostrou que as mulheres donas de negócio ganham 22% a menos que os homens.

Para mudar o panorama, Tatiana Pimenta acredita que é preciso saber vender seu negócio e não ter medo de falar com pessoas experientes na área. "O que importa é não ter vergonha. Foi fundamental eu começar a frequentar ambientes que não eram os meus, onde pude conhecer as pessoas que me ajudaram."

Para a jornalista Sofia Fada, fundadora da Kriativar, que há 15 anos usa a tecnologia para criar atividades lúdicas que estimulam a imaginação, é importante estar atenta aos editais de inovação e preparada para apresentar seu modelo de negócio. "Participei de muitos editais e programas de aceleração. Como vim do mercado de audiovisual, eu já tinha essa tradição de inscrever projetos em editais. Isso me ajudou muito e hoje a Kriativar está crescendo em meio à crise", comenta ela, que está lançando uma linha de smart toys com realidade aumentada.

Mariana Freitas, fundadora do Sirius App, também aconselha a fortalecer as redes de contatos e formar o que ela chama de "smart network". "São essas pessoas que depois vão te indicar algum parceiro, um cliente, alguém para trabalhar na sua startup." 

Em 2016, Mariana criou o aplicativo como plataforma de comunicação corporativa, que impede vazamento de dados, para ser usado no lugar de aplicativos como Whatsapp. Para ela, o maior desafio foi não ter experiência com tecnologia. “Esse desafio acabou se tornando minha maior oportunidade, porque tive que buscar tão exaustivamente grupos de apoio e conhecimento sobre tecnologia que acabei entrando em grandes grupos." 

SERVIÇO

WiSE24 - Mostra Internacional de Empreendedorismo Feminino

Quando: 19/9 (quinta-feira), das 14h30 às 18h; inscrições gratuitas pelo site do evento

Endereço: Natura NASP (Av. Alexandre Colares, 958, Parque Anhanguera, São Paulo)

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