Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Empreendedor tem desafio duplo ao investir em marketplace

Não é fácil empreender nessa área, mas quem persiste tem atraído investimentos de fundos na casa dos milhões

Gisele Tamamar, Estadão PME,

31 de março de 2014 | 07h00

Quem quiser investir em um marketplace deve estar preparado para, literalmente, trabalhar dobrado. Afinal, o desafio aqui é pensar estratégias e definir ações que impactem em dois públicos absolutamente distintos: compradores e vendedores.

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Mas se a missão é dupla, a recompensa aos vitoriosos também pode ser generosa. As startups que conseguiram concretizar seus planos têm atraído o interesse de investidores e esperam faturar na casa das dezenas de milhões de reais neste ano.

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Na avaliação do cofundador da Aceleratech, Pedro Waengertner, existe um espaço interessante para ser ocupado pelos marketplaces no Brasil, mas exige-se um papel importante dos gestores para trabalhar também no mundo offline. “O trabalho corpo a corpo dos sócios é muito importante para fazer a coisa dar certo no início. Vemos poucos marketplaces funcionando bem no Brasil porque os sócios subestimam essa parte toda. (Ela) É trabalhosa, toma tempo e não funciona do dia para noite. É importante considerar isso ao planejar o negócio.”

Waengertner destaca que a tecnologia é um componente importante, mas para o negócio “sair do chão” é muito mais uma questão de negócio, venda, entendimento do mercado e saber fazer marketing online.

A paciência também deve ser uma das virtudes de quem atua no ramo. Antes de abrir o Canal da Peça, os sócios Vinícius Dias e Fernando Cymrot analisaram oito setores e optaram pelas autopeças para criar uma plataforma que realiza transações entre varejistas, oficinas mecânicas e consumidores.

O primeiro passo foi contratar funcionários-chave e reunir informações técnicas. “Ficamos um ano apresentando projetos para os principais players, assinamos contratos de transferência de dados, fomos atrás de vendedores de peças. Eu e o Fernando fomos pessoalmente criar um relacionamento no setor. Visitei 14 cidades”, conta Dias.

Para criar a plataforma, que entrou no ar em julho de 2013, os amigos investiram R$ 80 mil do próprio bolso, mas desde então já conseguiram captar R$ 4,6 milhões. Até o fim do ano, a meta é faturar R$ 15 milhões com, ao menos 150 varejistas e 1,5 milhão de itens no site.

O início do Profes, site que conecta professores particulares e alunos, também envolveu o trabalho ‘corpo a corpo’ dos sócios, que colaram cartazes na USP e fizeram a propaganda boca a boca para recrutar profissionais para a plataforma. “Sempre tem a dúvida: o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? No caso, o professor ou o aluno? Apostamos no professor. Agora temos uma base sólida de profissionais e trabalhamos para atrair mais alunos”, conta o sócio Victor Harada. Atualmente, o site tem 4,4 mil professores e 15 mil usuários.

Já o ponto de partida do GetNinjas, plataforma para contratação e anúncio de serviços, foi um site simples para coletar e-mails de profissionais. “O negócio surgiu quando a moda era compras coletivas, mas não existia uma maneira fácil de contratar serviços. Só existia uma espécie de páginas amarelas digitalizada, mas o cliente não sabia se o profissional estava disponível”, conta o criador do site, Eduardo L'Hotellier.

O negócio chamou a atenção de investidores e já captou R$ 7,2 milhões de três fundos. “Meu maior aprendizado é que você nunca sabe de nada. É preciso testar muito mais do que planejar”, diz. 

:: Modelo não é nada simples de executar ::

Taxas: Em geral, o marketplace ganha com uma comissão sobre as vendas. No início, algumas startups não cobram essa taxa como forma de atrair interessados.

Trabalho offline: Apesar de ser uma plataforma online, o trabalho ‘corpo a corpo’ dos sócios no início é importante para o sucesso do negócio. Será trabalhoso e o retorno não aparece do dia para noite.

Qualidade: Não adianta apenas atrair um grande número de profissionais para a plataforma. O empresário deve se preocupar com a qualidade do serviço ou produto exposto.

Planejamento: A tecnologia é um componente importante do negócio, mas não é só isso. Entender de gestão, vendas, marketing e do mercado é fundamental para dar certo.

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