Aloísio Maurício /AE
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Empreendedora lucra com grife para cozinheiros

Negócio ganha espaço no mercado e chama a atenção do chef Alex Atala, que já fez uma parceria com a empresa

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

13 de março de 2012 | 07h30

Os cabelos cuidadosamente ajeitados e a maquiagem impecável exibida pela chef Lilian Ribeiro de Barros em uma quarta-feira comum deixam claro que ela é uma mulher vaidosa. Formada em Direito, a boa aparência sempre foi uma exigência do mercado de trabalho. Foi por isso que, quando começou a estudar gastronomia, ela levou um susto ao descobrir que, para ser uma profissional, teria de deixar maquiagem, acessórios e roupas elegantes do lado de fora da cozinha.

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A limitação, no entanto, ajudou Lilian a descobrir uma oportunidade de negócios. Acostumada a reformar seus uniformes para que eles ficassem mais femininos, a chef constatou, após uma temporada de estudos na França, que faltavam no mercado brasileiro peças para cozinheiros com foco em moda.

No fim de 2010, ela decidiu deixar as panelas de lado e lançou no mercado a Fashion Chef, grife que confecciona roupas para profissionais de cozinha com apelo fashion. “Queria cozinhar bem vestida, mas a maioria das roupas tinha corte masculino e deixava a mulher quadrada.”

Com a ajuda da sócia, a engenheira têxtil Katia Figueiredo, Lilian estudou tecidos e desenvolveu os primeiros itens. Chapéus e aventais com estampas coloridas, jalecos com bordados e peças com design especial para valorizar o corpo feminino são algumas das inovações da grife.

Para os homens, a aposta foi em estampas e modelos que tenham estilo e fujam da “brancura” dos uniformes tradicionais. “O mercado de eventos é hoje um dos mais promissores para quem se forma em gastronomia. Isso aumenta as possibilidades de o profissional inovar e imprimir sua personalidade por meio da vestimenta. Por isso as peças fazem sucesso”, afirma.

Além da coleção própria, a Fashion Chef de Lilian e Katia também desenvolve projetos personalizados para bares, hotéis e restaurantes. Para identificar o verdadeiro potencial desse mercado, a empreendedora contou com a ajuda do seu principal concorrente, o estilista André Razuk, conhecido por confeccionar o uniforme de chefs famosos, como Bel Coelho.

“Conversar com a concorrência é fundamental. Ele tem muita experiência e me ajudou a entender no que eu estava me metendo”, afirma. “Quando ele não consegue aceitar novas encomendas, indica clientes para mim”, diz a empresária.

A marca possui uma loja própria na Rua Augusta, em São Paulo, mas alguns pedidos são feitos pela internet por cozinheiros de outros Estados que descobrem a marca e procuram a empreendedora. A confecção das peças é terceirizada. Entretanto, o design e as estampas exclusivas são desenvolvidos por designers contratados pela empresa.

Lilian também pretende se diferenciar da concorrência pelo prazo de entrega oferecido aos clientes. Enquanto algumas marcas só produzem em larga escala e demoram até 4 meses para entregar o produto, ela aceita encomendas de peças avulsas e estruturou sua operação para atender aos pedidos em até 30 dias.

Apoio. Para ganhar visibilidade no segmento, a empresa fechou parcerias com escolas de gastronomia e também conquistou o apoio do chef Alex Atala, que em agosto do ano passado lançou pela Fashion Chef uma camiseta com o desenho de uma das suas tatuagens.

Há cerca de um ano no mercado, a empresa ganha fôlego à medida em que o lucro é reinvestido para aumentar a estrutura e a capacidade produtiva do negócio. Com faturamento médio de R$ 30 mil por mês, a empreendedora espera recuperar o investimento inicial de R$ 200 mil ainda este ano.

Antes disso, porém, precisa enfrentar um desafio: a falta de mão de obra qualificada nas confecções. Em dezembro de 2010, por exemplo, as peças encomendadas por ela com motivos natalinos foram entregues com atraso e só puderam ser vendidas no Natal do ano passado.

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