Reprodução/Endeavor
Reprodução/Endeavor

Empreendedor não pode pensar em se aposentar, afirma presidente da DPascoal

Confira os conselhos de dois empreendedores de sucesso que participaram de evento da Endeavor

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

02 de dezembro de 2013 | 06h45

Para o presidente da rede de centros automotivos DPascoal, Luis Norberto Pascoal, o empreendedor não pode pensar em se aposentar. “Empreendedor não para. Ele nasce com essa ideia de conquista, de trabalho, e ele precisa preservar essa visão”, afirmou o empresário, que participou do Day1, evento promovido pela Endeavor para os empreendedores contarem os “pontos de virada” que transformaram suas formas de enxergar o mundo.

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A empresa nasceu há mais de 100 anos com o avô e foi reiniciada pelo pai do empresário em 1949. Ainda jovem, Pascoal precisou tomar a decisão de ajudar o pai na empresa já que o irmão mais velho queria seguir a carreira na arquitetura. “Meu sonho era ser engenheiro mecânico de pesquisa aplicada a soluções. Mas de repente eu me vi cada vez mais dentro de uma empresa comercial de prestação de serviços. Isso me tirava um pouco do meu sonho”, lembrou.

O fato que ele considera seu Day1 foi quando ele ganhou o livro Sociologia do Comércio de Fernando Pessoa. “Quando eu recebi esse livrinho, foi meu Day1. Meu sonho de engenheiro não podia destruir a oportunidade que tinha nesse trabalho. Se eu amo ser engenheiro, eu também tenho que amar o que eu recebi”, disse.

Pascoal disse que a palavra empreendedorismo é sempre vista do lado empresarial, de construir uma empresa. “Mas a palavra empreender está dentro de vocês, que é assumir riscos, enfrentar dificuldades”, completou. Para quem pretende seguir esse caminho, Pascoal afirma que é preciso saber reconhecer os erros, o mais cedo possível, ter disciplina, escolher bem os parceiros, ter habilidade de entender sobre várias coisas e ter auto consciência. “O sucesso traz privilégio e esse privilégio traz responsabilidade”, afirmou.

Even. Carlos Terepins, CEO da construtora e incorporadora Even, também participou do evento e compartilhou os momentos difíceis que passou até construir o negócio. Engenheiro civil formado há 37 anos, Terepins chegou a montar uma empresa com alguns sócios logo após a graduação. Enfrentou os problemas da inflação, um mercado menos sofisticado com ausência de crédito e quase fechou a empresa.

Retomou o negócio com um amigo durante o Plano Cruzado, passou pela estabilização da moeda com o Plano Real até ter a ideia de fazer uma fusão com outra empresa do mercado para competir com as grandes do setor. A fusão ocorreu no início de 2000. “Foi muito difícil. Depois eu fui entender porque tantas fusões fracassam: os coronéis medianamente competentes com egos inflados e com poucos soldados competentes tinham dificuldades de abandonar os seus feudos”, contou.

Quando o empresário quase estava desistindo, a ideia de trazer um profissional de outra empresa e afastar da linha de frente pessoas, que apesar de sócias estavam em uma posição razoavelmente acomodadas, deu início a um processo de crescimento da empresa.

Outro momento difícil foi o aporte de um private equity e a relação com os sócios. “Foram momento dramáticos, de desentendimentos, diferenças, restrições, mas eu só conseguia ver a empresa competitiva se ela tivesse o capital para enfrentar a concorrência com outras empresas que já estavam abrindo seu capital na bolsa. Eu tive todos os motivos para desistir desse projeto, mas uma convicção cresceu dentro de mim de que era preciso tomar essa decisão. E ela foi tomada e eu não me arrependo de nada”, disse.

Depois de todas essas experiências, Terepins tirou uma conclusão: não é possível o empreendedor crescer, exercer uma atividade transformacional agradando a todos. “O caminho tem que ser reto, decente, transparente, articulado. Mas é impossível agradar a tudo e a todos”, disse.

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