Marcos de Paula/AE
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Empreendedor busca gestão profissional para se desenvolver

A flexibilidade que favorece o empresário no início do negócio precisa ser substituída pelo planejamento

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

01 de agosto de 2011 | 20h16

Quando a bioquímica Lisabeth Braun abriu em 1978 a farmácia de manipulação que daria origem à loja de cosméticos Dermage, no Rio de Janeiro, era ela quem cuidava de tudo: da manipulação das fórmulas ao fluxo de caixa. Em 2000, quando boa parte das 35 lojas e 77 pontos de venda da marca já funcionavam, ela se deparou com um dilema típico de quem comanda um negócio que evoluiu para um estágio mais avançado: a necessidade de profissionalizar a gestão.

De repente, as horas de trabalho diárias já não eram suficientes para a empreendedora dar conta de tantas pendências. Tampouco ela conseguia acompanhar tudo o que acontecia na empresa de perto. A administração ficou mais complexa e faltava conhecimento técnico para lidar com essas questões. Afinal, seu ponto forte era o desenvolvimento e a venda de produtos.

“Percebemos que precisávamos contratar profissionais com experiência em grandes empresas para nos ajudar”, lembra a filha de Lisabeth, Ilana Braun, hoje presidente da Dermage. Em 2004, ela assumiu a vice-presidência como parte do processo de reorganização da companhia. Outros dois executivos, das áreas comercial e financeira, foram contratados para dar novo fôlego ao negócio.

“Quando o empreendedor se torna um gargalo da sua própria empresa, é o momento de reconhecer que é preciso contratar profissionais com as competências que ele não tem”, diz Marcos Simões, gerente de serviços empreendedores da Endeavor.

Transição. A dificuldade de crescer de tantas empresas reside, justamente, na transição entre o que dá certo em um pequeno negócio – a flexibilidade e a falta de uma estrutura rígida, que favorece o crescimento – com os desafios impostos por essa evolução: a criação de rotinas, a busca por mão de obra especializada e a adoção de sistemas para medir os resultados.

“Quando o negócio vai bem, é necessário ter alguém no escritório para analisar os resultados e gerar indicativos que ajudem na tomada de decisão do empreendedor”, analisa André Moraes, sócio da consultoria de gestão e negócios Excelia.

O químico Ricardo Ferreira, que há 22 anos fundou a sorveteira Ice by Nice, em Jaboticabal, no interior de São Paulo, acaba de passar por essa experiência. Com 13 lojas, uma fábrica própria e um faturamento médio de R$ 3 milhões, há cinco anos ele começou a padronizar processos, investir em maquinário e em sistemas de gestão. Ainda assim, faltava o apoio de um especialista na área comercial. “Como tenho mais habilidade com a produção, sentia que a parte comercial estava fragilizada. Tanto que eu dizia que eram as pessoas que compravam o meu sorvete, não eu que vendia a elas”, analisa Ferreira.

Para resolver o problema, Ferreira queria contratar um amigo de longa data, o engenheiro Fábio Cirilo, na época diretor comercial do Walmart. Sem ter como arcar com os custos da contratação, ofereceu a ele uma sociedade na qual ele teria participação de 50% na empresa. “Eu queria alguém com tanto comprometimento quanto eu e que sentisse o peso desse compromisso no bolso”, conta.

O investimento compensou. Após a entrada de Cirilo, foram feitas pesquisas de mercado usadas como base para a reformulação das embalagens dos produtos, do layout dos pontos de venda e que também ajudaram no desenvolvimento de novos sabores. As vendas cresceram 50% e agora os sócios sonham em entrar no concorrido mercado paulistano. “O Ricardo é um gênio do sorvete, mas não em gestão. A nossa soma é muito favorável”, diz Cirilo.

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