André Lessa/Estadão
André Lessa/Estadão

Empreendedor lucra com venda de "experiências"

Organização de eventos para funcionários ou clientes de multinacionais é a aposta de pequeno negócio

Renato Jakitas, Estadão PME,

01 de janeiro de 2013 | 07h58

Finais de semana embalados por marcas de luxo, um dia na pele de astro do futebol, com direito a sessão de entrevista na porta do hotel, ou um passeio por Las Vegas para assistir o evento de MMA organizado pelo UFC.

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Há quatro anos, o trabalho de Rodrigo Geammal é esse: captar entre executivos ou clientes de multinacionais sonhos com potencial para se transformarem em ações de impacto no relacionamento corporativo. Foi assim que ele faturou R$ 3 milhões em 2012 – R$ 1 milhão mais do que em 2011. É dessa maneira, aliás, que o empresário projeta 2013 e 2014: sem sinais de crise, com crescimento na casa dos 15%.

Gammal é dono da Elos Cross, negócio especializado em auxiliar grandes empresas a motivar funcionários e impressionar clientes. Para tanto, ele cria ações pouco convencionais de marketing focadas na customização das soluções. “Nosso desafio é pensar em eventos e experiências marcantes para um público que, geralmente, tem acesso a muitas novidades”, afirma o empresário, que atende corporações como Esso, PepsiCo, Kimberly-Clark, Arcor e Policom.

Entre as ações da Elos, as que chamam mais a atenção são as que envolvem futebol. A campeã de vendas da empresa – e também de receita – é a que leva o participante a viver um dia como se fosse um jogador de futebol profissional, com direito a concentração em hotel, preleção de técnico e jogo em estádios.

“A gente leva a pessoa para um hotel e quando ela acorda tem paparazzi na porta querendo saber se está preparado para o jogo. À noite, alugo um estádio de futebol, chamo ex-jogadores como Djalminha, Júnior Baiano, César Sampaio e ainda narro o jogo”, afirma Geammal, que chega a vender o evento, extensivo para 60 funcionários, por até R$ 600 mil. “A PepsiCo já comprou uns oito desses eventos.”

Um resultado que não surpreende Clarisse Setyon, professora de marketing esportivo da ESPM. O ponto de atenção, destaca a especialista, é quanto à definição das experiências para cada público. “Esse é um tipo de serviço que exige uma super personalização. Tem de saber exatamente quem é o cliente, quem são os funcionários, para não correr o risco de obter um retorno negativo da ação.”

Motivação. Ex-funcionário de marketing em uma companhia de energia, Geammal conta que o impulso criativo para fundar a Elos surgiu pelo fracasso no início de sua trajetória como empreendedor, oito anos atrás. Na ocasião, a ideia do empresário era faturar com a avaliação do retorno de ações promocionais encampadas por grandes empresas. Após quatro anos, no entanto, o negócio não emplacou e o dinheiro de Geammal acabou.

"Fui para casa chorar no colo da minha mulher. Mas conversando com amigos empresários, fui aconselhado a repensar minha atuação. Conclui que em vez de mostrar para o cara o retorno de suas ações, idealizar um produto que o ajude a vender traria mais resultado. Foi assim que nasceu o modelo do negócio, que é uma agência de marketing de resultado de venda.”

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