José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Empreendedor de 61 anos lança sorvete árabe com receita criada em 1924 por seu avô

Sorvete deve ganhar espaço no mercado quando empresário lançar comércio virtual

CLARICE CUDISCHEVITCH, ESTADÃO PME,

09 de julho de 2013 | 07h39

 Nos fundos de uma casa em Osasco, o engenheiro Waldir Seror, de 61 anos, vive uma vida dupla com a esposa Edileni. Em uma pequena cozinha impecavelmente limpa e bem equipada, ele produz sorvetes sofisticados e "artesanais, apesar de industriais", a partir de uma releitura da receita criada em 1924 pelo seu avô, um árabe nascido no Líbano.

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Por enquanto, os 18 sabores exóticos de suas duas marcas, 'Sorveteiro Árabe' e 'Chef Sorveteiro" podem ser experimentados somente em dois restaurantes e em eventos esporádicos, quando são feitas encomendas. A partir de setembro, no entanto, moradores de Alphaville poderão fazer pedidos pela loja virtual que o empreendedor, já considerado como da 'melhor idade' pelo Estatuto do Idoso, está elaborando praticamente sozinho. "Não gasto com funcionários nem aluguel. Eu e minha mulher produzimos o sorvete e eu que estou formatando todo nosso site. Tenho apenas a ajuda de um designer para colocar em prática o que desenhei."

A economia obtida permite que Waldir se orgulhe de ser "a única empresa apoiada pelo Sebrae que ficou cinco anos sem vender nada e não faliu". Esse foi o tempo que ele passou testando a receita, as técnicas, produtos e equipamentos continuamente até chegar ao sorvete perfeito: com menos ar, porém leve, pouco gorduroso e, ainda assim, saboroso. "Todos os meus ingredientes são os da melhor qualidade, do creme de leite ao damasco, então meu sorvete tem um valor agregado alto." O Jankenpô, restaurante japonês de Alphaville, vende uma bola a R$ 9. Já o árabe Sabah cobra R$ 4, mas a bola é tão pequena que os clientes reclamam que seu defeito é "que se vê o fundo do pote muito rápido". 

Waldir Seror não está sozinho no mundo dos "vovôs empreendedores". Segundo o Sebrae-SP, em 2002, cerca de 3% das pessoas entre 55 e 64 anos estavam envolvidas com a abertura de algum empreendimento ou criação de algum negócio no estado. Hoje, esse índice saltou para 8,3%. A necessidade é a principal razão, mas 30% dessas pessoas o fazem por desejo ou vontade. 

"Hoje, chegamos aos 60 anos com saúde e condições de produzir e trabalhar", explica Bruno Caetano, diretor superintendente do Sebrae-SP. "O idoso sente mais segurança para ser ativo." A afirmação se revela em números: de acordo com o IBGE, a população ativa de 50 anos ou mais aumentou 52% nas regiões metropolitanas entre 2003 e 2012. No ano passado, 30,9% da população ativa tinha essa idade. 

O preconceito com a idade é uma realidade no mercado de trabalho. Muitas vezes, um trabalhador deixa de ser contratado por ter 50 anos ou mais. Mas quando a pessoa opta pelo empreendedorismo essa desvantagem não existe, porque o sucesso de um negócio se dá por conta do planejamento. "Não há relação entre a taxa de mortalidade de empresas abertas por jovens ou velhos", afirma Caetano. "Quando o cinquentão ou sessentão está preparado para levar o negócio adiante, a receptividade é boa".

Para Waldir Seror, não falta know-how sobre o seu ramo de atuação. Apesar disso, ele hesitou em começar o negócio, mas acabou convencido pela insistência da esposa depois de provar o sorvete. "Brigamos muito e chegamos a nos separar porque eu não queria fazer", conta o cuiabano. Por enquanto, seu sustento vem do trabalho como engenheiro, mas ele pretende viver só da venda de sorvetes depois que lançar o e-commerce, cujos detalhes não revela, mas que promete ser um projeto inovador. Até agora, Waldir já gastou cerca de R$ 120 mil com a montagem da fábrica, e deve gastar mais R$ 50 mil com a loja virtual. 

Com o contrato que tem com os dois restaurantes, Valdir ganha R$ 1.500 de receita líquida mensal. Quando inaugurar o e-commerce, o empreendedor quer vender até 2 mil potes por mês, cujos preços vão variar de R$ 42 a R$ 50. "Meu sorvete é uma sobremesa sofisticada. Ele será entregue com um cartão em que estará escrito: 'este é um presente para o seu paladar', e terá instruções de como conservá-lo adequadamente." Quem fizer o pedido para o dia seguinte, ganhará desconto - isso porque, dentro de uma hora, já será possível receber o sorvete em casa. "Depois que eu ganhar Alphaville, pretendo vender em Moema, nos Jardins e na Consolação." 

:: Confira parte do processo de produção do sorvete ::

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